Já tinha escrito isto aqui:

Quês e porquês do casamento lgbt

Por que é que esta história do casamento é tão importante para a comunidade lgbt? A pergunta é frequente, como frequentes são as evasivas, vagas e frágeis respostas dos nossos adorados líderes lgbt quando com ela confrontados. Para mim, a resposta é esta:

- Quando os lgbt reivindicam o casamento, muito mais do a questão dos direitos legais e de propriedade que, em teoria, podem ser resolvidos por outras leis, e além da legitimação da união ou, se preferirem, a sua validação oficial e perante a sociedade, o que está aqui em causa é:

a capacidade de criar uma nova família.

Isto, queridas e queridos, é o cerne da questão. É este o conceito que nos está vedado e contra o qual, inconscientemente, pontapeamos. Porque, ao contrário dos lgbt, qualquer gato-sapato pode criar uma nova família e ver assim inequívocamente estabelecidos os laços familiares.

A partir do casamento, não há amantes, não há namorados, não há a pessoa em questão, não há companheiras e companheiros. Há um consorte de pleno direito, há sogros, há tios e sobrinhos, há filhos e enteados. Os parentes de uma ou de um tornam-se os parentes da outra ou do outro.

Há um clã e a sua respectiva força que, naturalmente, se vê dessa forma alargada.

É isso que torna o contrato legal do casamento único face a qualquer outro contrato legal que possa ser celebrado entre duas pessoas. É isso que fez, desde sempre, dos casamentos poderosas amas de conquista de aliados, um forjador de laços muitas vezes mais eficiente e completo do que o próprio sangue.

Os laços biológicos (de sangue) são, em todas as épocas e em todas as sociedades, os formadores de família. A seguir vem o contrato do casamento e o único que o iguala, no sentido da capacidade de legalizar os laços familiares entre as pessoas, é obviamente o da adopção.

A família e os laços familiares definem muita coisa na nossa sociedade. Há direitos e obrigações legais, sociais e morais para com as pessoas da nossa família que simplesmente não se aplicam a estranhos. Nem o facto de coabitar com uma pessoa não nos obriga a vê-la como um membro da nossa família e vice-versa. Com o casamento, no entanto, as coisas mudam substancialmente de figura:

O clã!

Os laços familiares não se desfazem. Nem o divórcio tem esse poder. Poder, poder, poder… Afinal é por isso que não nos querem casadas e casados?

(vejam o embrulho que vai pelas notícias…)