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[...]I’d give my all to have (e quem não daria, deuses dos céus…)
just one more night with you (ora assim é que é falar!)
I’d risk my life to feel (eu não arriscaria tanto, mas lá que é bom sentir…)
your body next to mine (ai jasus… querem dar cabo de mim)
Cause I can’t go on (hum…)
living in the memory of our song (pedacinho escasso, mas se for o que estiver a dar…)
I’d give my all for your love tonight [...](ora aí está onde eu queria chegar!)

Ben Affleck on Jimmy Kimmel Live 2-24-08 part 1

Esta entrevista surge na sequência deste vídeo (ocasião única para ver o pikeno salteador da arca perdida travestido), que o Noise assinalou (obrigada, Pedro Barulhento), e que é uma resposta a este que indico neste post. E continua aqui.

Fora de controlo…

4167ewf1b9l_aa240_.jpg A propósito deste post da Miss Lover

Um dos livros mais belos que já li, Beautiful Losers, de Leonard Cohen. Escrito em 1966, a seguir a um livro de poemas, caiu como uma bomba nos média canadianos. Prosa de profunda beleza a descrever a relação de amor do narrador com Catherine Tekakwitha, uma índia iroqui, que é também uma crítica implacável aos primeiros tempos da colonização do Canadá.

Estava eu circulando por Londres com a máquina fotográfica, muito descontraída e a pensar afinal onde estão as pikenas que não se vêem em lado nenhum, quando as começo a ver aos pares, de mão dada, a entrar no metro.

Bom, vou ao contrário da direcção delas, pensei, e vejo onde se encontram afinal. Lá fui pela margem sul do Thames, olho aqui, olho ali, nas meninas de mãos dadas. Até chegar a um ponto em que havia mais do que um ou outro par.

Estava à frente da Tate Moderna e era de lá que elas saíam. E eles também, muitos, misturados com as famílias cheias de crianças que também acorrem aos museus aos domingos.

Portanto, quando forem a algum lado e não souberem onde é que elas andam, já sabem que sábados e domingos há encontro marcado nos museus e galerias. Ora bem…

… para amariadaiana e imia, se fazem favor.

Só a só maria se lembraria de me desafiar para uma coisa destas. Descanse, não a deixo ficar mal. E vocês, que aqui espreitam, se quiserem sigam o caminho do desafio e vejam lá com o que a gente se entretém.

E ao desafio em que é que te inspiras para debitares no teu blogue, o que tenho para vos dizer pode não vos interessar rigorosamente nada, mas vou procurar corresponder a alguma expectativa que por aí ande perdida.

A mim sempre me encantaram as histórias. E como nasci em África, habituei-me a ouvir histórias em todo o lado, em muitas línguas, em muitas entoações. Fui educada, portanto, nessa coisa de ouvir e contar as coisas, com consciência de que o que se diz e o que se escuta faz parte de um encantamento geral, a quem ninguém escapa. A minha vida é, portanto, mágica, sempre rodeada de contos e ditos, de situações que só pedem para que a gente lhes dê forma, as molde em palavras. Um blogue é, por isso um prolongamento natural do resto da minha vida.

Lembro-me, por exemplo, de ainda muito catraia, estar sentada no chão da sala a ouvir falar a minha mãe e uma amiga (a minha faz anos hoje - parabéns, ma!). Essa amiga sofria de encantamento pela minha mãe e eu sofria de encantamento por ela, que piava grosso e fumava como uma chaminé e cruzava a perna como eu já sabia que as senhoras não deviam cruzar. Tudo qualidades para mim, que estava no raiar da apreciação das primices e achava tudo aquilo absolutamente divinal. Elas falavam, falavam, falavam e eu não percebia patavina do que elas diziam, nem me interessava, mas estava completamente embalada naquele vozeirar que me transportava para um mundo completamente diferente do meu. Tal é o encanto que exercem em mim as palavras.

