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Voá borboleta, abri bôs asas e voá
Bem trazêm quel morabeza
Quand m’oiábô
Bô ca têm ninhum tristeza
Mesmo si bô ta morrê manhã
Dor ca ta existi pa quem voá

Borboleta, borboleta
Abri bôs asas e voá, mesmo se vida bai amanhã
Borboleta…
Se um prende vivê ess vida
Cada dia voá

É um mensagem pa tude gente
Qui tá sobrevivê, tude alguêm sim força pá voá pa vivê
Lá na mei de escuridão,
No podê encontra razão
Só no credita
No podê voá

Borboleta, borboleta
Abri bôs asas e voá
Mesmo se vida bai amanhã
Borboleta
No podê vivê nos vida
Cada dia voá

Borboleta - Sara Tavares

Actualizadas as Notícias.

A propósito deste deslumbrante post, Cor de rosa, recordei que pouco mais há tão dolorosamente desconcertante como a diferença de um filho. Será essa dor que sentem os pais dos homossexuais?

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No meio de tantos ases, só tu és o meu trunfo.

Quando se gosta, gosta-se com o bom e com o mau. Do pacote todo. Senão é uma questão de conveniência…

Às vezes não é preciso levar tudo à frente, carneirinha. Nunca ouviu dizer que devagar se vai ao longe? Já a menina tourinha precisa de se convencer que merece melhor. Por que faz pontaria tão baixo? Não passe a vida a desculpar-se com os outros, gemeazinha. É verdade que os amigos podem ser exigentes, mas a menina também tem os seus projectos para pôr em prática, não tem? A pensar que anda tudo ao mesmo, caranguejinha? Acha que está na altura de procurar gente que lhe encha mais as medidas? O que a impede? Um novo projecto ou um novo amor, menina leoa?Já não era sem tempo. Mas nem parece seu isso de achar que pode não estar à altura… O amor só pode melhorar, cara virginiana, desde que não teime em ver as coisas só à sua maneira. Abra o coração e os olhos (especialmente estes últimos). A honestidade tem andado um pedacinho incompleta para esses lados,não é, balancinha? Se não tem coragem de dizer toda a verdade à sua cara-metade, pode tentar purgar-se contando a uma amiga (de preferência a uma que não ande enrolada consigo…). Deixe de olhar para o umbigo e preste atenção ao que lhe dizem, menina escorpiona. Pode ser que evite aborrecimentos. As coisas boas enchem-lhe as medidas, menina sagitariana. Não se distraia e não se esqueça da beleza do espírito e da cultura. A menina capricorniana detesta largar mão do controlo. Mas olhe que no amor, quem não arrisca não petisca. Ceda, atire-se, sujeite-se. Que fixação essa no trabalho, menina aquariana. Não me diga que não consegue desdobrar-se quando o assunto é um programa romântico… A jogar com muitas cestinhas, menina peixes? Quem muitas burrinhas toca… E a mentira anda sempre coxa, não é?

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São os que chegam devagarinho, se sentam mansamente e não mais nos abandonam.

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(in rumoresdenuvens)

próxima estou a
olhar por cima do
teu ombro a soprar
doçuras ao teu
ouvido a abraçar-te a
dar-te a mão enquanto
cirandas por aí a
roubar-te um
beijo a pensar
em ti

[...] podemos dizer que o heterossexismo transmite um conceito muito limitado da sexualidade humana, e empobrece a percepção da diversidade das relações afectivas. O que consideramos ser prejudicial para todos, independentemente da sua orientação sexual [...]

Um excerto muito bonito do artigo A Diferença Invisível, da Eduarda Ferreira na revista Educação Sexual Em Rede, Nº 3, a não perder.

Conheci a Eduarda no ano da formação da Ilga, numa reunião do Grupo de Mulheres que então dava os primeiros passos. Tenho acompanhado o excelente percurso que tem feito na defesa dos direitos lgbt e considero-a uma das pessoas mais sérias, coerentes e capazes no que lhes diz respeito. E gosto da maneira simples e assertiva como vai expondo estes temas.

Homofobia é discriminação.

Discriminação é abuso de poder.

Abuso de poder tem um único sentido: de cima para baixo.

Vais deixar-te pisar?

- Não tenho nada contra as lésbicas, não me interprete mal.

- Não, por quem é… Claro que não.

- Só de ouvir a palavra já me faz calafrios.

- A sério? Frios mesmo, ou mudam de temperatura?

- Sabe que nunca reparei?

- É natural. Não são coisas em que se esteja sempre a pensar.

- Pois não. Mas essa insistência doentia nas lésbicas e nos temas de lésbicas… Isso faz-me imensa confusão.

- Pois, acredito…

- Como lhe disse, não tenho nada contras as lésbicas, antes pelo contrário.

- É sempre bom saber…

- O certo é que não me passam pelo goto.

- Veja lá não se engasgue.

- Não é brincadeira. Estou aqui a tentar ter um momento de honestidade consigo.

- Bem vejo.

- Há coisas que me irritam, é só.

- Compreendo.

- Não é nada contra si, note-se. É só que têm coisas que irritam, pronto.

- Acredito.

- Não a irritam a si?

- Não particularmente.

- Como é que consegue isso?

- Olhe, vai-se levando.

- A sério, não sei como aguenta.

- Nós, as lésbicas, somos assim…

He soñado con tus manos…
pintando el cielo gris
con cuidado… muy despacio…
yo mirando desde aqui

(…)
Hemos vivido una isla
tanto tiempo flotando sobre el mar.
Yo te he visto… jugando con las olas
y la arena acariciar…
Yo sabia que te queria

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(rumoresdenuvens)

Se é assim que te sentes, então está tudo certo
porque quando me vejo com estas cores sei
que o mundo vai bem, que todos os milagres são
possíveis, que o céu é o nosso limite.

