All rights © Tangas Lésbicas

Queridas amigas e companheiras destas farras tanguisticas, aqui estou eu hunildemente a pedir mil perdões pelo atraso deste post tão esperado mas o fuso, ai o fuso, acarreta sempre problemas incontornáveis. Bem, pensando melhor, é o fuso, a piscina, a lanzeira, a paisagem e tudo de novo que me pede atenções redobradas. Estou perdoada?

A língua. Como todas nós bem sabemos, a língua é absolutamente fundamental, diria mesmo, insubstituivel, no que às relações diz respeito. A língua aproxima, apaixona, faz confidências, promessas, a língua une pessoas, corações, sentimentos. A língua permite perceber e às vezes também fazer-nos parecer desentendidos. Pois olhem, é como eu ando sempre aqui, desentendida.

Pensava eu que na África do Sul se falava inglês. Ahahahah! Venham até aqui para verem o que é bom para a tosse.

O que eles falam, ou melhor rosnam, é o africander, língua que desde já vos digo ser absolutamente incompreensivel. E nem ousem pensar que é o inglês africanizado, assim uma adaptação mal amanhada. Nada disso. O africander não tem nada a ver com inglês.

Para não pensarem que é exagero meu, sei bem que essas cabeças sempre duvidam do meu equilibrio mental, cá vai um exemplo: na beira da piscina está um placard em africander a dizer “geen kinders word by die swembad toegelaat sonder volwasse toesig” que para vosso e meu espanto, quer dizer “no children are allowed at the pool area without adult supervision”. Agora expliquem-me como é que um cristão se entende com esta gente?! Eu devia era ter ido fazer um estágio ao Martim Moniz e ao Rossio, para ver se os conseguia entender. Shakespeare deve andar aos pulos na tumba só de imaginar a sua lingua assim tão vilipendiada.

Outra: ontem, uma amiga sul africana, com um facius tão pensativo quanto interrogativo, tentava explicar-me se a sua lingua, leia-se, africander, tem mais semelhanças com o holandes ou com o alemão. Palavras para quê.

Pedir uma garrafa de água é uma tarefa complicadíssima. Há dias só consegui fazer-me entender quando já amaeaçava saltar sobre o balcão do estabelecimento comercial.

Antes de ontem, quando numa lojinha de frutas e legumes, um senhor se dirigiu a mim e me perguntou, na lingua de Camões, Eça e Pessoa, “ou é portuguesa ou italiana?” tive vontade de o abraçar durante largos minutos.

Bom, tirando a lingua, isto está a correr bem. Já fui comprar montes de equipamento hoteleieiro, ando a tentar encontrar natas, queijo fresco e outras coisas que preciso para mostrar a estes lateiros como a cozinha portuguesa é a melhor do mundo.

Aliás, Portugal é o melhor país do mundo. Eu não sou patriota mas apetece-me dizer isto.

Agora vou ao mercado da comida, acho que é um sítio bom para descobrir mais uns sabores. Isso pelo menos eu consigo entender. Seja em que língua for.

Abraços para todas.

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Levantar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer. Qualquer prima sabe isso. Portanto, a primeira coisa a fazer sábado de manhã é levantar mal o sol desponte, calçar uns ténis, pôr os óculos de sol, agarrar no cachorro e ir fazer os quatro quilómetros de passeio até ao Guincho.
Pelo caminho, compra-se o Expresso, deita-se o olho às demais primas a fazer o mesmo percurso, pára-se no Muchaxo para tomar o pequeno almoço e retoma-se o caminho de Cascais, sempre ao sol e ao vento, que secam a pele mas fazem milagres à disposição.
Almoço obrigatório na Marina ou noutro ponto bem frequentado e regresso a casa, para descansar e preparar a night. Cinema e um copito a seguir não estão fora de questão, mas nada de mais, porque domingo se repete a dose. Só que desta vez a paragem pode ser num dos museus, para espreitar pelo canto do olho mais frequentadoras interessantes. O Expresso é substituído por um livro, lido em pose casual, com o cachorro aos pés, coisa de charme inultrapassável.
À tarde há a jogatina em casa das amigas e depois o jantar familiar a começar a rotina reparadora da semana.
Melhor?

