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Coisa importante: a crise não afecta as pessoas que têm de trabalhar e ganhar para gastar tudo o que têm pagando aquilo de que precisam. Afecta os lucros de quem tem a mais e investe aqui e ali. Sobretudo quando se põem a jogar na bolsa, que a páginas tantas não passa de um casino em grande escala e onde os riscos são os mesmos que ir ali ao Estoril pôr fichas na roleta.
Outra coisa importante: a desculpa da crise para despedir uns quantos e manter os outros em condições de terror é falta de princípios, tanto mais que a tal da economia em recessão significa apenas que as grandes empresas, em vez de fazerem lucros de sessenta e muitos por cento, começam a fazer lucros abaixo dos sessenta ou, quando muito, abaixo dos cinquenta.
A recessão sempre foi um discurso de medo, de domínio, de opressão. Manter a maioria das pessoas em receio por tudo e por nada é a melhor forma de as trazer pela trela e de cabeça baixa. E de usar e abusar ainda mais.
Isto vem a propósito das homilias contra os gays que defendem que tudo é mais importante do que direitos fundamentais, lida ali no canto da menina da aldeia.
Haverá alguma coenrência em aplaudir agora o esquivo josé, por uma coisa que vergonhosamente adiou? Por uma promessa (e promessas há muitas…) em que apenas demonstra a sua básica necessidade de protagonismo? Por uma traição a cidadãos que também jurou defender e com que agora acena como se todas as memórias fossem curtas? Como se de rafeiros agradecidos nos tratássemos, perdoando-lhe tudo (ele também não sabe fazer melhor) e aceitando a guloseima de cauda a abanar? Onde está a espinha dorsal deste tipo de josés? E onde está o orgulho das associações que com ele se comprometeram? Alguma ou alguém se deu ao trabalho de questionar o que está por detrás disto? Josés há muitos e este nem sequer usa chapéu. Só se o sonho deste for reclamar, de uma cadeira de rodas num quarto de um condomínio de luxo para a terceira idade, que foi ele o responsável pela instituição do casamento entre homossexuais nas lusas bandas. Há-de servir-lhe de muito…

Desaparecida algures entre Lisboa e a Praia das Maçãs, depois do fim do ano. Dão-se alvíssaras a quem tenha visto ou conheça. Procura-a amiga inconsolável que forneceu detalhes via telefone para o retrato. Pistas: gosta de jazz, não fuma, expressa-se educadamente e em vez do número de telefone, escreveu “quem procura encontra” num guardanapo de papel com a marca do batom.
Às vezes discutem-se as diferenças entre amor e paixão. Nessas alturas só me vem à cabeça a Rita Lee, amor é um livro / sexo é esporte / sexo é escolha / amor é sorte… Ora, eu adoro livros e sortes, mas também aprecio a minha saudável dose de desporto.
… amor é pensamento / teorema / amor é novela / sexo é cinema… Cá vamos nós pela humana nostalgia dos pensamentos, sempre ansiosamente desejosos pela arte de decifrar os eternos enigmas. Tenho paixão por cinema, mas quem é que resiste a uma horita de novela depois do jantar, enrolada no sofá em boa companhia?
E há mais: sexo é imaginação / fantasia / amor é prosa / sexo é poesia… Escolha difícil, posso garantir-vos. Mas as boas bibliotecas acompanham-nos por toda a vida.
Por vezes, o amor nos torna / patéticos / sexo é uma selva / de epiléticos… E não há forma de fugir à tragédia ou à comédia que se atravessam no nosso caminho. Bom tema de conversa para as tertúlias de amigos, de fins de tarde preguiçosos à frente do mar.
Amor é cristão / sexo é pagão / amor é latifúndio / sexo é invasão / amor é divino / sexo é animal / amor é bossa nova / sexo é carnaval. E com isto já não sei se são as longas discussões filosóficas, muito amorosas, que nos apanham de través e acabam numa inevitável partilha de paixões, ou se é o contrário. Mas isso são outros quinhentos.
Já decorre o II Concurso de Contos Tangas Lésbicas 2009. As contribuições estão a chegar e o prazo de entrega de originais é até ao final de Março deste ano. Podem consultar o regulamento na respectiva página.
Entretanto, os Contos da Diferença estão à venda aqui. Houve problemas no servidor do lulu.com, nomeadamente com a inserção de códigos postais portugueses, pelo que aqui fica uma sugestão do helpdesk do site:
Tentem usar o Firefox quando acederem ao Lulu. Se têm um número de apartamento ou de casa, podem adicioná-lo no fim da linha de do apelido/último nome. Escrever APT e depois o número do apartamento ou da casa também tem ajudado alguns visitantes a completar as suas encomendas.

A partir de hoje, no Lusitano, Porto. Todas as quartas-feiras de janeiro um capítulo. Para quem se queixa de que a cultura não está acessível…

Noutros sítios será dia de reis, mas aqui no Tangas comemoramos as rainhas.
E, a propósito (ou não), relembro aqui uma soberana das nossas letras:
Fiz com as fadas uma aliança.
A deste conto nunca contar.
Mas como ainda sou criança
Quero a mim própria embalar.
Estavam na praia três donzelas
Como três laranjas num pomar.
Nenhuma sabia para qual delas
Cantava o príncipe do mar.
Rosas fatais, as três donzelas
A mão de espuma as desfolhou.
Nenhuma soube para qual delas
O príncipe do mar cantou.
(Fiz um conto para me embalar -
Natália Correia)





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