Solange F., apresentadora do programa de TV Curto Circuito, exibido pelo canal português SIC, assumiu sua homossexualidade no último final de semana, em uma reportagem da revista “Única” intitulada “Lésbicas, e muito mulheres”. Na reportagem, mais cinco mulheres lésbicas revelaram suas orientações sexuais.

Para o presidente do grupo Opus Gay, Antônio Serzedelo, a decisão de Solange é de “se tirar o chapéu”, pois suas afirmações vêm “romper com a pouca visibilidade que as lésbicas ainda possuem na sociedade portuguesa”. Segundo Marita Ferreira, dirigente da associação portuguesa Tangas Lésbicas, a atitude de Solange foi muito positiva. “Por ser uma mulher bonita, ela vem colocar em causa o preconceito de que lésbicas são feias e gostam de mulheres porque os homens não as querem”, disse.

Para a própria Solange, “ninguém tem o direito de julgar seja quem for”. Na reportagem publicada pela revista Única, a apresentadora afirma que conhece muitas meninas que foram expulsas de suas casas por terem se assumido homossexuais.
Solange acredita também que por apresentar um programa para jovens, suas revelações sejam ainda mais relevantes.

Agora que fui promovida a dirigente, vocês vejam lá… Também gosto da interpretação livre que o João Saramago fez do que eu lhe disse. Afinal, não se pode pedir a uma pessoa que sempre viu o mundo a preto e branco que, de um dia para o outro, distinga brilhantemente cada uma das cores do arco-íris. Fica a certeza de que é, pelo menos, um jornalista sério (conheço-o desde que começou a estagiar no Correio da Manhã) e que se preocupou em escrever uma peça coerente a partir da ingrata tarefa de ‘matar’ a reportagem da Única à razão de comentários de terceiros.

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Nem com o nevão os istapores dos pássaros desmarcam. Como se não bastasse esta coisa da neve, que é muitíssimo mais interessante nos filmes. Vou retornar ao meu velho hábito de só visitar os países do Norte no Verão e os do Sul no Inverno.

A Family Affair by Helen Lesnick

Este filme é delicioso. Realizado e interpretado por Helen Lesnick, é a história de uma noviorquina judia e deprimida que chega à Califórnia e tem de enfrentar o das pessoas saudáveis e da comida saudável, uma mãe militante do movimentos das famílias de homossexuais que apoiam os mesmos homossexuais. Mais uma nova namorada e uma ex. não percam, porque o humor é impagável. Já tem uns anitos, mas não perdeu a verve.

Alma gémea Conceito que às tantas a gente percebe que passou por várias clínicas de fertilização, porque são aos magotes a entrar e a sair da nossa vida.

Camionistas Pikenas que às vezes até são fortinhas, mas que geralmente derretem à primeira.

Cara-metade Pikenas que afinal vêm inteiras, com tudo a que têm direito, incluindo aquela parte que muitas vezes não concorda mesmo nada connosco.

Companheiras Pikenas que os colegas de escritório, que acham que são muita modernos, vêm perguntar se vivem connosco.

Esfregão Termo brasileiro para as primas que era inicialmente muito pejorativo para as lés e agora serve para os pikenos se avisarem uns aos outros de que, se forem jantar lá a casa, têm de lavar a louça.

Ex Ou Eis!, nos casos em que nos cruzamos à saída ou à entrada dos sítios que toda a gente frequenta e olha, eisi-a aqui

Fufas Caiu em desuso. Agora são dikes, que é mais posh.

Gaijas Pikenas de quem a gente gosta assim ao longe, porque depois dobra a língua.

Lésbicas Pikenas de quem a gente pode eventualmente vir a gostar.

Namoradas As pikenas de quem a gente gosta e apresenta aos pais.

Primas As pikenas que os vizinhos vêem a morar connosco e acham sempre que são da família.

Sapatões Sapatos enormes, claro. Encontram-se nos saldos…

Resposta do Noise a este post:

A propósito: “[…] Quanto à preguiça de começar o sexo, isso é mais comum do que a gente pensa. A maioria das pessoas, hoje em dia, vai para a cama na hora em que está morrendo de sono. Aí, bate mesmo aquela preguiça. Nessa hora, o desejo e o prazer sexual acabam ficando para segundo plano.

Não faço ideia de que camelo escreveu isto, amiga, mas a coisa cai pela base no facto de 4 dos 10 medicamentos mais receitados nos EUA (e 2 dos mais receitados na Europa) serem anti-depressivos com o efeito de, entre outros, provocarem SONOLÊNCIA! Ou seja, a malta passa as noites acordada, com insónia, a ponto de ter de se pastilhar para o soninho vir. Portanto, amiga, convenhamos que o problema de base é mesmo a falta de uma boa selvática fuck e não o excesso de soninho, certo? Certoooooooooo. Por outro lado o processo auto-erótico de reflexo excitatório inibe o sono. Um exemplo clássico de uma categoria profissional de pessoas que dorme muito menos do que as restantes é a dos actores porno. Quatro horas por noite! Portanto, há que pensar que, se o que espera alguém na cama é algo de jeito (algo, pode não ser alguém, mas algo em termos de qualidade), não me parece que a pessoa aterre ao lado da outra, role e entre em transe de soninho…

Além disso, o sexo, como processo do qual o contacto físico é elemento cumulativo, não começa quando o casal chega à cama. Começa na cozinha quando ela é abandonada a um conjunto de muito pouco eróticas tarefas. Começa na auto-estima que ele mina, começa no resultado do último contacto sexual, que eventualmente foi satisfatório para ele mas para ela foi apenas a re-edição da mesma merda que lhe tem sido servida há anos. Tipo… amiga, o sexo não começa na cama…