O embalo acabou quando a amiga da minha mãe deu por mim e ainda estás aí, perguntou ela no seu tom enrouquecido. E a minha mãe, mas que é que lhe deu, a esta criança, que passa a vida pendurada nas árvores e hoje parece que tem cola. Vá lá para fora menina, vá ter com as suas irmãs. E eu, muito contrariada, lá obedeci.

Estão a ver como é fácil encontrar inspiração para debitar aqui?

Antes de terminar queria contar-vos que o Tangas Lésbicas nasceu precisamente de uma conversa inspirada até às quatro e muitas da manhã, com duas igualmente inspiradas bloguistas da nossa comunidade e uma das minhas ex. Era para ser um blogue a quatro mãos e, quando dei por ela, tinha-o ao colo e tive de o pôr a andar. Não me importei nada, porque o boneco da Tangas é extremamente fácil de manipular.

Porque a Tangas é um boneco, amigas. Representa muita coisa do que sou e do que penso, mas tem vida própria e malícia suficiente para esconder também muito do que sou. Mas é uma excelente contadora de histórias e eu gramo-a à brava por causa disso. Ainda há um bocado estava ali sentada à janela a contar-me as ganas que tem de dizer isto e aquilo a fulana e sicrana, e eu a pôr água na fervura, ó mulher, não me desgraces, lá vens tu a cuspir lava e a atirar pedras pelo ar. Outras vezes é ela que me acalma e diz vamos lá pôr isso num post e arrumar essa coisa fora do coração, que esse guarda-se para as coisas boas, não para rosnar como os cães.

Vêem como é fácil? Não imaginam as coisas que eu ouço e vejo e não me chega o tempo nem muitas tangas para tanto conto e tanto ponto.

De la Vega

Foto Chema Cones/Elmundo.es

“Não sou homossexual. Se o fosse, não teria nenhum problema em o dizer”, afirma María Teresa Fernández de la Vega, vice-presidente espanhola. Esta declaração, feita ao El Mundo, surge na sequência de rumores de acordo com os quais de laVega terá casado em segredo com a comentadora desportiva Maria Escario.

[...]Pero, ¿usted es lesbiana, vicepresidenta? Ya está. Solté la impertinencia. A mi casa. Se acabó el reportaje.

Hombre, ¡por fin me lo preguntan! (exclama De la Vega). Pues mira, no. Es un rumor sobre mí que se han inventado para intentar hacer daño con algo que, oye, respeto absolutamente. No tengo ninguna homofobia, ¡pero no soy homosexual! Si lo fuera, no tendría ningún problema en decirlo. ¡Pero es que no lo soy!

¿Y lo suyo con una famosa presentadora de deportes de Televisión?

¡Y dale con eso! ¡Pero si no la conozco, que no nos hemos visto en la vida! ¡Y me casan con ella! Me han casado con muchas, eh, cuidado. Pero sobre todo con ella (dice, blandiendo un kiwi trinchado). Me entero por los periódicos o Internet. Me casaron con una médico, que tampoco conozco, del Hospital Gregorio Marañón, con una amiga mía de Palma… Eso es impresentable. Palma, un sitio pequeño, ¡y sacaron su nombre! Me parece disparatado y discriminatorio.[...]

oh my god!

Encomendas: T-shirts, bonés, canecas, cachecóis, posters, ímans para frigoríficos, tapetes de rato, fotografias autografadas pelo nosso primeiro e outro mercandising variado - escreva para tangas lésbicas

get over it

(vê menina só maria que me lembrei de si e toca a disparar o telemóvel ali na décima nona rotunda a contar do vigésimo segundo cruzamento a caminho da capital?)

