
(A propósito deste post da menina iaNa)
Também precisamos de uma heroína. Este conceito não é meu, nem sequer é novo. Todos nós precisamos dos nossos heróis, dos nossos modelos. E a comunidade lésbica, em Portugal como noutros países, está mesmo a precisar de ter o seu ícone num altar público.
Acontece que a Solange, que se tornou uma cara mediática no programa Curto Circuito, corre sério risco de se tornar essa heroína. A entrevista desta semana na revista Única, do jornal Expresso, pode configurar a sua mediatização como a figura de que necessitam as lésbicas portuguesas para uma maior visibilidade.
Há mais cinco mulheres a dar a cara, algumas bloguistas eméritas, mas a Solange está a ter o protagonismo que lhe confere o facto de ser uma figura conhecida e, por isso, mais facilmente identificável pelo grande público. Sem nenhum demérito para as restantes mulheres que também se prestaram a deslindar alguma da sua privacidade, todas elas sem receio que isso vá provocar grandes comoções na sua vida profissional ou privada.
O mérito da Solange é o de estar no sítio certo à hora certa e poder ter postos em si os olhos de muitos jovens que já a apreciam pelo seu trabalho no programa. Faz disso bom uso neste caso. Não julguem, no entanto, que ela é uma estreante nestas andanças, porque a conheci no programa Maria, Maria, que aqui há uns anos ia para o ar todos os meses na Rádio Voxx, feito por lésbicas e para lésbicas. E, para quem não sabe, tinha rádio-novela e tudo.
Também tem um certo cachet a forma como admite, no vídeo do YouTube preparado pelo jornalista do Expresso para divulgar o trabalho, que muitas vezes foi dúbia na forma como se apresentou quanto à sua sexualidade.

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