Exemplo: a amiga lisboeta que fiz graças ao teu link naquele post do “Noise, tas aí?”. Ela sabia que eu sabia como lidar com a diferença de cada pessoa, portanto só não lhe daria prazer se fosse um gajo mauzinho. Saber algo e não agir em função desse conhecimento é ser mauzinho, muito mauzinho. Isto permitiu que dois seres humanos perfeitamente desconhecidos tirassem um do outro uma elevada satisfação! Ora o problema aclarado no tal textozito leva a pensarmos no mecanismo contrário. Pessoas que têm tanta certeza da falta de qualidade e tão pouca esperança na ocorrência de qualidade que simplesmente não lhes interessa arriscar. Ou arriscam para despejar os tomates (eles) ou arriscam para ter a certeza de que o casamento não é apenas uma fachada (elas). Sendo assim, não me parece que a preguiça seja uma equação muito preocupante…

Reverter esse quadro é, sem dúvida, algo muito positivo para a pessoa e para o casal. Algumas mudanças de hábito podem ajudar, como deitar meia hora mais cedo. Parece simples? Mas é mesmo. Sentir desejo tem a ver com o fato de se preparar para o sexo – e não deixá-lo como a última opção.

Looooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooool… Meia hora mais cedo e a cena passa de flácida a entesoada??? Andam os malandros dos sex-psis a arrastar as pessoas para penosos processos de confrontação e auto-confrontação, de reconstrução e, afinal, a solução é aquela meia-horita? Mentalização? Tipo, repetir “eu vou foder” 300 vezes vai resolver o problema? E já agora, como é que metemos o casalito na cama mais cedo? Aquela roupa que está por passar, para a mulher no casal médio, aquele banho em que ela finalmente repousa das canseiras do dia, aquele momento em que ele pode estar online com mulheres 10 anos mais novas do que a esposa e muito mais disponíveis para o sexo - é aí que vamos tirar a meia-hora? O camelo que escreveu isto pensou por acaso que hoje em dia uma cama é quase território armadilhado para um casal? Porque se se for demasiado cedo, a pessoa vai começar a falar do seu dia chato. Porque se se for demasiado cedo a pessoa vai tentar mais frequentemente dizer-me o que fizemos mal ou recriminar-nos de algo. Porque se formos mais cedo a pessoa vai estar a ler um livro e ficamos ali acordados com a merda da luz que não no deixa dormir. Pois… a realidade infelizmente não é muito boa amiga da opinião avalizada dos blogues ; ))

Outra forma de lidar com a preguiça sexual é reservar mais momentos para saborear a vida. Um exemplo interessante: jantar com os amigos pode ser uma boa ocasião para flertar com o próprio parceiro. E esse clima de namoro e sedução atiça o desejo. Outra dica: escolher programas divertidos também é ótimo: você relaxa, dá risadas e vai para a cama mais eufórica – e mais predisposta ao sexo. A preguiça? Nesse caso, é ela que fica para segundo plano.” (Terra - Sexo e Namoro)

Jantar com amigos??? Desculpa, mas esta malta está a falar a sério ou são mesmo pessoas mentalmente incapazes? Qual é a primeira coisa que acontece numa jantar de casais hetero na Tuga, mal o casal visitante chega? Gajas para um lado e gajos para o outro! E assim permanece até ao fim do jantar! A mulher não chega ao fim do jantar com saudades do marido, chega ainda mais ressentida com ele por todo o comportamento de macho que teve para com ela colando-se ao marido da amiga e portando-se como se fosse adolescente outra vez! E desde quando é que umas risadas de podre de bêbado são prenúncio para o sexo? É que das vezes em que fui jantar a casa de casais tugas, o casal visitado fartou-se de beber, com o alívio de não irem conduzir, portanto… Please…

A minha opinião está dada. Não sei até que ponto concordas, mas se não concordares é a vida ; ) Felizmente só um de nós tem de viver com a cruel realidade do conhecimento profundo dos lençóis lusitanos ; ))))))))))

A ouvir:

I don’t wanna talk about it - Inger Marie Gundersen

I can tell by your eyes that youve probably been cryin forever,
And the stars in the sky dont mean nothin to you, theyre a mirror.
I dont want to talk about it, how you broke my heart.
If I stay here just a little bit longer,
If I stay here, wont you listen to my heart, whoa, heart?

If I stand all alone, will the shadow hide the color of my heart;
Blue for the tears, black for the nights fears.
The star in the sky dont mean nothin to you, theyre a mirror.
I dont want to talk about it, how you broke my heart.
If I stay here just a little bit longer,
If I stay here, wont you listen to my heart, whoa, heart?
I dont want to talk about it, how you broke this ol heart.

If I stay here just a little bit longer,
If I stay here, wont you listen to my heart, whoa, heart?
My heart, whoa, heart.eart, whoa, heart.

(Danny Whitten, 1977)

birds

Julgavam que eu estava a brincar? Olhem que não…

Isto é uma pequena amostra dos congressos de passarada que se organizam nas árvores à volta da minha janela. Logo de madrugada.

Os istapores dos galináceos já perceberam que isto é uma casa em que não se discrimina e o resultado é o abuso que se vê. Já ando a engalinhar com isto…

É um prazer constatar que as leitoras do Tangas - e de outros sítios e associações LGBT que tão generosamente divulgaram o Concurso de Contos do Tangas - têm mesmo uma pena apurada. E cumprem prazos.

Tenho de vos pedir que não se esqueçam de registar as vossas obras. Podem fazê-lo no Palácio Foz ou em qualquer dependência regional do mesmo. Ou na Sociedade Portuguesa de Autores. É para vossa protecção.

