A luta de classes é tramada. Ontem e hoje fiz pesquisa de notícias sobre a marcha em Lisboa e encontrei apenas uma, no DN de sábado – online, claro. Em compensação, há dezenas de notícias em todos os meios sobre Teerão, os prisioneiros de Guantánamo e por aí fora.
Os direitos humanos lá fora são muitissimo mais importantes que os de cá, claro. Em dez edições da marcha, houve um feito notável: o noticiário encolheu, as fotos das drag-primas já não fazem capas nem sequer justificam foto-legendas.
Mesmo quando as pessoas se juntam, em grande número, num cinema da capital para dar a cara pelos direitos de cidadãos de segunda classe que vivem em Portugal, quando procuram os intervenientes é mais para inquirir sobre as suas vidas privadas do que por interesse honesto na questão.
Esta é que é a verdadeira crise mundial, a do desinteresse dos média pelas questões dos cidadãos, a do desaparecimento dos jornalistas em favor dos empregados da enorme indústria de entretenimento e propaganda em que se tornaram jornais, televisões e outros meios de comunicação.
Nestas alturas é que é preciso que haja pasquins, jornais de parede, manifestos, acções públicas de protesto, para lutar contra a indiferença a que é condenada publicamente, pelo silêncio, uma muito significativa fracção da população portuguesa.
- Shhhhhh… Vamos fazer de conta que eles não existem.




14 comments
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Junho 22, 2009 às 11:00 am
pilantra
vem do tempo do salazar, deves lembrar-te dos moçabicanos serem portugueses de segunda no BI. Há muita gente com esse pendor nos genes.
Junho 22, 2009 às 12:44 pm
tangas
e de, no registo civil, ir para a fila imensa dos que nasceram no estrangeiro e de outras nacionalidades…
Junho 22, 2009 às 11:35 am
Citadina
Ora nem mais, muito bem dito!
Junho 22, 2009 às 12:45 pm
tangas
mesmo assim dito, com as letras todas, eles não houvem. deve haver muita salsa nos ouvidos de muita gente neste país
Junho 22, 2009 às 2:24 pm
Maria Tuga
Concordo 100%, mas procurando encontrar alguma resposta, penso que…
O modelo de “marcha” está desgastado…
É preciso alguma inovação
O mundo faz-se de mudanças…
Junho 22, 2009 às 2:47 pm
tangas
concordo que podiam encontrar-se formas inovativas de apresentar as reivindicações na marcha. mas não a considero desgastada até se dinamaziram todos os sectores da população que têm que ver também com ela, como os amigos, a família e restantes apoiantes da causa lgbt
Junho 22, 2009 às 3:44 pm
Maria Tuga
Não é marcha que está desgastada, é o modelo..
Já vi por ex. nos EU bem mais divertidas..e apelativas.
Junho 22, 2009 às 2:26 pm
Cris
Também andei à procura pela net e fiquei desiludida por haver tão pouca coisa. É mais importante o Cristiano Ronaldo estar em Lisboa e no Algarve e os milhões que vai ganhar.
P*** de M**** de mundo!
Junho 22, 2009 às 2:49 pm
tangas
o senhor milhões tem direito de antena, claro. era uma ideia fazer um cálculo do montante com que os lgbt contribuem para a sociedade portuguesa, até porque não acredito que o senhor milhões invista tudo o que ganha em Portugal, certo?
Junho 22, 2009 às 4:52 pm
tangas
é uma questão de se aventarem ideias, maria tuga. às vezes, um empurrãozinho pega
Junho 22, 2009 às 5:20 pm
Maria Tuga
Não aprecio o género “carnaval”. Mais do tipo “dia de festival” com música, teatro, poesia, corrida bike, etc…
Junho 22, 2009 às 7:35 pm
tangas
tipo dinâmicas em volta da marcha? um pouco como se faz com o arraial? era uma possibilidade, tipo, mais do que marcha, uma parada
Junho 23, 2009 às 12:57 am
tangas
ok, ok… o público.pt também publicou uma notícia sobre a marcha (obrigada à jornalista de lá que me avisou do meu erro).
mas onde estão as outras?
Junho 23, 2009 às 7:14 pm
Helena
Olá,
eu queria dizer que fui à marcha e fiquei , ainda, um pouco decepcionada. Os coitados dos motards iam entalados, à frente da marcha) entre um caaro da polícia e outro; eram tês mulheres e três homens.
Se fizerem pesquisa, eu estou na marcha do orgulho, de 2001, com a minha moto. Foi muito mais divertido, estive mesmo a acompanhar a marcha em toda a sua extensão.
Atrás da faixa principal, “Direcção: Igualdade”, havia um conjunto de tambores, sempre em actividade, cuja maestra era espectacular a chamar pelo grupo. Lá para trás era lá para trás, não se passava quase nada, uma pasmaceira.
Gostei, no Rossio, de ouvir os representantes LGBT, ainda que tivessem falado pouco.
A marcha continua a fazer sentido, tal como o dia internacional da mulher e o mês consagrado nos Estados Unidos à causa LGBT, enquanto não se corrigirem os erros das sociedades, todas, em relação à grande maioria das minorias.
Muito obrigado por terem ouvido este desabafo.