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É uma frescura começar a semana a ouvir o antolólogo de poesia Jorge Reis de Sá, com a sua vozinha mansa do Norte, a defender uma nova designação para o casamento civil, já que casamento é mesmo o católico. E assim resolvia o pikeno a questão, ele que acha que sim, que esta coisa da discriminação é como a que havia nos Estados Unidos e por outros lados.
Ou seja, o rapaz vai para a única televisão que reconhece o casamento entre os seus funcionários do mesmo sexo e lhes reconhece os mesmos direitos dos outros cidadãos, dizer isto: pronto, vocês casam, mas não têm direito à palavra casamento, que essa é católica. Ou seja, façam lá o que quiserem, mas chamem-lhe outra coisa, que o que é casamento para uns não é para os outros. É só uma discriminação mais pequenina, certo? Riqueza…
Estava aqui a ouvir a conversa de Clive Woodward (treinador) e John Amaechi, o primeiro jogador da NBA a assumir a sua homossexualidade (Fevereiro de 2007), sobre o coming out de Gareth Thomas, o capitão da equipa de raguebi do País de Gales. E a frase que ficou, dita por Amaechi: “Thomas teve de tomar muitas decisões para chegar ao nível a que chegou como atleta. Com este coming out tudo o que as pessoas vão recordar dele é que é gay. Isso pode ser muito duro para alguns atletas.”
É duro para qualquer pessoa, não apenas para os atletas. Porque é apenas por isso que ficarão lembradas nesta altura em que ainda é preciso acotovelar para vencer barreiras. Um dia alguém olhará para trás na História e verá apenas um punhado de lésbicas e gays, e não os actores, escritores, atletas ou as pessoas que, no todo, conseguiram ser. Para eles, e porque, mesmo quando erguida pela positiva, a diferença é sempre injusta, as pessoas que hoje abrem caminho serão sempre conhecidas apenas por serem lésbicas e gays.
Parece que tudo o que fazem na vida serve apenas para depois poderem dizer que são homossexuais. Ora, a vida é bem mais do que isso e essa redução é mais uma num longo corolário de humilhações que alguns se acham no direito de impor a outros: deixar de ser tudo o que se é para não ser mais do que lésbicas e gays. Haverá maior manifestação de maldade que esta categorização?
Muito importante, este encontro no Porto, na Cadeira de Van Gogh. A mostrar que a AMPLOS não fica apenas pelas intenções e se desdobra em iniciativas para abranger o maior número possíveis de pais e familiares de homossexuais. Em duas partes, o programa deste sábado junta, na segunda parte, amigos e associações. Não vai ser difícil juntar mais pessoas que em Lisboa, não acham
Houve uma altura em que era super cool ser uma prima geração de flores, tocar um instrumento qualquer – e não tocando, andar com uma caixa de viola atrás, como se tocássemos -, fazer uma rodinha com os amigos na praia ao pôr do Sol e ser tão irritante como qualquer outro adolescente de outra geração qualquer.
Também parecia cool fumar suruma (pot, chocolate, marijuana, erva) e usar as mesmas calças de ganga e t-shirt até que ficassem de pé sozinhas, fazer de conta que tudo o que os papás diziam era chinês e falar com tipos mais velhos mesmo que quando se andava a catrapiscar as miúdas mais giras do grupo.
E hoje, quem são as primas geração das flores? Nada menos que as excêntricas avós que insistem em mostrar a barriga já marcada pelas dietas de emagrecimento a seguir a períodos de grande auto-complacência, com uma queda para as teorias new age e ainda vidradas pelo ioga (leia-se iôga…), astrologia e espiritualidades daquelas que se ompram por cinco euros em best-sellers de estação de gasolina.
As mesmas que se diziam enlouquecidas com as vergonhas pelas quais os pais as faziam passar e que agora atropelam sem qualquer consideração a adolescência de netas e netos – os filhos e filhas cresceram a tomar conta destas almas livres sempre que se enfrascavam ou caíam para o lado com uma pedrada. Questões de coerência…
A 5ª edição dos Prémios Média da Rede Ex Aequo vai distinguir, ex aequo, as seguintes personalidades:
Ana Zanatti, Actriz e autora, pela abordagem de temas extremamente relevantes para a juventude LGBT no programa “Sete Palmos de Testa”, numa atmosfera de respeito por todas as pessoas e por diferentes pontos de vista aliada a uma grande franqueza e a uma intenção clara de auscultar a juventude.
Rui Vilhena, autor, e Nuno Távora, actor, pela novela “Olhos nos Olhos” (TVI).
Filipe La Féria pela encenação da peça “A Gaiola das Loucas”, onde foram abordadas as temáticas do transformismo e homossexualidade.
Ana Guiomar e Diana Chaves, actrizes, pela novela “Podia Acabar o Mundo” (SIC).
O programa “Prós e Contras” (RTP1), pela inclusão do casamento entre pessoas do mesmo sexo nos seus temas de debate.
Nuno Ropio pelas várias reportagens realizadas ao longo deste ano onde abordou os temas da Homossexualidade e Transsexualidade. “Polícias homossexuais discriminados pelo Ministério da Administração Interna”, “Filhos de lésbicas regem-se pela normalidade”, “Casas de abrigo para jovens gays e lésbicas expulsos pelas famílias”, etc.
A cerimónia decorre no dia 6 de Dezembro, no Jardim de Inverno do São Luiz Teatro Municipal, em Lisboa, às 15 horas.
Acabei de ver a Anatomia de Grey e uma pikena alta, loura e dominadora a dizer à sua presuntiva cara-metade que não se pode ser mais ou menos lésbica (tradução de kinda of lesbian). E a outra a dizer que sim que podia, claro.
Claro que se pode ser aquilo que muito bem se entende e não aquilo que os outros entendem, mesmo que isso signifique ser mais ou menos qualquer coisa. Pois se é o nosso mais ou menos, por que não?
A gente gosta mesmo de pensar que os nossos rótulos são sempre mais indicados do que os do vizinho. É uma mania, mas tem remédio. Basta aprendermos e lembrarmo-nos de que não estamos sozinhos neste mundo.
É difícil, mas com treino vai-se lá. Podem acreditar que eu sei o que digo, porque já caí montes de vezes neste mesmíssimo erro.
Coming Out On Christmas Eve



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