Outra forma de provar que as obras são vossas é metê-las, em papel ou CD, com a identificação, morada e pseudónimo, num envelope. Fecha-se, regista-se e envia-se para a nossa morada. Ao receber, mantêm-se fechado, porque em caso de necessidade, em tribunal, o juiz considera uma carta datada e por abrir prova suficiente para reivindicar a autoria.

Vamos acelerar? E depois, claro, há os prémios e a festa!

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Então boa Páscoa. Espero que dêem com os ovos.

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Não há uma alminha caridosa que se ofereça para organizar uma excursão a preços controlados a um destes shows? Los Angeles? Chicago? O Tangas oferece suporte internáutico à logística…

(é boca para si, sim… ;) )

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(A propósito deste post da menina iaNa)

Também precisamos de uma heroína. Este conceito não é meu, nem sequer é novo. Todos nós precisamos dos nossos heróis, dos nossos modelos. E a comunidade lésbica, em Portugal como noutros países, está mesmo a precisar de ter o seu ícone num altar público.

Acontece que a Solange, que se tornou uma cara mediática no programa Curto Circuito, corre sério risco de se tornar essa heroína. A entrevista desta semana na revista Única, do jornal Expresso, pode configurar a sua mediatização como a figura de que necessitam as lésbicas portuguesas para uma maior visibilidade.

Há mais cinco mulheres a dar a cara, algumas bloguistas eméritas, mas a Solange está a ter o protagonismo que lhe confere o facto de ser uma figura conhecida e, por isso, mais facilmente identificável pelo grande público. Sem nenhum demérito para as restantes mulheres que também se prestaram a deslindar alguma da sua privacidade, todas elas sem receio que isso vá provocar grandes comoções na sua vida profissional ou privada.

O mérito da Solange é o de estar no sítio certo à hora certa e poder ter postos em si os olhos de muitos jovens que já a apreciam pelo seu trabalho no programa. Faz disso bom uso neste caso. Não julguem, no entanto, que ela é uma estreante nestas andanças, porque a conheci no programa Maria, Maria, que aqui há uns anos ia para o ar todos os meses na Rádio Voxx, feito por lésbicas e para lésbicas. E, para quem não sabe, tinha rádio-novela e tudo.

Também tem um certo cachet a forma como admite, no vídeo do YouTube preparado pelo jornalista do Expresso para divulgar o trabalho, que muitas vezes foi dúbia na forma como se apresentou quanto à sua sexualidade.

Porque eu acho que nunca é demais um olhar inspirado sobre duas musas extraordinárias no filme Oito Mulheres:

Catherine Deneuve e Fanny Ardant

Depois disto, não me digam que não esgalham mais depressa as vossas letrinhas para os contos…

O grupo Elas a Norte, do Porto, propõe-se organizar a entrega de prémios do Concurso de Contos do Tangas Lésbicas no seu Encontro da Primavera, que tem data prevista para o próximo dia 25 de Abril.

Nada nos agradaria mais do que aproveitar um convívio e uma festa para distinguir as meninas que têm estado a puxar pelos neurónios para apresentar o melhor que se pode ler em ficção de temática lésbica e em língua portuguesa.

Por isso, se quiserem ir despachando esses contos para me dar tempo de providenciar um sim muito entusiástico à iniciativa do Elas a Norte, o Tangas agradece. Sei que está toda a gente a dar o litro no trabalho (e nos blogues :P ), mas acho que concordam que é uma bela proposta. Vamos a isso?

Posso adiantar-vos que toda a gente tem direito a prémio de participação e a vencedora vai ser devidamente distinguida. Embora à partida, por ajudarem a pôr de pé esta obra, e pela qualidade de que têm demonstrado serem capazes, todas as meninas estejam de parabéns.

É motivo suficiente para vos pedir mais umas horitas de trabalho criativo? Espero que sim.

Boundin´.

Aqui há bounding a pedido [para si, menina iaNa]

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Como isto do amor tem que se lhe diga, há quem não deixe os créditos por mãos alheias e vai de criar um maço de vouchers de amor. Nada mais prático para quando a cara-metade se “esquece” do essencial: toma lá voucher! Ele há para abraços, beijos, flores, saídas românticas, noites especiais, jogos de amor. Melhor? Só na farmácia…

A propósito, já escolheu o seu voucher para hoje?

(vão dando uma vista de olhos nas Notícias para saber as últimas)

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… digo eu, sem vontade absolutamente nenhuma. Que preguiça…

A propósito: “[...] Quanto à preguiça de começar o sexo, isso é mais comum do que a gente pensa. A maioria das pessoas, hoje em dia, vai para a cama na hora em que está morrendo de sono. Aí, bate mesmo aquela preguiça. Nessa hora, o desejo e o prazer sexual acabam ficando para segundo plano.

Reverter esse quadro é, sem dúvida, algo muito positivo para a pessoa e para o casal. Algumas mudanças de hábito podem ajudar, como deitar meia hora mais cedo. Parece simples? Mas é mesmo. Sentir desejo tem a ver com o fato de se preparar para o sexo – e não deixá-lo como a última opção.

Outra forma de lidar com a preguiça sexual é reservar mais momentos para saborear a vida. Um exemplo interessante: jantar com os amigos pode ser uma boa ocasião para flertar com o próprio parceiro. E esse clima de namoro e sedução atiça o desejo. Outra dica: escolher programas divertidos também é ótimo: você relaxa, dá risadas e vai para a cama mais eufórica – e mais predisposta ao sexo. A preguiça? Nesse caso, é ela que fica para segundo plano.” (Terra - Sexo e Namoro)

O que a gente aprende só em faits divers… (Noise! Estás aí?)