Acho que sim, que se nasce lésbica, ao contrário do que se diz para aí. Vozes de burro não chegam ao céu, como dirias tu. Pela minha parte já sou mais cautelosa quanto à burrice dos outros. No entanto, se pensarem comigo, se não se nasce lésbica, como raio explicamos aquela sensação que nos domina quando, na penumbra, vemos outro corpo feminino a desnudar-se, quando sentimos a sua proximidade e o seu calor? Quando o toque nesse mesmo corpo nos perturba ao ponto de perdermos por momentos a noção do que nos acontece? Quando um único desejo nos domina e é o de usar todos os nossos sentidos na descoberta, na exploração desse corpo de mulher que para nós não é apenas um corpo, mas também a alma que nele adivinhamos e descobrimos? Como se explica que um só olhar nos elucide quanto à natureza do que se passa connosco durante um momento tão curto que, se tivéssemos de o medir, quase nem se lhe notaria a existência? E, apesar disso, nós sentimos, nós sabemos…

Bem sei que as queridas embirram um pedacito com os signos, mas não resisto a deixar-vos aqui as vossas caminhadas estrelares descritas pela Ticas:

Carneira Atenção a esses ímpetos solares esta semana. Dizem as estrelas que anda com tendência para pikenas com metade da sua idade.

Toura Não teime na fidelidade, rica, porque esta semana vai ser tentada por tudo o que é gente com boa figura. Elimine as propostas de casamento para já.

Gémea Olhe, esta semana está sitiada. Veja lá se alguém lhe aparece a cobrar as suas escapadelas passadas. Há gente para tudo, como sabe…

Carangueja Escolha todas as tarefas em que sabe que é boa e enterre-se nelas. Esqueça as dietas milagrosas porque a sensualidade é o seu nome do meio e há quem aprecie uns quilitos a mais.

Leoa Altura de virar a sua vida de pernas para o ar. Mas, atenção, não precisa de ir para a Ilha da Páscoa para o fazer.

Virgem De boas intenções está o inferno cheio, menina. Assuma lá quem ama, que é muito feio ter vergonha de quem se gosta ou virar o bico ao prego.

Balança Querer é poder e a menina esta semana está imparável em charme e capacidade para deitar a mão a quem quer. Tire a barriguinha de misérias.

Escorpiona Atenção a essa verborreia, menina, que ainda magoa alguém sem querer. E veja lá, não lhe troque os nomes porque isso acaba sempre mal.

Sagitária Não se ofereça, que elas vêm ter consigo. Olhe que está em altura de aprender umas lições, por isso vá com calma para não transformar a semana num desastre emocional.

Capricórnia Não desarme de ela lhe descobrir a careca. Peça desculpa muitas vezes e leve-a a jantar fora que isso ainda acaba muito bem.

Aquária Parece que se ofereceu como voluntária para uma zona de guerra. Veja lá se se prepara para a carrada de crises que lhe vão cair em cima esta semana.

Peixa O céu está azul sim, e a si não lhe toca nada esta semana. Veja lá se quer partilhar essa onda de descontracção com o resto das primas.

- olá babi…

- hã?!

- keres tc?

- a que propósito?

- calma babi, peace…

- mas a quem estás tu a chamar babi?

- babi, bebé, doce, amor…

- quê???

- ai, babi… tenho aki uma coisinha para te mostrar…

- e se te fosses f****?

- babi, babi… adoro quando te pões violenta…

Estou eu aqui no canto da cozinha a ouvi-las falar…

Queixa-se a minha mana mais velha que o falecido lhe fez e aconteceu, não há maneira de a deixar em paz, não aparece e quando o faz ainda é pior. E a minha mãe, o teu pai era a mesma coisa, deixa lá, eu é que tive de me impor.

Vai a primeira mana do meio e escancara a desgraça toda dos ex, do actual e dos que hão-de vir que também vão ser o mesmo, está-se a ver.  E a segunda mana do meio ajuda à festa, de faca do pão em riste, ai comigo é que eles vêem o que é bom. Porque mais isto e mais aquilo, não prestam é mesmo para nada.

Eu nem sei que vos diga, diz a mana mais nova, que ainda tem mais queixas e se mostra ainda mais implacável nas palavras contra eles.

E eu ali a ouvi-las, durante uma boa meia hora a arengar, até que resolvo arrematar, safa! e eu é que sou lésbica…

Até parece que tens tido melhor sorte com essas com quem tens andado, retrucam em coro.

