- Isto tem andado um bocadinho parado, não tem?
- Hum…
- Anda com falta de inspiração?
- Não.
- Falta de assunto?
- Nem por isso.
- Vontade?
- Essa há que baste.
- Então que se passa?
- Nada.
- Isso está visto. Não se posta aqui nada há que séculos.
- Há que ter calma…
- Às vezes parece-me que há calma a mais.
- Isso é verdade.
- Se concorda comigo, por que razão não posta nada?
- Posto pois. Só que não é já.
- Pronto. Mas pode-se saber porquê?
- Pode.
- Então?…
- Hum…
- …?…
- Pronto, cá vai: ando de volta dos textos do concurso deste ano. Têm chegado muitos. É preciso lê-los, agradecer a quem envia, sugerir alterações, explicar as condições, enviar fichas de autor, instar para que as devolvam, reenviar os textos para revisão, submetê-los à apreciação das autoras, negociar com elas, voltar a receber os textos, rever e por aí fora. Isto ao mesmo tempo que se prepara o lançamento dos Contos da Diferença na Fnac de Santa Catarina e em Lisboa, que se atende aos pedidos de quem quer livros e se estabelecem contactos para organizar os lançamentos.
- Safa, já podia ter dito que era isso tudo!
- Já disse. Mas acho que por economia de espaço dentro dessa sua cabecinha, parece que só retém metade das coisas.
- Escusa de ser bruta…
- Não é por mal, acredite. É por falta de tempo. Agora desampare-me a loja, sim?
- Já vou ali à frente. Quer que lhe traga um cafezinho?
- Quero sim. Com natas, uma pitada de chocolate em pó por cima. E, já agora, será que pode trazer-me uma tostinha com queijo de cabra e marmelada? É melhor trazer uma meia dúzia…
- Trata-se bem, a menina…
- Faz-se o possível.
- Não quer mais nada?
- Hei-de querer, mas depois peço-lhe.
- É melhor desandar daqui senão, daqui a nada, estou transformada em sua escrava.
- Hum…