É sempre curioso saber que a maior parte das visitas que se fazem aqui vêm do anterior Tangas. Tal como é espantoso saber que a pesquisa de contos lésbicos, como saber se uma mulher é lésbica e mensagens para advogadas são termos que também trazem as pessoas até aqui.  Os contos lésbicos ainda entendo e, quanto ao saber ou não se alguém é lésbico, tirando a óbvia pergunta directa que porventura funcionará sempre muito melhor do que a vinda até ao Tangas, o que mais me intriga é como é que alguém chega aqui através de mensagens para advogadas. Será que os motores de busca endoideceram?

Na sexta-feira houve quem me deixasse, discretamente, uma folha de bloco de notas muito bem dobrada à frente, com nome, email e número de telefone. Já não me acontecia uma dessas há que tempos.

O sábado foi agitado. Começou com um baby shower em que de repente estavam as mulheres e crianças todas de um lado, e eu e os pikenos do outro, a fazer martinis, sangria e a atirar pedras de gelo para dentro de copos de uísque. Pelas caras das pikenas, não creio que me voltem a convidar tão cedo para uma festa de família. Até porque a pretexto de me darem boleia até casa, os pikenos juntaram-se todos num carro e ainda tive direito a uma visita guiada a um dos distritos vermelhos, com promessa de para a próxima não ficarmos só pelas ales

A páginas tantas um dos pikenos acabou por ganhar fôlego e atirou um Não me digas que és gay, e Olha o respeito, rosnou um dos meus primos. Deixa estar disse eu, vai lá buscar mais um pint para a gente. Entretanto o inquiridor acabou por me contar que tem uma filha de doze anos que ele acha que é lésbica. Deixa lá a miúda crescer e depois pensas nisso, disse-lhe eu. Olha, eu sei, disse-me ele, porque a miúda se virou para a minha mãe, aos oito anos e disse que era lésbica. A minha mãe achou graça, porque não sabia o que era. Depois foi perguntar e não achou graça e nenhuma. Ferrou-lhe uma valente surra e eu não gostei nada. Ia-me engasgando com a ale e tudo. Quem não deve ter gostado nada deve ter sido a miúda, disse-lhe eu. O que queres? A minha mãe vive em Cacia e ali não estamos habituados a essas coisas. Mas agora ninguém lhe toca, que eu não quero. Depois da surra, há-de adiantar-lhe grande coisa, pensei eu. A mim, se me tivessem sovado aos oito anos por uma dessas, ficava a bater mal, ai se ficava…

Está oficialmente aberto o baile dos bombeiros deste domingo.

(e esta é para ti)

Is it so hard to satisfy your senses
You found out to love me you have to climb some fences
Scratching and crawling along the floor to touch you
And just when it feels right you say you found someone else to hold you
Does she like I do

Tell me does she love you like the way I love you
Does she stimulate you attract and captivate you
Tell me does she miss you existing just to kiss you
Like the way I do
Tell me does she want you infatuate and haunt you
Does she know just how to shock and electrify and rock you
Does she inject you seduce you and affect you
Like the way I do

Can I survive all the implications
Even if I tried could you be less than an addiction
Dont you think I know theres so many others
Who would beg steal and lie fight kill and die
Just to hold you hold you like I do

Tell me does she love you like the way I love you
Does she stimulate you attract and captivate you
Tell me does she miss you existing just to kiss you
Like the way I do
Tell me does she want you infatuate and haunt you
Does she know just how to shock and electrify and rock you
Does she inject you seduce you and affect you
Like the way I do

Nobody loves you like the way I do
Nobody wants you like the way I do
Nobody needs you like the way I do
Nobody aches nobody aches just to hold you
Like the way I do

Melissa Etheridge - like the way I do

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“Listen,
I never dreamed
I would learn to love you so.
You are as flawed
as my vision
As short tempered
as my breath.
Every time you say
you love me
I look for shelter.

But these matters are small.[...]“

- in Her Blue Body Evething We Know by Alice Walker (The Color Purple)

Gosto de livros de poesia, que são como pratos de bombons sortidos. Depenica-se aqui e acoli, conforme nos apeteça. Alguém é servido?

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São os pequenos prazeres que nos salvam das grandes comoções.

- Como podes estar tão tranquila com o que te está a acontecer? Como é que podes ler o jornal de fio a pavio e beber o café como se nada se estivesse a passar?

- É justamente porque muitas coisas se estão a passar que preciso de estar aqui, tranquila, à frente do meu café e do meu jornal. Estou a dar-me tempo para pôr as coisas em perpectiva.

- Acho que estás a perder tempo e a fugir a decisões.

- Pelo contrário. Estou a acalmar-me saboreando uma bebida familiar quando o meu mundo parece de pernas para o ar. E estou a ler o jornal para não perder de vista os problemas que são realmente grandes e todas as outras coisas que acontecem e parecem nunca se cruzar com as calamidades que nos afectam.

- E em que é que isso contribui para resolver os teus problemas?

- Contribui para não me precipitar e para arrefecer a minha tragédia pessoal perante as que nos circundam. Acha pouco?

- Acho que também é fugir dos problemas.

- Era bom que eles fugissem, não era? Mas como estão lá sempre, há que reorganizar as nossas forças e atacar as coisas quando estamos preparados. E agora vou beber o café e ler o jornal até estar preparada para as grandes comoções.

- E quando vai ser isso?

- Não sei. Talvez quando acabar este magnífico starbuck.

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Em resposta a este post da anaimeia. Ora bem…

Hoje deve ter havido complot no jardim. Istapores dos pássaros que não se calam… Adiante.

O jornaldocentro.pt dá destaque à formação do primeiro grupo de apoio à comunidade lésbica, gay e bissexual que surge agora em Viseu. Podem ler aqui.

buffy.jpg Fiquei a saber que a Buffy aparece finalmente nua ao lado de Satsu, outra caçadora de vampiros, com calcinhas e outras peças íntimas (incluindo um teddy…) atiradas pelo quarto, o que fez da edição em quadrinhos da Dark House destaque no The New York Times.

