tangas-memorias

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— Leva assim tanto tempo a escolher uma camisa?
— Não sei qual me fica melhor.
— Haja paciência. Que bicho lhe mordeu? Não era a menina que ficava à porta a perguntar quando é que me despachava?
— Só quero ter a certeza de que estou apresentável.
— Hum… Cheira-me a passarinho novo.
— Cheire o que quiser. Azul ou branco?
— Gosto mais de a ver com a preta.
— Levo a verde.
— Uma decisão, finalmente. Quem é ela?
— Há-de ter muito que ver com isso…
— Vai ter de se confessar, mais tarde ou mais cedo.
— Que seja mais tarde, então.
— Isso nem parece seu. Ela é casada?
— Deixe-se de disparates.
— Pronto, é. A menina não tem juízo nenhum.
— Comparada consigo e com todas as outras pessoas que caem no mesmo?
— Tem razão. Só quero que saiba que estou aqui para a apoiar.
— Não é o que dizemos todos? E alguma vez viu resultados?
— Mudança de planos: vamos tomar copos até não nos lembrarmos mais desta conversa. A não ser que prefira ficar sóbria para não perder pitada do sofrimento que lhe está reservado.
— Vamos lá para os copos e não se fala mais disso.
— Só mais uma coisinha: sabe quantas ressacas já tive de aguentar à conta dos seus desastres amorosos?
— Está mesmo a precisar de afogar essas memórias…


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(entrevista de R. U. Sirius a Kathy Acker (1947 – 1997) – ver original aqui – tradução: Tangas)

Chama a si própria Acker. E Acker é uma pessoa com quem de vez em quando ando. O mais fixe é podermos falar de tudo e ninguém ficar chocado (embora ela decida, por vezes, que sou um porco sexista). Alguns chamaram-lhe a nova geração Burroughs (autor da beat generation).

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Kathy Acker

Kathy Acker é uma romancista. Li pela primeira vez os seus ruídos interiores staccatonuma revista dadaísta canadiana algures pelo fim dos anos setenta. Pensei, “aqui está a nova geração Burroughs”, ou coisa parecida. Ela usa a apropriação, múltiplas referências de ego, múltiplas referências temporais, honestas e violentas obsessões libidinosas, discurso desconstrutivo e revolucionária repulsa de forma muito vantajosa- Os livros dela incluem Blood and Guts in High School, Empire of the Senseless, In Memoriam to Identity e My…

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— Acha que as meninas não conhecem este trabalho?
— Espero que conheçam, sim. Na dúvida,é melhor mostrar.
— E sobre o livro dela, O Segundo sexo?
— Só se pode recomendar a leitura, embora não seja fácil de encontrar.
— Podem sempre procurá-lo numa biblioteca.


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— Que bichano é esse?
— Esta gatinha? É amiga de uma amiga.
— O quê de quem?
— Percebeu muito bem o que eu disse.
— É verdade. Se bem que espere que isso não seja o que estou a pensar…
— E se for?
— Nada, estou só a divagar. Como se chama o animalzinho?
— É uma menina, a Branquinha.
— A mim parece-me mais cinzentinha.
— É Branquinha, não insista!
— Pronto, pronto. Parece muito afeiçoada a si.
— Pois.
— E a dona também está na mesma?
— A gatinha é mais directa.
— Os animais são sempre mais óbvios.
— Perdem menos tempo.
— Concordo. A propósito, que está a fazer aqui na palheta comigo em vez de ir cercar a dona da Branquinha?
— Estou a ganhar fôlego…
— Hum… Há animais que são, de facto, mais iguais que os outros.
— Não sei se gosto dessa sua afirmação.
— Deixe-se de tretas e ponha-se a caminho de uma vez. Já agora, deixe a Branquinha cinzentinha aqui, que eu olho por ela.
— Não sei se é uma boa ideia.
— Claro que é. Se não resultar consigo, pode ser que resulte comigo. Miau…


— Que acha deste vídeo promocional da autarquia de Vinhais?
— No mínimo ousado, se bem que ache que um pikeno em tão alvos e diminutos trajes, misturado com os salpicões da Feira do Fumeiro de Vinhais, não seja um conceito passível de aprovação pelas autoridades sanitárias.
— E a alheira gigante a fazer de baloiço?
— Alterou definitivamente a minha visão daquele enchido.
— Pois. Sem couves nem batatinhas à ilharga. Puro e duro.
— Reparou nas pernas peludinhas do rapaz?
— Não deve haver Legs & Nails em Vinhais. Compreensível.
— E o espaço entre os dentes, estilo Madona?
— Brutal, claro. Terá sido da dentada no salpicão? Uma vida de abuso de enchidos?
— Também pode ser um gene recessivo.
— O Portugal profundo não deixa de me surpreender.