Ok, ok, já me calei…

Sarah Silverman

Tenho de vos dizer que a prosa poética desta canção tem um conteúdo subliminar intríseco, que reporta aos idos e gloriosos temas da emancipação feminina, não na vertente queima-de-soutiens, mas antes sufragista pura e dura, sem prejuízo da moderníssima afectação à canção-protesto, a que se pode juntar uma pincelada de ironia bem ao jeito da comunidade artística judaica norte-americana, a cujas fileiras Sarah Silverman pertence, claro, em disputa acérrima com as outras duas comunidades pelo controlo da indústria musical - a african-american e a gay-american -, resultando neste prodigioso exercício de estilo para o qual recruta com grande oportunidade o wonder boy da sétima arte Matt Damon e o apresentador Jimmy Kimmel para mais um dos seus retratos da complexidade da vida afectiva dos nossos dias.

Agora a sério: vejam tudo dela, que vale a pena.

- oi krs tc cmg

- pd ser

- fx………….. cm t xms

- trsa e tu

- xngs… loOol………. dd tc

- stubal e tu

- lx k idd

- 15 e tu

- 15 tb k gro n é

- px……… fzs sxo i exas xenas

- iah……….. krs

- kro

- k kumxr

- kro mx ta ki a mnha mãi

- k xnaaaaaaaaaaaa……………

- px………… loOol………… *******************************

- *****************

Mecano - Mujer Contra Mujer

Quem se lembra? Há quanto tempo?

Nestes tempos de terror global até parece mal deixar de fora o nosso velho conhecido terrorismo emocional. Afinal, ele é o grande responsável pela militância de muitas e muitos de nós nestas matérias dos direitos homossexuais, que melhor seriam se fossem de uma vez equiparados aos direitos humanos e fundamentais de todos os nós.

É importante salientar que o nosso contacto com o terror começa bem cedo, quando os adultos da família, responsáveis pela nossa segurança física e emocional, se exercitam nas ameaças de tudo quanto nos poderá acontecer se teimarmos em cair fulminantemente apaixonadas pelas nossas coleguinhas de escola (eu, pessoalmente, caí na insensatez de me embeiçar cegamente por uma pikena da quarta classe, eu que mal tinha tirado os cueiros para ocupar as carteiras da minha primeira sala de aula - a paixão em questão deve ter durado quase uma semana de intensa agonia, depois da qual a minha bicicleta nova e os baloiços levaram valentemente a melhor).

Nunca percebi como é que os papás encaixam essa coisa de promover os valores universais, as boas maneiras, a verdade e a integridade, e depois nos bolacham a cara quando nos apanham um miserável bilhetinho de letrinhas desajeitadamente desenhadas a dizer: Virita, gostu muito da ti. Adiante.

Depois dizem-nos para ter cuidado com os rapazes, que querem todos a mesma coisa, o que infelizmente não significa nada porque a educação sexual em casa e na escola é tão escassa que raramente se identifica o interesse dos rapazes com a gravidez inesperada e outras doenças indesejada.

As nossas amizades femininas são, por isso, bastamente aplaudidas até ao dia em que nos apanham na marmelada umas com as outras e dos apontam o caminho da porta à razão da biqueirada.

Ai de quem, no entanto, se aproveite da filha da vizinha, ofereça chocolates e broches aos rapazinhos, porque aí, a menos que se calem todos bem caladinhos, a medida é pesada: mate-se e esfole-se, sem apelo nem agravo.

Mandam-se as crianças para o psicólogo, vêm as assistentes sociais falar à televisão dos maus tratos psicológicos de dificílima reabilitação por que passam os infelizes e eu, de boca à banda, só pergunto: E nós? Quem nos reabilita a nós das agressões sofridas à nossa sexualidade e e aos nossos direitos? Onde é que está a UNICEF quando as crianças homossexuais crescem em famílias hostis? Onde vai parar a Carta Universal dos Direitos das Crianças?

Não matam, mas moem, não é?