Ser má, dizer coisas horríveis às outras primas, tratá-las a baixo de cadelas — é o que elas fazem para ser cool
Ou seja, ter vergonha de ser boazinha é quase tão importante como ter um iPod ou um iPad, parecer uma personagem estereotipada de BD é, de repente, muito melhor do que ser o que se é.
Gosto de BD, verdade seja dita, que é como gostar de ópera e assistir a histórias em que os heróis são bons quando são bons, maus quando são maus. Raramente a moeda tem duas faces. E os heróis podem ser uns alarves, porque são do bem, mesmo quando se portam como vilões.
É quase uma obrigação: fazer de bom, salvar a Humanidade de grandes perigos e, depois, ir para casa e tratar a namorada como um carroceiro… Ou seja, se é cool, pode ser uma besta. Haja pachorra, sobretudo quando a coisa passa para a realidade e temos primas muito cool que se acham no direito de tratar o resto das primas como menores de tudo, porque sim, porque podem.
Há primas assim, verdadeiras heroínas, acima de todo e qualquer julgamento humano. Não se misturam porque, por divino desígnio, nasceram com uma mão cheia de regalias e clarividências que, obviamente, a comum das mortais não partilha. É uma casta iluminada, que esconde o seu deslumbramento na capa do parece bem.
Onde é que está a virtude, afinal? Nos looks?

Mosquita y Mari Trailer from Augie Robles on Vimeo.

Aurora Guerrero é a autora de Mosquita y Mari, sua obra de estreia que vai estar em no festival de Sundance. É a história complicada de duas adolescentes latinas da comunidade emigrante a sul de Los Angeles, que Aurora tentou financiar com dinheiro local. Mas foram os 82 mil dólares reunidos por 800 apoiantes que lhe permitiram fazer o filme.
Quando ainda estava na escola de cinema, pediram-lhe para escrever sobre alguma coisa que conhecesse. O que lhe ocorreu foi a amizade com uma amiga, aos 13 anos, de onde retirou coragem para se sentir confortável tal como era. Baseou-se nessa experiência pessoal para escrever o guião do filme e retratar uma parte da comunidade chicana marginalizada.

Tirinha Gente Fina, de Bruno Drummond

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As terças-feiras são duras, mas afortunadas. A culpa, claro, é da menina Pagu que vai à aventura por esse mundo fora e deixa este blogue à míngua das suas peculiares participações. A vingança não a poupará, claro, sobretudo se se esquecer de trazer quatro quilinhos de camarão tigre congelado para oferecer às amigas com umas jolitas frescas.
Entretanto, quem quiser juntar-se a nós no chat do tangas para uma conversinha entre o jantar e a ceia, faça o favor de estar à vontade. Aproveitarei para divulgar algumas informações sensíveis sobre primas e outras primas (desta não escapará, menina Pagu).

O princípio de uma semana cheia de coisas para fazer. É sempre bom. Faz-nos sempre pensar que temos uma mão cheia de oportunidades novas e prontas a usar. Até já tenho uma lista, começando por esta noite: experimentar o chat do Tangas numa segunda-feira, dia da lua e das primas :)

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Já não é a primeira criatura de palmo e meio que me aborda desta forma (a culpa é da baby-sitter),; começo a acreditar que há um fado qualquer nesta história. Desta vez foi a adorável filha de mais um amigo, uma menininha de cinco anos, com trancinhas e uma Barbie ao colo:

— Sabes? Quando for grande vou ser como tu.
— Velhinha e cansada?
— Não.
— Hum… Gordinha por causa dos doces que comi na tua idade?
— Também não.
— Assim, sem vontade de brincar com barbies?
— Não.
— Deixa ver… Não digas, que eu adivinho! Chata e sem paciência?
— Não, não…
— Com dores de costas?
— Não.
— A preferir a sopa ao doce?
— Tu comeste doce, mas eu não te vi comer sopa…
— Pois é. Já estou a dizer tudo ao contrário. Deve ser da idade. O que é, então?
— Tu sabes…
— Acho que sim, que sei. E também acho que tu pensas que também sabes .
— Eu sei. Sei muitas coisas.
— Já somos duas. Mas olha: o que tu não sabes é que não precisas de ser como eu, ou como outra pessoa qualquer.
— Não?
— Não. Mas há muita gente crescida que também não sabe. Tu só precisas de ser como és.
— Como?
— Como quiseres ser.
— Posso ser tudo, tudo, tudo?
— Tudinho. Basta achares que podes ser qualquer coisa e, pimba! Podes ser. As pessoas podem sempre ser o que querem. E quando acham que não podem, são muito infelizes.
— Hum… Posso ser má?
— Claro que podes, se não te importares que os outros fujam todos de ti.
— Mas isso não é bom…
— Pois não. Há muita coisa que fazemos que não é nada bom para nós, nem para os outros.
— Está bem. Agora vou brincar.
— Vai lá.

