A propósito deste post, lembrei-me duma conversa tida aqui há uns anos com uma pikena activista dos direitos lgbt que afirmava, convicta, eu sou lésbica mas não é por isso que sou feminista…
Pronto, cada um tem os pontos de vista que tem. O certo é que, depois da luta liberdade-igualdade-fraternidade na França em tempos de tomada da Bastilha e o anti-esclavagismo do Novo Mundo, a luta das feministas abriu as portas da batalha global anti-discriminação.
A queima dos sutiãs no Parque Eduardo VII, em que foram apupadas as pioneiras do movimento em Portugal perante a pusilanimidade de alguns dos grandes revolucionários da época, tem tudo que ver com os direitos das minorias em que as lésbicas se incluem.
O gesto simbólico de deitar fogo aos porta-mamas teve origem num protesto de 1968, em Atlantic City, onde decorria a eleição da Miss América, e em que de facto não chegou a haver queima alguma. A repressão policial da manifestação chegou ao extremo de acusar as manifestantes pela utilização de ‘linguagem ofensiva’ nos posters em que se viam escritas frases como “Boring job: Woman wanted”, “Low Pay: Woman wanted”, “Get a whole new face, a whole new look”, e “Buy! Buy! Buy!”.
Em terras lusas, a censura proibiu em 1972 “As Novas Cartas Portuguesas” como obra obscena e subversiva, por descrever pela primeira vez as mulheres como insubmissas perante o poder do homem. Numa altura em que as mulheres precisavam da autorização dos maridos ou dos pais para se ausentarem do País, fosse qual fosse a sua idade ou estado civil…
Era luta anti-discriminação, evidentemente. Como se pode distinguir um abuso de poder de outro, por princípio, convenhamos? E não é pela anti-discriminação que as lésbicas surgem como comunidade, conceito ou forma de estar?


4 comments
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Maio 8, 2008 às 2:33 am
Condessa X
Antes de mais gostaria de agradecer a referência e a inclusão do “sem bikini” na “pink list” dos links.
Gostaria também de dar os parabéns por este blog (que é dos poucos de temática LGBT em actualização constante).
De facto há muitas lésbicas que não se consideram feministas. Ou melhor, elas até são feministas (podem não ser activistas) só que não o sabem. Para já antes de serem lésbicas são mulheres e se enquanto mulheres não são feministas, então não passam de um instrumento que serve os interesses das instituições que nos oprimem (não só às mulheres, mas a todas as pessoas que se vêem oprimidas pelo sistema). E como refere, e bem, a luta feminista abriu portas, arriscar-me-ia até a dizer, ao próprio movimento LGBT.
A causa feminista não é só uma luta pela igualdade entre homens e mulheres mas sim uma luta pela Igualdade em todos os sentidos. Mais ainda, pela justiça! Por exemplo as 3 Marias posicionavam-se contra as nossas desventuras pelo ultramar. Era uma posição feminista? Era. O feminismo puro não compreende hierarquias, vejo-o mesmo como anarca neste sentido. O feminismo tem importância extrema quando associado a outras causas que combatem o mesmo inimigo (que não é o homem, mas sim as instituições que oprimem tanto homens como mulheres).
Desculpe a dimensão destas linhas. Entusiasmei-me porque o debate dá pano para… bikinis?
Condessa X
Maio 8, 2008 às 11:50 am
tangas
não tem de agradecer e é muito bem-vinda aqui à roda. entusiasme-se à vontade.
o feminismo é evidentemente anti-discriminação e toda a batalha desse tipo é nossa. deve ser nossa, de toda a gente, porque a injustiça afecta-nos a todos, mais tarde ou mais cedo.
Maio 9, 2008 às 10:59 am
tagarelante
um post que tenha a palavra “pusilanimidade” é de valor, logo à partida!…
mas sim, as 3 marias e as suas cartas… gosto bastante tb de me demorar nas paginas dos livros da maria velho da costa…
e achar curioso que com tantas outras “marias” que podiam ter sido, as 3 marias eram meninas betinhas e de boas famílias…
gente q faz com as proprias vidas o que quer, venha lá o q vier (sabendo que vêm muito mesmo!)
Maio 9, 2008 às 11:08 am
tangas
ora bem, menina tagarelante…