Por isso também não me surpreendo ao constatar o uso terrorista que fazem do amor a maior parte das pessoas: se não fizeres como eu quero, já não te amo…, à imagem e semelhança do exemplo sofrido em casa.

Isto para não falar na chantagem emocional que o permanente estado de semi-clandestinidade valida, como as ameaças de telefonemas para o emprego ou para a família, desastrosas exibições públicas de descontrolados amores, tentativas de suicídio. Tanto de entes queridos como de estranhos, colegas de trabalho ou patrões.

E por que não? Afinal, não começa tudo com o exemplo da família e das autoridades? Até com a divindade nos ameaçam quantas vezes forem necessárias, embora livros como a Bíblia sejam bastante claros: no amor não existe medo; antes, o perfeito amor afasta o medo [...] o que teme não é aperfeiçoado no amor (1 João 4:18).

Claire Bretécher

se não conhecem, percam algum tempo a visitar o site dela e a folhear na FNAC os livros que desenha.

Posso dizer-vos que o dia de ontem foi muito completo.

O balanço:

- Uma ex zangou-se comigo (acho que isto quer dizer alguma coisa);

- Três pikenas apagaram a minha mensagem sem a lerem (acho que isto então, quer dizer imensa coisa);

- Recebi um convite para um fim-de-semana (prospectiva minha, se estás a ler isto, por favor não sintas vontade de me esgravatar os olhos com a agulha do tricot, porque eu não aceito, juro - embora seja um excelente programa, com direito a hotel à beira-mar e tudo, mesmo se for nos fiordes porque aqui morre-se de frio);

- Zero pikenas responderam ao meu postalito (ora aí está um gravíssimo exemplo de impopularidade);

- Zero pikenas me mandaram um postalito (nem tu, J., nem tu);

Em contrapartida:

- Tenho um encontro marcado com a prospectiva (lá-lá-lá-lá…)

Mas também, pré-dia das namoradas:

- Recebi cinco telefonemas anónimos com estalinhos horrorosos (sendo que alguém sabe perfeitamente como eu detesto estalinhos - mas eu estava muitíssimo bem disposta e não liguei nenhuma, como vês…)

- Recebi um sexto telefonema anónimo com estalinhos, seguidos da banda sonora de um dos meus filminhos do YouTube, mais a inesperada audição de Ó tempo volta para trás e Óculos de Sol. Tudo isto com a singela duração de 5 minutos e 42 segundos. Deverei considerar isto um postal amoroso ou um alerta de bomba?

prospectivas

és a menina dos meus olhos, a mulher dos meus sonhos, a minha música preferida, a flecha apontada ao meu coração. de que raio estás à espera para me deitar a mão?

platónicas

por vezes o que mais desejamos está mesmo à frente dos nossos olhos. posso tirar-te a venda?

prováveis

ainda não sei se te quero, nem sei se quero que tu me queiras. por via das dúvidas, vamos encontrar-nos a meio caminho para um jantar à luz de velas?

ex-namoradas

nunca nada deu certo, nunca nos entendemos. mas uma coisa é certa: nunca me esquecerei de ti.

diversas

não fumo. não bebo. não jogo. não arroto. não ronco. não ponho o tubo de escape a funcionar. não adormeço no cinema. não estou sempre a olhar para o relógio. não faço má cara. não olho para outras mulheres. só tenho um defeito: gosto de ti.

Estive aqui a fazer uns cálculos de cabeça, porque amanhã é dia das namoradas e pensei que seria de muito bom tom enviar uns postaizinhos a umas meninas que eu conheço. Sei que do Minho ao Algarve a tradição é recente, mas eu que me encanto com estas coisas e tive uma educação um bocadinho mais dispersa em termos geográficos, tenho de vos explicar o que me atrai.

Para quem não sabe, o dia 14 de Fevereiro foi escolhido por ser uma altura em que a maioria das espécies de aves acasalam e isso faz-me logo lembrar a portuguesíssima expressão arrulhar como duas pombinhas

Depois, uma coisa que a maioria das pessoas já não se lembra, é que o dia de São Valentim tem uma faceta brincalhona, provocadora. Originalmente, mandavam-se os postaizinhos com confissões amorosas anonimamente e no fim do dia quem recebia mais postais era a chefe da claque do liceu, se é que me entendem.