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Escrevo estas linhas, não a bordo do A300 da Ibéria, mas sim na borda do A300.

Tenho para mim que há uma qualquer malícia, para não falar em prermeditada malvadez, de nuestros hermanos, na proporção que equacionam entre a duração das viagens e o conforto do avião. Quanto mais horas demora a aventura aérea, mais pequenos, estreitos e encolhidos são os bichos.

Chamar pequeno a este avião é quase piada. Esperava eu que para uma viagem de dez horas e dez minutos pudesse pelo menos esticar as pernas ou ir buscar qualquer coisa à mochila que levo debaixo do banco da frente, qual o quê. Só o melhor contorcionista do circo Chen conseguiria tal façanha. Ainda bem que tirei o meu livro antes de me entalar neste espaço exíguo senão bem teria que ir a ler a Ibéria Magazine de Enero de 2012, de Madrid até à África do Sul.

Para começar, calhei no lugar 9A, à janela sim senhora, numa fila de dois lugares, só que….sem janela. Nem mais. Deve ser o único sítio do avião em que existe uma parede opaca. Para ver alguma coisa tenho que entalar a cabeça entre o banco e a vizinha de trás, posição essa tão incómoda quanto deselegante. Ainda bem que fui a segunda pessoa a fazer o Check-In e que pedi um bom lugar.

Continuando, tenho ao meu lado uma holandesa de proporções inacreditáveis que felizmente só me dirigiu a fala três vezes: “good evening”, “good morning” e no intervalo destas, “which language are you reading?” esta última pergunta enquanto fazia uma careta terrível ao apontar para O Caderno de Maya (que a minha mana generosamente me ofereceu para a viagem) que eu estava a ler sofregamente, como se a língua de Camões, Eça, Pessoa, estivesse impregnada de lepra. Mas pensando bem, o que esperava eu de uma mulher que além de ocupar o lugar 10A ocupava também metade do 9A e que lê revistas com uma grafia aborígene como por exemplo “staatssecretaris Henkleket is volgens insiders tot over zjin oren verlief op een 32 jaar jogere journaliste Van Handelsblad”.

Mas o que mais me custou foi a guinxaria constante de uma criança com uma birra descomunal, que durante horas e horas berrou como uma hiena histérica. Confesso que quando serviram o jantar olhei com especial enlevo para a faca inox com que golpeava carinhosamente um projecto de lasanha de legumes.

Não sei que lingua falam mas na minha mente passam frases como “mira, puedes dar uns cachacitos a el nino para que cale la matraca?” ou mesmo um menos elegante “sorry, can you kill your son, please?”

Agora são 9:45 da manhã, hora local, o que quer dizer que estamos a 1:35 de Johannesburgo. Lá fora está aquele nubladão que faz adivinhar uma canícula feroz. Aqui dentro destila-se de calor. Ainda bem que vim de tshirt. Quem vem para África, avia-se em Lisboa.

Daqui a pouco devem vir as senhoras do café, passo as tortilhas e tapas e essas coisas mas duas chávenas de café vão fazer maravilhas por mim.

Até já amigas e amigos.

PS. Já cá estou desde 4ª feira. Darei novidades.

Aqui há tempos recebi um email transatlântico, a pedir-me autorização para usar uma imagem do Tangas num postal. O resultado foi:

e ainda:

Não só tive o prazer de ver um boneco Tangas ganhar uma inesperada utilidade, como fiquei a conhecer o Curta o Gênero, que me parece uma iniciativa muito interessante (obrigada, Marjorie). E vou pedir-vos também que a divulguem como merece :)

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