Um estudo publicado esta semana na revista Procedings, do instituto sueco National Academy of Sciences (PNAS), afirma ter comprovado que o cérebro de um homem gay se parece mais com o de uma mulher do que com o de um homem heterossexual. O mesmo se aplica às lésbicas, cujos cérebros apresentam mais semelhanças com o de homens heterossexuais do que com o das outras mulheres. A pesquisa reforça a ideia de que a sexualidade não é uma opção, mas sim uma característica biológica. Mas avança também que “são necessárias pesquisas mais amplas com grupos de estudo maiores para buscar uma melhor compreensão da neurobiologia da homossexualidade”.
De acordo com os dados apresentados pela equipe de neurocientistas liderada por Ivanka Savic, do Instituto Karolinska, da Suécia, o tamanho e a forma do cérebro variam de acordo com a orientação sexual.Tomografias realizadas em 90 voluntários mostraram que o cérebro dos homens heterossexuais e das mulheres homossexuais é ligeiramente assimétrico, apresentando o hemisfério direito um pouco maior do que o esquerdo, dizem os investigadores Ivanka Savic e Pers Lindstrom. O cérebro dos homossexuais do sexo masculino e das heterossexuais não apresentam essa assimetria. Os cientistas mediram também o fluxo de sangue na amígdala cerebelar, uma área importante para os comportamentos agressivos, e descobriram que tem uma ramificação semelhante nos homens gay e nas mulheres heterossexuais, apresentando outra forma entre as lésbicas e os homens heterossexuais.
Em aberto continua a questão de essas características se verificarem durante o desenvolvimento fetal ou no pós-natal. Os investigadores acrescentam que o estudo não consegue dizer se as diferenças na anatomia do cérebro são herdadas ou se decorrentes, por exemplo, da exposição a hormonas como a testosterona no útero, e se são responsáveis pelas escolhas sexuais de um indivíduo. Pretendem avaliar isso num novo estudo a ser realizado com bebés recém-nascidos, para verificar se esse tipo de avaliação conseguirá ajudar a prever a orientação sexual deles no futuro.

7 comments
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Junho 17, 2008 às 10:37 am
Estrelaminha
bom dia!
já tinha conhecimento deste estudo e na minha humilde opinião penso que pode estar próximo da verdade.
não sei, é se alguma vez, se vai conseguir encontrar uma resposta sem contestação. sinceramente não está dentro das minhas preocupações.
Junho 17, 2008 às 10:58 am
tangas
não é uma preocupação. é uma curiosidade. já se sabe, por exemplo, que certas alterações hormonais durante a gravidez podem condicionar algumas características, como por exemplo a hiperactividade. há um livro da investigadora Louann Brizendine, chamado O Cérebro Feminino, publicado o ano passado pela editora Aletheia, que é muito interessante. aqui fica o resumo: Brizendine revela a explicação neurológica para o facto de uma mulher utilizar cerca de 20 mil palavras por dia e o homem apenas sete mil; uma mulher se recordar de discussões que o homem insiste que nunca aconteceram; uma adolescente ser tão obcecada com o visual e as conversas ao telefone; ou porque é que os pensamentos sobre sexo estão na cabeça de uma mulher uma vez cada dois dias ao passo que no cérebro masculino surgem cerca de uma vez cada minuto; uma mulher saber o que as pessoas estão a sentir, enquanto o homem não consegue detectar nenhuma emoção a menos que alguém chore ou ameace corporalmente; uma mulher acima dos 50 anos ter mais probabilidades de pedir o divórcio que um homem.
Junho 17, 2008 às 12:26 pm
Estrelaminha
sim, é uma curiosidade, não contesto que o seja. assim como, todas as que teve a amabilidade de partilhar.
falei da preocupação porque sei que há muita gente obcecada em encontrar uma resposta o que não acontece comigo.
Junho 17, 2008 às 12:42 pm
Só Maria
ah! quer dizer então que agora, quando tiver que fazer um TAC, me vão apreciar os hemisférios!

hummm… não sei se gosto da ideia!
brincadeira à parte, gostei deste estudo. as coisas vão-se esclarecendo. devagar, mas vão…
Junho 17, 2008 às 1:26 pm
tangas
ainda bem, menina estrelaminha. carpe diem!
apreciar os hemisférios. ora aí está a nova proposta para a denominação da TAC, menina só maria
é bem melhor do que passear pelo seu jardim interior, como diz eufemisticamente um conhecido psi da nossa praça…
Junho 20, 2008 às 2:40 pm
Duca
E se deixassem os hemisférios cerebrais do pessoal em paz, em vez de tentarem arranjar explicações para algo que é tão natural como respirar?
E se o dinheiro gasto nestas investigações da treta, fosse gasto em questões prioritárias como descobrir fórmulas de combate das várias doenças que vão surgindo e cuja manutenção só enriquece as grandes grupos multinacionais de químicos? Putz!
Junho 20, 2008 às 3:02 pm
tangas
não discrimino, nem em termos de investigação. posso ser contra, mas não discrimino. grão aqui, grão ali, junta-se uma saquita de novos conhecimentos e disso é que a gente precisa. estes estudos podem ser mirraditos, mas abrem as portas a outros, nem que seja só para provarem, por A mais B, que a validade de outros estudos é nula ou incompleta porque entretanto descobriram mais isto e mais aquilo. por que não?
percebo, no entanto, que o que é pragmático e mais imediato lhe seja mais caro. e concordo