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Não sei o que me entedia mais:
1. Os pedidos de entrevistas a casais de lésbicas, sempre com as mesmas questões básicas, o mesmo vago plano de assuntos e o habitual requisito de que sejam namoradas (então uma lésbica não pode dar entrevistas sobre lésbicas se não estiver a namorar? e porquê? perde credibilidade lésbica? – e quando é que surgirá uma/um jornalista capaz de fazer uma entrevista interessante, diferente, inesperada?);
2. As eternas perguntas de lésbicas que até gostavam de dar as entrevistas, mas querem que apareçam ilustrações em vez das suas imagens;
3. A eterna falta de imaginação e ignorância dos editores dos média quando o tema é lgbt.
Resisti ao impulso de comentar o debate da Campos Ferreira naquela coisa horrorosa que faz na telefonia para o luso olho. Mas é impossível negar a abardinadice em que aquilo se transforma sempre. Com uma ajudinha do realizador, claro, que deve ter um gancho afiado contra a apresentadora e se esmera em artes de a apanhar sempre no seu pior. Tudo pelas audiências, claro. Pergunto-me, no entanto, se os telespectadores querem realmente tanta falta de senso comum ou se, ao fim de algum tempo, deixam de tentar usar o espírito crítico à força de tanta invasão de mediocridade.
Houve tempos em que havia regras de conduta e limites a respeitar nos média. Ultrapassados esses detalhes em nome de um bem comum de questionável decência, sempre pensei que a auto-estima de apresentadores, jornalistas, equipas de produção e de demais quadros operantes dos ditos média pudesse honestamente desejar que não se pisasse o risco da vulgaridade, quanto mais não fosse em nome de um orgulho pessoal que todos podemos e devemos alimentar. Mas vejo que é difícil acreditar que tanto média como consumidores almejem a uma relação mais digna. Enfim…
O certo é que me deixaram boquiaberta as intervenções dos contristas sobre o casamento entre homossexuais. É difícil acreditar que subscrevam, eles próprios, tanta falácia e ignorância. A não ser que labutem numa espécie de agenda mais ou menos caótica e hipoteticamente vocacionada para gente estúpida e ignorante que, segundo eles, constituirá uma boa fatia da população portuguesa. A democracia tem estas coisas, de dar liberalmente voz até às mais caricatas posições.
Depois vêm padres e bispos falar de normalidade, como se fosse muito normal o modelo de casamento em que a mulher é uma mula de carga e educa sozinha os filhos, com um modelo de macho mula incapaz de participar senão em abusos de poder em relação a mulheres e crianças, arrogando-se direitos incomparáveis só em função de um apêndice urinário proeminente. Então as crianças precisam desses exemplos para crescer saudáveis? Não admira que haja tanta gente perturbada…
Ainda têm o desplante de lançar avisos contra o casamento com muçulmanos, arrumando logo à partida milhões de cidadãos sob o mesmo rótulo de sevícias e imoralidades. Será tão difícil assim perceber que o 11 de Setembro não foi uma varinha mágica que transformou todas as pessoas de fé islâmica em negros representantes do mal? Será que acreditam mesmo que toda a gente vai aceitar esse discurso de ódio como bom e honesto?
E há ainda o twitter-comentário de um deputado alegadamente pirateado sobre a falta de homem de uma jurista. Tudo muito macho, muito ibérico, muito retro, mas também completamente falho de gosto e de inteligência. Deve ser tudo uma questão de tole(i)rância…
O que vale é que o destino teima em me fazer cruzar diariamente com pessoas com discursos cheios de senso comum sobre homossexuais, mulheres e muçulmanos, entre outras coisas. O que me faz acreditar que um dia alguém vai acordar e achar que é preciso transformar os média numa coisinha bastante diferente de um cano de esgoto da Humanidade. Pode ser que veja mesmo a Campos Ferreira a iniciar e encabeçar um movimento pioneiro contra a feira de vulgaridades dos média. É preciso ter fé.
Há coisas que nos transportam, que nos fazem lembrar a liberdade quenos pertence por direito e de que tão relutantemente aproveitamos. A CanDoDance é disso exemplo. Integra bailarinos com deficiências, a par de outros sem nenhuma barreira física. Em palco solta a imaginação dos espectadores com a frescura dos seus espectáculos a que é difícil colar rótulos.