Entretanto, a criadora do Harry Potter resolveu divulgar que o mentor do pikeno, Albus Dumbledore, é homossexual, frisando que a homofobia é um medo de amar as pessoas, mais do que o próprio acto sexual. Também disse que há muitas coisas mais importantes do que o facto de ele ser gay, sendo que fiquei sem perceber então para que diz que ele o é. Enfim, às vezes também sou burrinha…

lword.jpg E bye-bye l-word, que acaba em 2009. Estão a ser filmados os últimos oito episódios da sexta série encomendados pela Showtime, para serem transmitidos no ano que vem. A Ilene Chaiken quer continuar online.

Há dias passei em casa de uns primos, para tomar chá e trocar amenidades. E estava eu gargalhando com a minha prima, na cozinha, quando entra o meu primo, então quando é que trazes cá a casa a tua namorada? E a minha prima, por mim, deixa-a em paz que ela agora está sozinha e está muito bem. Ele, com ar preocupado, abanando a cabeça, isso não é bom, nada bom. Olha, vamos dar um jantar no sábado e convidamos uma amiga nossa. Aparece. Abro os olhos à minha prima e ela ri-se, sabes como é, como nós não vamos ao distrito vermelho… Ora bem, penso eu, isto é que eles estão uns modernaços (têm oitenta anos - será que a amiga…). A minha prima, que parece que adivinha, é uma rapariga da tua idade (nada tranquilizador…), muito bem de vida. Pronto, cheira-me a casamento, logo agora que estou tão bem, a ver as vistas. Ó prima, não te incomodes, que eu cá me amanho, como sabes. Olhou para mim por cima dos óculos, vais ver que é uma óptima moça, judia, rica que se farta. Para ti era uma segurança. Mas quem é que lhe disse que eu quero estar segura? Eu sou da vertigem… E depois, já me estou a ver a trabalhar só no que dá dinheiro, a passar férias em resorts em vez de me escaqueirar toda num land rover, a jantar todos os sábados à noite com os amigos, a ter de largar as jeans para ir às recepções. Olha, prima, não leves a mal, mas eu esse filme já vi e tive de atirar o DVD pela janela… Deu-me uma palmada no braço, não sejas palerma. Vem sábado que eu trato de ti. Era o que me faltava. Mas é bem feita. Para a próxima vou para o pub com os uligãos. Sempre é menos arriscado.

I… I am watching you sleep
It’s the promise you’ve made
One I find I can keep
Oh I…want to swallow the moon
Give a smile back to you
Light your way
Tell the Angels they’ll just have to wait’Cause I wanna stay here in this moment
Can I quietly slip into you
You and I can stay here in this moment
Let the world fade away,
I just want to stay with you

I… I am watching you breathe
I am pulled into you
As you smash into me
Oh I want to give you the stars
All that I can hold in my arms
Placing them where you lay
Tell the Angles they’ll just have to wait

With my hand on your skin we can slowly begin, I am free
Now the heavens have less cause I’ve found the best and I won’t let them take you away
Tell the angels they’ll just have to wait…

I wanna stay here in this moment
Make the earth stand impossibly still
Disappear in your kiss, we’ll never be missed
Let the world fade way, I just want to stay with you

With you

Melissa Etheridge - This Moment  

Nesta página aqui no Tangas, Concurso de Contos, têm uma nova iniciativa. Vão lá e participem. Já recebi os primeiros três contos e estou… encantada.

Todas as participantes receberão uma recordação do concurso. E a autora de cujo conto mais gostarmos, a vencedora, vai ter direito a um presente especial.

Concurso de Contos Lésbicos em Língua Portuguesa do Tangas Lésbicas

Cada autora pode concorrer com os contos que quiser, e o prazo de entrega é até ao final de Março (isto para não se esquecerem já da ideia a pensar que têm tempo). Têm de ser originais e vir acompanhados da respectiva identificação (incluindo número de telefone através do qual possam ser verificados os vossos dados). O endereço é tangaslesbicas@gmail.com.

O Tangas Lésbicas escolherá, paginará e publicará uma primeira edição electrónica dos contos (formato PDF) e seguidamente a versão em papel, com distribuição nacional, ainda este ano.

Dantes ia-se ao baile dos bombeiros, de roupinha nova e perfume estonteante.

E agora?

mulheres2008.jpg

hoje tenho
segredos para
te contar ao
ouvido sons
antigos
escondidos na
alma

Só uma coisa me entristece
O beijo de amor que não roubei
A jura secreta que não fiz
A briga de amor que não causei
Nada do que posso me alucina
Tanto quanto o que não fiz
Nada do que eu quero me suprime
De que por não saber ainda não quis
Só uma palavra me devora
Aquela que meu coração não diz
Só o que me cega, o que me faz infeliz
É o brilho do olhar que não sofri

Jura Secreta - Composição: Sueli Costa e Abel Silva, na voz da Simone

Ahhh… A Hillary também é lésbica? É assim que começam os boatos, amigas. Não, que eu saiba e no pressuposto que até pode ser lésbica mas não me interessa isso absolutamente nada se ela não mo disser ao ouvido, a Hillary não é lésbica. Nem se torna lésbica porque foi aqui mencionada. O Tangas diverte-se com coisas sérias, às vezes até de forma séria, mas ainda não faz parte da imprensa cor-de-rosa. Mas quando fizer, eu aviso.

De onde raio fui eu tirar essa ideia? E eu sei? Vai ver que teve um sonho epifânico e não nos quer contar.

