Acho que sim, que se nasce lésbica, ao contrário do que se diz para aí. Vozes de burro não chegam ao céu, como dirias tu. Pela minha parte já sou mais cautelosa quanto à burrice dos outros. No entanto, se pensarem comigo, se não se nasce lésbica, como raio explicamos aquela sensação que nos domina quando, na penumbra, vemos outro corpo feminino a desnudar-se, quando sentimos a sua proximidade e o seu calor? Quando o toque nesse mesmo corpo nos perturba ao ponto de perdermos por momentos a noção do que nos acontece? Quando um único desejo nos domina e é o de usar todos os nossos sentidos na descoberta, na exploração desse corpo de mulher que para nós não é apenas um corpo, mas também a alma que nele adivinhamos e descobrimos? Como se explica que um só olhar nos elucide quanto à natureza do que se passa connosco durante um momento tão curto que, se tivéssemos de o medir, quase nem se lhe notaria a existência? E, apesar disso, nós sentimos, nós sabemos…
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Fevereiro 24, 2008 às 7:34 pm
Só Maria
Quando se começa um texto com um título desses dá-se de imediato lugar a que o preconceito se instale ou ganhe espaço… e penso que é por aí também que as coisas devem começar a mudar, se realmente se pretende que o ser lésbica, ser homossexual, ser preto, ser amarelo ou ser o que quer se seja possa ser visto como normal e não como uma “diferença”, pela qual se tem de lutar para ter direito a ser.
Mas isto sou eu a dizer, eu que não vivo e não me enquadro em nenhuma dessas situações, mas que também não olho para as pessoas com quem vivo ou que cruzam a minha vida com filtros, só deixando passar quem se enquadra naquilo que supostamente está estabelecido ou é norma.
A vida vale a pena precisamente pela sua diversidade. Só assim creio que crescemos, aprendemos e evoluímos. As pessoas realmente nascem como nascem, mas creio que não nos leva a lado nenhum querer justificar ou perceber… isso era conversa que dava pano para mangas… e até podia começar pela astrologia!
Quanto ao desejo, ao prazer e tudo aquilo de que fala no post, penso que pode ser a descrição de um qualquer relacionamento entre duas pessoas, independentemente do género… podia muito bem ser uma mulher a observar um homem, ou um homem a observar uma mulher ou um homem a observar outro homem… mas isto, sou eu a dizer…
Então… nascer assim? Assim como? De parto natural ou cesariana?
Fevereiro 24, 2008 às 9:36 pm
tangas
minha querida menina, isto é um blogue lésbico e o texto é uma resposta nua e crua a uma pergunta que me foi posta.

não vive, nem se enquadra em nenhumas das situações? quais delas? isso para mim traz água no bico…
(eu sempre soube que sou a única lésbica que conheço…
Fevereiro 24, 2008 às 11:12 pm
Só Maria
quanto ao teor do blog, não há dúvidas, é até bastante claro e directo. também estranhei, precisamente pelo conteúdo deste blog, e pela forma como habitualmente se expressa, que essa questão - nascer assim - pudesse ser colocada por si
- os “grupos” de pessoas que a sociedade em geral teima em rotular e marginalizar, obrigando-as a recear viver aquilo que são - por isso existe essa situação que refere de “eu sempre soube que sou a única lésbica que conheço…”, mas não com o meu contributo! 
mas disse e repito: quem quer que coloca a questão dessa forma está a deixar que o preconceito ganhe terreno, ou estou errada?
e não, não traz água no bico. referia-me, como percebeu muito bem, a ser lésbica, ser homossexual, ser preto, ser amarelo… - são essas as situações!
Fevereiro 24, 2008 às 11:30 pm
tangas
ó menina só maria… até a estranho. então surpreende-se por o tangas abordar de forma diferente o seu tema de eleição?
está errada com essa abordagem olha, a chamar o preconceito sim. sabe que a discriminação é uma coisa inata, em si, em mim, em toda a gente.
discriminamos para nos protegermos e protegemo-nos como grupos contra outros grupos passíveis de nos ameçarem.
quem disser que não discrimina mente. e a discriminação tem também uma única direcção: de baixo para cima, dos mais fortes para os mais fracos.
assim sendo, a única forma de combater uma reacção inata no ser humano é a educação. e na educação não se pode esquecer que não é aceitável o lápis azul, a censura. a liberdade de expressão é fundamental para que se exerça a educação, essa que nos salva de nos portarmos permanentemente como neandartais.
não, não foi com o seu contributo… (blowkiss)
Fevereiro 25, 2008 às 12:51 am
Só Maria
gosto deste jogo de palavras… dá luta!

quanto a discriminação inata, educação, censura e liberdade de expressão, estamos de acordo!
Fevereiro 25, 2008 às 8:04 am
tangas
essa coisa do estou de acordo é que é um aborrecimento. não dá luta
Fevereiro 25, 2008 às 12:10 pm
Só Maria
ok, então não estamos de acordo!

continua o baile! ou ainda outra expressão… continuamos para bingo!
Fevereiro 25, 2008 às 12:26 pm
tangas
o bingo é uma tanga :p
Fevereiro 25, 2008 às 12:38 pm
Só Maria
pois é!


nem jogo… chateia-me fazer linha e ir toda lampeira a gritar bingo e acabo portentar corrigir, mas já é tarde e então sai “binglinha”
a seguir saio da sala!
Fevereiro 25, 2008 às 1:14 pm
tangas
pois… a mim o que me faz confusão são os calmeirões que estão à porta (para a segurar) e depois a gente entra e é só velhinhos a tremelicar e gente remediada e endividada a tentar salvar a hipoteca da casa.
Fevereiro 25, 2008 às 5:19 pm
Só Maria
ah bom, mas o bingo então até é uma versão soft desse panorama humano! há lugares bem mais complicados… casinos e salas de jogos “menos” oficiais, onde as paradas são bem mais elevadas…
Fevereiro 25, 2008 às 11:59 pm
tangas
isso é mais fast lane, amiga, onde não importa se a roleta é com números, balas ou carros em contramão. eu estou a falar de pequenas tragédias, de gente que ainda acredita que um dia uma qualquer sorte lhe muda a vida. amém.
Fevereiro 26, 2008 às 11:54 am
Só Maria
é melhor esperem sentados, para não se cansarem!
mas sim, infelizmente há muito boa gente que pensa assim, como se a solução caísse do céu! a sorte procura-se, mas não se pode levar a coisa literalmente… depender dela, em qualquer jogo.
Fevereiro 26, 2008 às 12:06 pm
tangas
a sorte trabalha-se todos os dias e não é no casino.
já a sorte com as pikenas é uma roleta.
que me diz a menina?
Fevereiro 26, 2008 às 12:42 pm
Só Maria
a sorte procura-se, trabalha-se, como lhe quiser chamar… não vale a pena é ficar sentado à espera que ela apareça sabe-se lá de onde!
prefiro uma boa cartada à roleta! 
quanto à roleta, recorda-me a roleta russa… demasiado dramático e muita adrenalina ou suspense!