O carácter festivo do casamento dá nisto: protestar contra e a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo tem sido uma festa pegada.
Não me parece justo impedir que as pessoas contra se manifestem contra o dito casamento, porque foi justamente graças à liberdade de expressão que conseguimos aqui chegar. A Helena Martins conseguiu, apesar disso, manifestar-se florida e festivamente em relação a uma opinião que não é a sua (ver aqui).
Embora me pareça muito tolo teimar em ter opinião contra o que [os heterossexuais] nunca vão fazer, toda a gente tem direito a estar contra. E por isso mesmo, faço questão de dizer aqui que sou contra, contra e contra:
1. O casamento-procriação: até porque qualquer um incorre no risco de cair em desgraça perante a divindade pela qual reclama o dito e ser castigado com uma irremediável esterilidade, como qualquer outro pecador que se arroga o direito de interpretar as divinas leis como melhor lhe convém;
2. O casamento-conveniência: porque não se deve contar com ovo ainda no dito cujo da galinha e as coisas para salvar bens terrenos e aparências também não são tão lineares assim, não se sabendo nunca por que linhas tortas escreverá o deus de cada um e lá temos de novo o caldo entornado;
3. O casamento-tradição: obviamente porque a tradição já não é o que era e me parece bastante irracional remar contra a maré como se o tempo tivesse estacionado para sempre num qualquer século da Idade Média.
Resumindo, a minha pergunta é: se os defensores do não casamento entre pessoas do mesmo sexo, por algum misterioso desígnio divino não forem felizes nos seus casamentos, procurarão mesmo assim aguentá-lo até ao fim da vida, como manda a tradição, ou passam a defender o divórcio e direitos que também não são tradicionais?
Por acaso até gostava de ter uma lista dos “tradicionalistas” que se divorciam, que se estão nas tintas para as suas secundarizadas mulheres, para os filhos que não são eles que dão o corpo ao manifesto para educar. E outra lista em que ao lado do nome dos ditos tradicionalistas se inscrevesse o número de filhos, irmãos, primos, amigos e respeitados colegas são lésbicas e gays.
Mais ainda: sempre quero ver quais são os/as deputados/as gays e lésbicas que votam contra a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo.






1 comentário
Comentários feed para este artigo
Janeiro 8, 2010 às 7:53 pm
pilantra
ah ah ah… não sabes? eu cá sei! rsrsrsrsrs