
Eleanor Roosevelt (primeira dama dos EUA) com a Declaração dos DIreitos Humanos em espanhol, 1949
A propósito disto e da famosa caridade cristã, por vezes simplesmente traduzida por amor, apesar destes dislates fazerem disparar o meu termómetro da indignação: será mesmo necessário referendar direitos humanos? Porque, depois da alteração do artigo 13 da Constituição, importa fazer entender que não ameaçar constantemente a orientação sexual com tentativas de exclusão como esta é uma violação de direitos humanos (a liberdade de viver livre de medo é uma das quatro liberdades fundamentais consagradas logo após a Segunda Guerra Mundial, há 64 anos…).

Homossexuais mortos pelos nazis durante o Holocausto
A Igreja Católica, que tanto gosta de fazer crer que se farta de lutar pelos direitos humanos, faz questão de os quebrar em relação aos homossexuais e ao abuso de poder de que continuam a ser vítimas. Não é surpresa, claro, conhecidas como são realidades como a Santa Inquisição, a sua relutância em tomar claramente um partido durante as duas Grandes Guerras que assolaram a Europa, a sua incrível capacidade para não denunciar o Holcausto (afinal, uma mera continuação da política da Inquisição séculos atrás) e a sua óbvia vocação para a sobrevivência política em todas as questões de défice moral, social e ético.
Por que razão, então, esta sanha contra o casamento homossexual? Bem entendido, porque a Igreja em Portugal ainda teima em não admitir ter perdido o monopólio dos registos de nascimento, dos casamentos e da contabilização dos óbitos desde que o País se tornou uma república. Depois, ganhar uma luta destas, em relação a uma minoria que a Igreja subestima e está convencida que pode pontapear no chão com um referendo, ainda alimenta as suas aspirações a voltar a controlar a demografia neste jardim à beira-mar plantado.

Caça aos homossexuais no Iraque (artigo de AFIF SARHAN and JASON BURKE no 'The London Observer')
Conseguir esmagar as legítimas aspirações de um pequeno grupo de cidadãos é só um princípio. Em resultando, pode transformar-se num milagre inpirador, capaz de demonstrar a vontade de Deus-todo-poderoso em relação a indivíduos que, na infeliz história do catolicismo, já foram muitas vezes perseguidos pelos representantes (intérpretes) de uma vontade divina que, após a criação de tão ignóbeis seres, conta com os seus representantes para os perseguir e extreminar. Isto faz-me lembrar o planeamento de uma coutada de caça. E não me parece nada diferente do que se faz em algumas ocasiões em países muçulmanos ou sujeitos por regimes totalitários e senhores de todas as verdades.
Claro que tudo isto sucede porque o Estado português não torna absolutamente claro e público que reprova a ameaça, a intimidação e a organização de actividades destinadas a segregar alguns dos seus cidadãos. Nestas alturas, não há declarações ao País do Primeiro-Ministro nem do Presidente da República. Mais uma vez, alguns cidadãos não merecem esse nome, quanto mais direitos humanos fundamentais…



3 comments
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Novembro 10, 2009 às 1:28 am
pilantra
Suponho que a icar já percebeu que o melhor é calar-se porque já não há muito pejo em dizer-lhes que em nada o assunto lhes diz respeito.
Entretanto, para ocupar o tempo, devem andar ocupados a minar o PS e a recolher assinaturas para o referendo.
Olha que meninos!
Novembro 10, 2009 às 11:55 pm
tangas
não sei o que querem com estas coisas, mas lá pior fama do que já têm não podem ter…
Novembro 10, 2009 às 11:51 pm
pilantra
Dom Jorge Ortiga, ortigou-se!
Cada Bispo diz sua coisa, a igreja diz o costume.