(Afinal, o exemplo vem da Coreia do Sul. Vejam as Notícias)

noivas.jpg

- Pronta?

- Ahhhh, que nervos!

- Está arrependida?

- Não. Tenho a saia presa.

- Hum… Também estou um bocado espartilhada.

- Agora aguente-se, que isto foi tudo ideia sua.

- Pois foi. Já viu quem está lá dentro?

- Além da minha bisavó? Não…

- A sua ex.

- Não me diga que a convidou…

- Veio com a minha ex.

- Bem lhe disse que não era boa ideia.

- E vêm vestidas de igual.

- Que giras!

- Não fale muito porque nós estamos na mesma.

- Mas isto é o nosso casamento.

- Pois, mas elas é que dão nas vistas.

- Melhor para elas. Vamos?

- Sim. Vêmo-nos na lua-de-mel?

- Sem dúvida querida.

(as maiores felicidades, Joana)

Se alguém perguntar por mim
Diz qu’eu fui por aí
Levando o violão
Lebaixo do braço
Em qualquer esquina eu paro
Em qualquer botequim eu entro
Se houver motivo
mais um samba qu’eu faço
E se quiserem saber se volto
Diga que sim
Mas só depois que a saudade se afastar de mim
Mas só depois que a saudade se afastar de mim
Mas só depois que a saudade se afastar de mim
Eu tenho meu violão
Pra me acompanhar
Tenho muitos amigos,
Eu sou popular
E tenho a madrugada
Como companheira
A saudade me dói
No meu peito me rói
Eu estou na cidade, estou na favela
Eu estou por aí
Sempre pensando nela

Fernanda Takai - Diz Que Fui Por Aí
Zé Keti e Hortencio Rocha

Anda aqui uma pessoa aos papéis, entre o eterno sonho da princesa encantada e a realidade desesperada (que é mais ou menos quando a gente olha para o lado e vê uma pikena que não é a princesa encantada mas que nos dá umas ganas desgaçadas de lhe dizer que é, só para aquilo que a gente sabe, claro), sem conseguir decidir por um ou por outro caminho quase uma vida inteira.

Andamos aqui sempre a balançar entre o recto e o correcto, que a vós pode não vos parecer, mas são completamente distintos, sendo que o primeiro nos atira para a fidelidade ao sonho e o segundo para a fidelidade aos outros…

Isto só para vos dizer que, a propósito da tertúlia poética espontânea desencadeada por este post da rfilgueira, lembrei-me da lindíssima Pastorale da Teresa Alvarez. Imaginem quem as palavras são todas as coisas belas que vemos na nossa namorada. E que é quase assim que lhas dizemos…

Pastorale
Rasgo as árvores até perceber
como foi
antes das vogais e
regresso a casa.

Tenho um rebanho de palavras à minha espera
Conheço-as bem
como o cajado onde me encosto enquanto
penso
Cubro os ombros de Sol e
fico-me de longe a olhar o rebanho.
As palavras correm livres pelo pasto
É com as mãos que eu as chamo
e elas vêm submissas
É com as mãos que as afasto
«Vão-se embora palavras»
Magoadas, adormecem depois.
Se uma está acordada
eu ponho-a no meu colo
e fico ali
sentada a embalá-la.

Alguém lavra, ao longe, um campo de palavras
e o arado estremece a cada consoante
E passo assim
a tarde toda a dobar-lhes os fios
cantando
enquanto dobo

Aos dias ímpares
Vem uma feiticeira e rouba-me o rebanho
para fazer rezas e ladainhas
- eu finjo que não vejo.

Por vezes
as palavras aproximam-se demais umas das
outras
e o vento chega e
põe reticências nas frases.
E é então que o rebanho estremece.
Eu levanto o cajado
e fico a desenhar lírios e urze brava
e o pasto
é agora o grande sonho que alimenta as
palavras.
Uma palavra emigrante
Vem súbita e descalça
desfazer-se em sentidos para me convencer

E eu digo
Vem-me cá, oh palavra!
de que estrada chegaste?
quantas bocas te disseram?
quem te chorou, palavra?
quem te deixou partir, sozinha e frágil?
Ela prende-se a mim
e suga-me no peito as desgastadas fomes
Inclinada
cai depois num fio de leite

Faz-se um parágrafo na tarde enfraquecida
e eu chamo o rebanho
que caminha agora em rima emparelhada
Sigo as passadas bíblicas
com o cordeiro
a baloiçar-se às costas
e é um livro que entra pelo quintal.

O título é a palavra adormecida
As aves que se recolhem ao silêncio da noite
são a pontuação
e os acentos agudo e grave
são os meus dedos com que, agora, abençoo o
rebanho.

Um deus vem
e assina com tinta invisível

Eu ponho-me ao postigo
em silêncio
a ouvir o poema.

in “Do Tempo e do Silêncio”, Teresa Alvarez, Editorial Caminho,

Cara Hillary,

Confesso que estou muito preocupada com a sua possível derrota amanhã no Texas. Como portuguesa, mulher, lésbica, europeia, ocidental e todas essas coisas que tendem a ser um sinal de menoridade no mundo de hoje, cheio de economias e poderes emergentes, nacionalismos, totalitarismos e conservadorismos mais acirrados do que nunca.

Porquê tanta preocupação, amiga não-eleitora, perguntar-me-à. Ora, como a Hillary bem sabe, é determinante a influência do resultado das eleições norte-americanas no Velho Continente. E nos outros.

Bem sei que não ganha o candidato republicano, que para conservadores encartados chegou o jovem Bush. Mas também não é preciso, pois não? Que dos males o menor, mais vale então apoiarem o “novo Kennedy”, que ainda por cima é negro (embora os irlandeses lhe tenham descoberto uma incómoda costela das suas ilhas), o que quase iliba a possível discriminação. E nessa delicada matéria, confesso que até eu hesitei. Se em terras ianques elegesse, discriminaria as mulheres votando num negro, ou os negros votando em si?