Qual é a diferença entre adoção e coadoção

Diário de Notícias: por Sofia Fonseca com Lusa17 maio 20132 comentários

O parlamento aprovou hoje a co-adopção por casais do mesmo sexo, mas chumbou a adopção. Perceba a diferença.

A proposta hoje aprovada pretende estender o vínculo de parentalidade de um dos elementos do casal (pai ou mãe biológica ou adoptante) ao cônjuge que ainda não o possui em relação à criança.

“Quando duas pessoas do mesmo sexo sejam casadas ou vivam em união de facto, exercendo um deles responsabilidades parentais em relação a um menor, por via da filiação ou adopção, pode o cônjuge ou o unido de facto co-adoptar o referido menor”, diz o diploma, que restringe o direito de co-adopção a pessoas com mais de 25 anos e à não existência de “um segundo vínculo de filiação em relação ao menor”.

Este projecto de lei determina ainda que a co-adopção de uma criança maior de 12 anos exige o seu consentimento, conforme consta do Código Civil para a adopção.

A proposta foi apresentada pelo PS, tendo como primeiros subscritores os deputados socialistas Isabel Moreira e Pedro Delgado Alves, e diz respeito à co-adopção por casais ou unidos de facto do mesmo sexo. Ou seja,

Os projectos do Bloco de Esquerda e de Os Verdes, que foram chumbados, diziam respeito à adopção plena por casais do mesmo sexo. Segundo a lei actualmente em vigor não é permitida a adopção a pessoas do mesmo sexo casadas ou a viver em união de facto. As propostas visavam eliminar estas restrições legais.

Pela diferença de apenas quatro votos, o Parlamento aprovou hoje o projecto lei oriundo da PS que permitirá a co-adopção de crianças por casais do mesmo sexo mas chumbou articulados do PEV e do Bloco de Esquerda quer permitiriam a adopção plena.


tangas-sabado

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— Há imenso tempo que não acontece nada de jeito com primas, não acha?
— Não.
— Nem escândalo, nem uma nova diva a casar-se, nada.
— Que se passa consigo?
— Nem uma flashmob
— Está mesmo estranha, hoje.
— Puro tédio.
— Vá passear à chuva, apanhar ar frio na cara a ver se isso passa.
— Já me molhei toda a ver as ondas da Guia. Nem uma prima a fazer desporto…
— Saiu de casa para ver primas?
— É verdade. Um desespero.
— É melhor marcar uma consulta com a psicóloga. Isso não me parece nada bem.
— Essa não. Arranje-me uma prima cativante e eu vou.
— Dito assim, parece que estou a intermediar favores sexuais…
— É a nostalgia.
— Das primas? Você vive rodeada de primas…
— Quem diria, não é?
— É a minha vez de ir ver ondas, de apanhar chuva e escapar a esta conversa esquisita.
— Se vir alguma prima diga-me.
— …


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— Já tomou as suas resoluções para este ano?
— Todas.
— Pode saber-se quais são?
— Hum… Está bem, pode.
— E?
— A primeira é viajar bastante.
— Parece-me bem. Para onde?
— Qualquer lado serve.
— Como assim?
— Vou seguir a inspiração do momento.
— Isso é outra resolução?
— Pode dizer-se que sim.
— Viajar e seguir a inspiração do momento. Parece-me bem. Mais?
— Ver-me livre das suas perguntas.
— Essa é a sua batota anual por cumprir. Adiante.
— Saber quais são as suas resoluções.
— Nenhuma. Vou improvisar.
— Isso também é a sua batota habitual.
— Estou a ver que fica tudo na mesma…
— Pois… As mudanças não são para todos.

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