Há dias passei em casa de uns primos, para tomar chá e trocar amenidades. E estava eu gargalhando com a minha prima, na cozinha, quando entra o meu primo, então quando é que trazes cá a casa a tua namorada? E a minha prima, por mim, deixa-a em paz que ela agora está sozinha e está muito bem. Ele, com ar preocupado, abanando a cabeça, isso não é bom, nada bom. Olha, vamos dar um jantar no sábado e convidamos uma amiga nossa. Aparece. Abro os olhos à minha prima e ela ri-se, sabes como é, como nós não vamos ao distrito vermelho… Ora bem, penso eu, isto é que eles estão uns modernaços (têm oitenta anos - será que a amiga…). A minha prima, que parece que adivinha, é uma rapariga da tua idade (nada tranquilizador…), muito bem de vida. Pronto, cheira-me a casamento, logo agora que estou tão bem, a ver as vistas. Ó prima, não te incomodes, que eu cá me amanho, como sabes. Olhou para mim por cima dos óculos, vais ver que é uma óptima moça, judia, rica que se farta. Para ti era uma segurança. Mas quem é que lhe disse que eu quero estar segura? Eu sou da vertigem… E depois, já me estou a ver a trabalhar só no que dá dinheiro, a passar férias em resorts em vez de me escaqueirar toda num land rover, a jantar todos os sábados à noite com os amigos, a ter de largar as jeans para ir às recepções. Olha, prima, não leves a mal, mas eu esse filme já vi e tive de atirar o DVD pela janela… Deu-me uma palmada no braço, não sejas palerma. Vem sábado que eu trato de ti. Era o que me faltava. Mas é bem feita. Para a próxima vou para o pub com os uligãos. Sempre é menos arriscado.