O problema está, no entanto, ultrapassado. “Minoria” por “minoria”, deu-se a vez à diferença da cor da pele, assim como que a piscar o olho à igualdade entre todos - sendo que um presidente dos Estados Unidos jamais será igual a qualquer outra pessoa, mas isso são outros trezentos. E depois também não nos podemos esquecer que se passa a mão pelo pelo aos radicalistas mundiais, porque apesar de negro é um homem e não pode, como se sabe, abalar tanto como isso as estruturas.

Portanto, Hillary, lá ficámos de novo relegadas “para a próxima”. Para quando as conquistas femininas já tiverem andado mais uns quantos anos a marcar passo e a bater o pé e a engolir óbvias injustiças.

Mais assusta ainda saber que aí, no distante Oeste, comparam o jovem Obama ao Kennedy e que ninguém se rala que ele lhe tenha até surripiado uns nacos de discurso. Sobretudo porque o tal Kennedy viveu há quarenta anos atrás e pelos vistos nada mudou tanto assim para o mesmo discurso servir nos dias de hoje. Vê como anda mascarada com fatinhos novos a política actual? A Hillary também esteve muito bem no departamento da moda, justiça lhe seja feita.

Para irmos a factos mais concretos, também me assusta bastante que a eleição desse pseudo-democrata deite por terra as ínfimas conquistas do direito feminino e lgbt, a tão grande custo conseguidas na última década. Porque, como sabe, não chega apenas conseguir mudar a lei. Há que ver, a seguir, como ela é, de facto, aplicada. E as suas consequências práticas em sociedade. É preciso dar-lhe tempo para crescer, fortalecer-se, ser podada, crescer ainda mais e vê-la então vigorar em pleno.

Será que teremos tempo para isso com o senhor seu adversário, Obama de seu nome e da minoria masculina? E se ele, muito naturalmente, tiver de negociar direitos fundamentais em nome das boas relações mundiais, não está com certeza a ver a velha e gasta Europa a fazer-lhe frente, pois não? Muito menos o resto das regiões do globo em que, realmente, uma mulher, lésbica ou não, é o que é: melhor mas menor do que qualquer outro ser humano.

Está a ver o meu dilema? É que quando se é pobre ainda se pode ter a esperança de imigrar para um país rico como o seu. Mas quando se é mulher, para onde é que se imigra? Para Vénus?

Também estou muito zangada consigo. Acho, sinceramente, que lhe faltou um bocadinho de visão. Devia ter antecipado este desfecho e devia ter, no mínimo, ter tido a presença de espírito para se divorciar do Bill, declarado publicamente a sua homossexualidade, conquistado a Oprah com voluptuosos bouquets de rosas e jantares românticos, para garantir com firmeza os votos de várias minorias e a cadeira da Sala Oval.

Assim, com a sua mais do que provável derrota amanhã, só me resta esperar que no rescaldo desta aventura quase presidencial, considere uma singela demanda: juntar-se a nós, aqui no Tangas, para partilhar com esta minoria a sua vasta e rica experiência pessoal.

Até breve.

A Maria Papoila está com cara de primavera. Toca a espreitar.

Carneira, é um problema esse, o teu, de estar sempre a querer bater com os ditos cujos na parede. É assim que aprendes, achas tu, e é bem feita. Esta semana tens enfermeira à disposição, por isso aproveita, que não vai durar sempre. A vida é dura, não é, toura? Mas há pastos melhores do que os teus? Não, pois não? Já sabes, sorte ao jogo, desgraça no amor…

Já tu, gémea, vais a acelerar de armas e bagagens para casa e casamento novo. Boa sorte, mais não seja pela mudança de ambiente. Não leves as cortinas velhas. Muda-te em grande estilo, com o cartão de crédito à mão. A carangueja é que continua um espanto. Não se cansa, a menina, não?O que vale é que a nos arrasta a todos atrás de si.

A leoa está agachada, à espera da próxima presa. A sorte favorece os audazes, por isso vamos todas apostar em si. Não se esqueça de nos dizer para onde atira os seus restos, que os seus despojos são sempre classe A. E a menina virgem prepare-se para outra paixão fulminante. Não se acanhe e alargue os cordões à bolsa, porque um fim-de-semana fora não vai arruiná-la e é mais romântico que uma sanduiche comida no parque das merendas à beira da estrada.

Querida balancinha, já viu que a boa figura e o charme não são tudo. Desta vez vai ter de se mexer e ter a iniciativa. Essa garota não está disposta a ceder um milímetro se a menina não abrir o jogo. Quanto a si, escorpiona de maus fígados, não importa o que faça, vai tudo correr-lhe de feição. Não merece, mas a sorte é arbitrária, não é?

Amiga sagitária, deixe-se de cálculos e vá lá ao cinema, ao teatro e à festa para que a convidaram. Vai andar numa fona, mas isso até cai bem e as suas chances de conhecer o amor da sua vida estão a trepar. Não se esqueça de acabar também com a sua actual namorada, entusiasmo, ou lá o que é. Já a menina capricórnia, com as suas manias do politicamente correcto, tem de se soltar para aproveitar os ímpetos solares e marcianos desta semana. Olhe que quem nasce burro acaba a pastar…

Controle esses ciúmes, querida aquariana. Afinal, quem anda a lançar a escada a mais do que uma é você. É natural que perca uma ou outra pelo caminho. Ai, peixinha, peixinha, quem me dera navegar pelos seus mares e deixar-me arrastar pelas mesmas correntes que a levam por aí, nessas ondas de romantismo. Esta é, definitivamente, a semana do romance para si.

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