Sou suspeita, eu que gosto de palavras, mas mesmo que não gostasse ia espreitar no próximo domingo, dia 15, às 18 horas, a leitura de poemas do Alexandre O’Neil que a Gato Vadio promove. Leituras de Carla Rosa, Nuno Meireles e Júlio Gomes.
Iniciativa do sembikini, está criada a leswork, a rede social de primas portuguesas.
Oferece página pessoal, blog, possibilidade de criar grupos, lançar discussões, adicionar fotos, vídeos e outros aplicativos, chat e speed-dating, que permite conversa e vídeo em tempo real sem necessidade de outros programas.
Instruções: ir até lá e fazer o registo, porque o objectivo é ligar as primas todas de norte a sul na primeira rede social exclusivamente lusa. E não se esqueçam de enviar convites a todas as vossas amigas.
Parabéns às meninas do sembikini pela iniciativa
Boas notícias são para se dar a para animar os descrentes:
Campanha ‘Fazer Ondas’ – Tribunal Europeu dos Direitos Humanos dá razão a associações feministas portuguesas
As associações Não Te Prives – Grupo de Defesa dos Direitos Sexuais e Clube Safo congratulam-se com a recente decisão do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH) relativamente à Campanha ‘Fazer Ondas’. O caso reporta-se a 2004, quando convidámos a organização Women On Waves e o seu barco-clínica a vir a Portugal, numa série de acções visando informação e sensibilização para necessidade de descriminalizar o aborto a pedido da mulher. A iniciativa debateu-se com um governo PSD/CDS-PP conservador, cuja decisão de enviar dois navios de guerra de forma a impedir a entrada do chamado ‘Barco do Aborto’ em águas territoriais portuguesas ficará sempre guardada entre os episódios mais absurdos e desproporcionais da nossa história recente. Isso mesmo considerou o TEDH, ao condenar agora o Estado Português ao pagamento de uma multa por danos morais às partes envolvidas, considerando ainda ter havido uso de medidas desproporcionais e violação do direito de liberdade de expressão (artigo 10 da Convenção dos Direitos Humanos). Para além dos efeitos práticos desta decisão, o seu importante significado simbólico vem repor justiça face aos eventos decorridos em 2004. Fica assim provada a validade de uma iniciativa que consistiu num expoente da mobilização cívica em Portugal e que mudou, indubitavelmente, a história da acção colectiva existente no nosso país até então e, mais especificamente, o rumo do activismo pró-escolha que culminou com a despenalização do aborto até às 10 semanas a pedido da mulher em 2007. Este é um dia de celebração da liberdade, da escolha e do activismo feminista em Portugal, hoje como em 2004. Estamos, portanto, todas e todos de parabéns.
Associação Clube Safo clubesafo@clubesafo.com
Não Te Prives – Grupo de Defesa dos Direitos Sexuais naoteprives@yahoo.com
(+351)914477147 Coimbra, 4 Fevereiro 2009 Nota: o comunicado de imprensa do TEDH encontra-se disponivel em:

7 Palmos de Testa é um talk-show juvenil, moderado por Ana Zanatti, com a duração de uma hora. É exibido uma vez por mês, na RTP2, sempre aos domingos às 21h onde se discutem temas transversais à sociedade e saber o que pensam os jovens acerca dos mesmos.
Cada tema tem 6 convidados (3 rapazes e 3 raparigas) com idades compreendidas entre os 16 e os 25 anos.
Um dos temas que vai ser discutido é a Família. Qual é o nosso conceito de família? Como é a estrutura familiar de cada convidado? Como é a família ideal?
Para a concretização deste tema precisamos de jovens que tenham estruturas familiares diferentes, desde famílias tradicionais a famílias monoparentais ou famílias homossexuais. Não serão muito frequentes estas últimas mas certamente há jovens que fizeram, pelo menos, parte do seu percurso de crescimento no seio de um núcleo familiar formado por dois homens ou duas mulheres, ou haverá também jovens adultos que pretendem formar uma família e tenham adoptado uma criança ou que um deles tenha já uma criança de uma ligação anterior.
O programa vai ser gravado em Março, em data a definir.
Para se inscreverem basta enviar um email com o nome e número de telemóvel para mola@mola.pt.

Estava aqui aflita, a achar que estava a ver pior, que tinha de ir ali gastar mais uns cobres num par de óculos novos e, afinal, houve uma alma caridosa que teve a pachorra de agarrar nas minhas lunetas e de as limpar. Estou como nova!





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