Assim vistas as coisas, é fácil entender como é que os postaizinhos foram, ao longo dos anos, responsáveis por súbitas separações e grandes casos de amor. Digam lá que não é romântico…

Em Portugal, apesar de já ninguém se lembrar disso, esta época coincidiu sempre com o Carnaval, mais coisa menos coisa (suspeito que as origens serão próximas), e dizia-se que namoro de carnaval era fatal. Os meus pais conheceram-se num baile de carnaval e estão juntos há cinquenta e sete anos e meio.

Ora, com a ajuda da minha amiga J., que tirou esta semana para me infernizar o juízo de uma forma que me sabe muito bem, estivemos ali a pôr no papel a nossa lista o número de postais que temos de mandar até amanhã. E neles incluímos as nossas paixões platónicas, as piquenas a quem andamos a deitar o olho, as que merecem sentir um aperto no coração ao receber um postalito, as que a gente sabe que não recebe nenhum há demasiado tempo e, por fim, as ex-namoradas.

Sim, as ex-namoradas, que eu sou daquelas pessoas que não consegue zangar-se durante muito tempo. E fica-me sempre aquela coisa nostálgica e meia mágica dos sentimentos de que me recordo e acho que são dignos de ser celebrados. (vê-se bem que estou livre e descomprometida…)

Para rematar, dou-vos um doce se me disserem:

a) Quem facturou (ai jasus) mais nas prospectivas namoradas;

b) Quem se adiantou nos amores platónicos;

c) Quem se propõe disparar em mais direcções prováveis amanhã;

d) Quem acumulou mais ex-namoradas na sua lista;

e) E qual de vós, suas safadas, está aí a ler e a pensar que nos bate aos pontos em diversidade de afectos…

A minha amiga G., que é lésbica e cresceu com um irmão gay e uma irmã também lésbica, confessou-me um dia que tinha ficado tremendamente desapontada quando, aos treze anos, descobriu que só havia dois sexos.

Escangalhei-me a rir e contei-lhe que eu, que cresci com quatro irmãs, todas elas heterossexuais, levei treze anos para descobrir que, afinal, havia mais do que dois…

ta007.jpg

A T. e a A. celebram hoje vinte e três anos de vida comum. São um exemplo de longevidade e, acreditem, a vida não lhes tem sorrido sempre. Pelo contrário. Mas para duas mulheres de garra como só elas sabem ser, não há barreira que não se vença, não há rocha que, em conjunto, não afastem do seu caminho.

O que eu admiro da T. e na A., no entanto, é a capacidade que têm de continuar a sonhar e de correr atrás dos seus castelos encantados. A T. e a A. continuam a ser as meninas que sempre sonharam ser. Com entusiasmo, com amor, com generosidade. Eu sei, que já recebi delas um pouco de tudo isso.

Parabéns! Felicidades. E montes de amor.

Jeanette Winterson - Faith and Reason

além de brilhante na escrita, esta mulher consegue ser igualmente brilhante no humor com que conta as suas tragédias pessoais.

eu aqui vou postar outras coisas e misturar todas as minhas personagens. até porque misturada já ando eu.

vou também publicar umas entrevistas a gente muito interessante.

entretanto deixo-vos com uma história que me aconteceu aí em Lisboa, nos semáforos da avenida da Liberdade, eu que já confundo a esquerda com a direita e ando com as minhas lateralidades todas baralhadas ao volante.

estava a conduzir abaixo da média suicida da população condutora portuguesa, claro. e vem uma pikena e põe-se ao meu lado, abre o vidro e grita:

- Ganda vacaaaaaaaaaaa!

e eu, que até dei um pulo com o vozeirão da outra, perguntei logo:

- Aonde? Aonde?

garanto-vos que revirei a cabeça para todo o lado e não vi o istapor do animal…

e eu aqui…

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