É nossa convicção que a maioria dos portugueses não concorda que os socialistas católicos tenham olhos castanhos. Nesse sentido, propomo-nos recolher um número suficiente de assinaturas para uma petição a apresentar à Assembleia da República para referendar o caso.

foto: José Mota / JN

foto: José Mota / JN

É de ganir, sim. Senão, vejamos: o que aconteceria se eu me virasse para vocês e dissesse que achava a Bíblia uma leitura pouco aconselhável para as crianças? Nada. E se dissesse que o deus que lá nos mostram é um pesadelo? Nada. (Apesar da parte do pesadelo ser verdade, porque a verdade é que o deus ali descrito está sempre pronto a castigar, à esquerda e à direita, com requintes de malvadez que ainda não nos explicaram se são mesmo dele ou de quem o interpreta e usa como arma de arremesso…)

O certo é que não acontecia nada porque o Tangas não ganhou nenhum Nobel e portanto é perfeitamente passível de desprezo. O que é que as pessoas ganham em desafiar as minhas opiniões? Nada. E o que é que ganham desafiando o Saramago? Três minutos de tempo de antena.

O certo é que o Saramago escritor e o Saramago pessoa tem o direito de expressar a sua opinião sobre qualquer livro, religioso ou não. E não comete nenhum crime.

Há alturas em que não falar ou não emitir uma opinião é crime. Por exemplo, quando um chefe de governo, um governo inteiro, um partido inteiro e uma mão muito cheia de pessoas muito respeitáveis (ou talvez não tanto), insistem em nada dizer ou opinar sobre os direitos, ou falta deles, de alguns cidadãos a quem juraram proteger e defender quando assumem cargos públicos. Isso é um crime.

Quantos defensores da Bíblia e da sua justiça e de um deus que se assume como a personificação do Bem se insurgem contra esse silêncio? Nenhum.

Então o que é isto agora com o escritor/cidadão José Saramago? Estarão a pensar exigir-lhe uma indemnização por danos morais e psicológicos? E quem indemniza as criancinhas a quem dizem, ameaçadoramente, “Deus castiga!”? Ninguém.

(já agora, vejam aqui)

casamento2 No segundo dia de actividade do Parlamento, o BE põe em cima da mesa o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Isto é para pôr o senhor José em sintonia com as suas promessas, só pode. Isto sim, é que é colaborar com a minoria que governa para lhe facilitar as agruras da condução do País.

E agora o que é que vai acontecer? Prognósticos? – não se desculpem com o final do jogo, porque o senhor José só gosta de mini-maratonas…

Para vos facilitar a tarefa, introduzo uma sondagem e assim cada um pode escolher a versão que lhe causar mais simpatia.

Diz o senhor José que mesmo sem a maioria há coisas de que não abdica, como o casa mento de pessoas do mesmo sexo.

Palavras, palavras, palavras (leva-as o vento). Se, com maioria, foi capaz de obrigar os deputados do PS a votar contra ele, que quer isto dizer? Nada.

Isto aconteceu. A memória às vezes é incómoda. Mas mais incómoda e absurda ainda é a lata dos que fazem com que estas coisas aconteçam.

cdporto-press

Para divulgar e aparecer.

:) Ontem a AMPLOS teve a sua primeira reunião na Ler Devagar. Com o ritmo a que anda, qualquer dia são mais os pais assumidos de homossexuais do que primos e primas assumidos. Atentem…

:) Francesca Rayner (MPI Braga): “O coming out é um processo que está sempre a acontecer. Todos os dias temos de decidir se nos assumimos ou não nesta ou naquela circunstância.”

:| Por que será tão difícil explicar às pessoas que a homossexualidade não é uma opção? Que ninguém pode realmente escolher se vai nascer a gostar de pessoas de outro sexo ou do seu? Por isso se diz orientação sexual e não opção. Será porque a segunda palavra é mais pequenina e há assim a modos que uma vontade de dizer depressa e acabar com o assunto?

:( Obama  “voltou a garantir o empenho em terminar com a discriminação dos homossexuais nas forças armadas e com a lei que impede o governo federal de obrigar os estados a reconhecer os casamentos do mesmo sexo. Mas não estabeleceu um calendário para cumprir estas promessas eleitorais.”

Na tanga...

Na tanga...

Há um ano foi assim: clique aqui.

Andámos um ano na tanga, a consumir cafeína até altas horas da noite para arranjar forma de pormos o projecto do livro a rodar a velocidade cruzeiro. E assim é: estamos a lançar os Contos da Diferença, edição em papel, em várias cidades do País.

Já sabem que vamos estar no Gato Vadio, no Porto, às 22h de dia 17, com a professora Luísa Saavedra a comentar a obra e todas a gente a apoiar-nos. Mas há mais.

mais tangas, mais contos

mais tangas, mais contos

Como temos a mania de não desistir de nos metermos em problemas, já temos na forja o segundo volume de Contos Tangas Lésbicas 2009.

Este ano temos 27 participantes e vinte e nove histórias, dezoito das quais são portuguesas, três galegas e oito brasileiras. A capa é fotografada e desenhada por uma artista galega. Querem mais? Venham ter connosco… ;)

Tenham um dia feliz!

capa_contosOs Contos da Diferença vão ser objecto de um artigo que sai amanhã na edição impressa do semanário Grande Porto, pela mão da jornalista Ana Caridade.

Lembro-vos que duas das autoras, Dulce Rodrigues e Loveboat, são da Invicta. Assinam, respectivamente, os contos intitulados Quero-te para mim e Uma outra vez.

O livro está à venda no Gato Vadio, na rua do Rosário, onde dia 17 se fará a respectiva apresentação, pelas 22h.