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São os pequenos prazeres que nos salvam das grandes comoções.

- Como podes estar tão tranquila com o que te está a acontecer? Como é que podes ler o jornal de fio a pavio e beber o café como se nada se estivesse a passar?

- É justamente porque muitas coisas se estão a passar que preciso de estar aqui, tranquila, à frente do meu café e do meu jornal. Estou a dar-me tempo para pôr as coisas em perpectiva.

- Acho que estás a perder tempo e a fugir a decisões.

- Pelo contrário. Estou a acalmar-me saboreando uma bebida familiar quando o meu mundo parece de pernas para o ar. E estou a ler o jornal para não perder de vista os problemas que são realmente grandes e todas as outras coisas que acontecem e parecem nunca se cruzar com as calamidades que nos afectam.

- E em que é que isso contribui para resolver os teus problemas?

- Contribui para não me precipitar e para arrefecer a minha tragédia pessoal perante as que nos circundam. Acha pouco?

- Acho que também é fugir dos problemas.

- Era bom que eles fugissem, não era? Mas como estão lá sempre, há que reorganizar as nossas forças e atacar as coisas quando estamos preparados. E agora vou beber o café e ler o jornal até estar preparada para as grandes comoções.

- E quando vai ser isso?

- Não sei. Talvez quando acabar este magnífico starbuck.