extintos

A luta de classes é tramada. Ontem e hoje fiz pesquisa de notícias sobre a marcha em Lisboa e encontrei apenas uma, no DN de sábado – online, claro. Em compensação, há dezenas de notícias em todos os meios sobre Teerão, os prisioneiros de Guantánamo e por aí fora.

Os direitos humanos lá fora são muitissimo mais importantes que os de cá, claro. Em dez edições da marcha, houve um feito notável: o noticiário encolheu, as fotos das drag-primas já não fazem capas nem sequer justificam foto-legendas.

Mesmo quando as pessoas se juntam, em grande número, num cinema da capital para dar a cara pelos direitos de cidadãos de segunda classe que vivem em Portugal, quando procuram os intervenientes é mais para inquirir sobre as suas vidas privadas do que por interesse honesto na questão.

Esta é que é a verdadeira crise mundial, a do desinteresse dos média pelas questões dos cidadãos, a do desaparecimento dos jornalistas em favor dos empregados da enorme indústria de entretenimento e propaganda em que se tornaram jornais, televisões e outros meios de comunicação.

Nestas alturas é que é preciso que haja pasquins, jornais de parede, manifestos, acções públicas de protesto, para lutar contra a indiferença a que é condenada publicamente, pelo silêncio, uma muito significativa fracção da população portuguesa.

- Shhhhhh… Vamos fazer de conta que eles não existem.