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As primas portistas vão desculpar-me, mas a abada foi demais!
Zportinnnnnnnnnnng!
Para os menos atentos, tenho a honra de informar que hoje a Tangas colocou no seu blog, o 500º Post.
Saúdo a verve, a irreverência, os desenhos, a graça e a companhia que a todas tem feito nestes anos.
Espero que este blog possa continuar a ser um ponto de encontro de ideias, sentires, pensares e olhares que não têm necessariamente que estar de acordo mas tão somente serem partilhados e discutidos com humor.
Por tudo isto, obrigada Tangas, queremos mais.
E como sei que não dispensas uma cançãozinha, cá vai:
Parabéns a você……muitas felicidades, muitos POSTS de vida!!!!
Hello, Los Angeles. What’s up?
Ora, estava eu aqui tão sossegada na minha vida e fui meter-me nisto para quê? Mas por que é que eu não fiquei como estava? Mal por mal….
Se bem que no começo o hamor engane e se comporte como ovelha, toda a gente sabe que mais tarde ou mais cedo o lobo come a ovelha, a avozinha e, se não nos pusermos a pau, nós também marchamos.
Sem uma explicação científica ou mesmo filosófica, toda a gente ambiciona o hamor. Encontrar o hamor, de preferência o grande hamor. Isto desde logo nos remete para a possibilidade de quantificar o hamor, mas disso falaremos outro dia.
Então, andamos nós de olho aberto sem saber bem o que procurar mas certos que o destino nos colocará na frente o imenso hamor.
Quando ele aparece, disfarçado com o seu pêlo branquinho e carinha doce, rendemo-nos às evidências. Era mesmo aquilo que nos faltava. Em casos graves de loucura, conseguimos acreditar que é a nossa outra metade. Possivelmente a metade da insanidade, penso eu escarninha.
Lá andamos com os sacos às costas em fins-de-semana alucinados, gastamos um horror de dinheiro em jantares românticos e presentes que acreditamos serem únicos, fazemos uma ginástica financeira apreciável para juntar os trapos e, quando finalmente pensamos que fomos os mais bafejados do mundo e nos preparamos para calçar as pantufas e sermos felizes, o lobo já está a afiar os dentes.
Passado pouco tempo, o que tínhamos por certo está agora transvertido de perene e por um fio.
Quase sem darmos por isso, começamos a lembrar outros tempos em que éramos livres para sentir, pensar, procurar e, sobretudo, ser.
O puzzle ajardinado do hamor começa a perder as peças, já não encontramos o sol e as flores antes viçosas e radiantes, aparecem agora sem pétalas e quase murchas. E, mais importante que tudo, nós já não estamos lá, nem mesmo em sombra.
Aos poucos nada em redor faz sentido e tudo o que queremos é recuperar a liberdade de ser quem éramos nos dias de outrora. Éramos tão, tão felizes…..e não sabíamos.
E só então nos damos conta que não queremos o hamor para nada mas sim a esperança de um dia o encontrar.
É o desafio, ou o mais comummente descrito como nunca se estar bem como se está.
À terceira já se começa a perceber que a coisa tem pernas para andar. Enquanto se prepara para Junho o lançamento da edição em papel da II Colectânea de Contos Tangas Lésbicas 2009, já há quem preste mais atenção a este concurso. (ler aqui)
Entretanto, as nossas expectativas para a edição deste ano passam pela participação de autoras de Moçambique, Angola, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Macau.
Quem tiver contactos nessas paragens pode fazer-nos o favor de passar palavra e incentivar as primas a pegar nos lápis para escreverem as suas histórias.
Amo-te – expressão habitualmente usada para demonstrar afecto, qualquer que seja a índole do mesmo. Vai do gosto de ti, quero ir para a cama contigo, és tão gira ao mais recente és cool
Diz-me onde é que foi que eu errei – vê se percebes que eu sou um modelo de virtudes e que dificilmente arranjas outra assim
É um jantar de trabalho – desculpa esfarrapada só utilizada em casos onde já se perdeu a vergonha e o medo de ser apanhada
Era isto que queiras, não era? – Cobarde, canalha, não foste capaz de me dizer a verdade e andaste a arranjar pretextos para eu te pôr na rua
Estás bem? Pergunta quase sempre acompanhada de um leve tocar no braço, feita em voz doce que transborda a culpa. É óbvio que já se percebeu que ela está tudo menos bem
Estás diferente – Tens outra, só podes ter outra
Fiquei sem bateria no telemóvel – será que ainda não entendeste que quando o telemóvel está desligado é porque não quero falar contigo?
Mereces alguém melhor que eu – Por favor, arranja alguém depressa para eu deixar de me sentir tão culpada
Mudei por ti – Abdiquei de várias coisas para ficar contigo mas se não resultar é óbvio que te vou enviar a factura
Não digas que não te avisei – se pensas que vou ser como a parva da minha mãe estás bem enganada
O que é que queres dizer com isso? – Manobra para ganhar tempo. Enquanto ela tenta reformular a questão a outra parte ganha tempo para responder de forma quase sempre ambigua e incoerente
O que eu quero é que sejas feliz – Acabou, fica bem, de preferência longe
Para sempre – é talvez a segunda expressão mais utilizada no hamor.Necessidade intrinseca mas inexplicável de assegurar a emoção perpetuamente. É utilizada como reforço na arte da conquista
Pelo amor de Deus – quando não há mais argumentos
Percebeste tudo mal, isto não é o que parece – Pois não, é mil vezes pior
Podemos ficar amigos – ligo-te de vez em quando, pode ser?
Porque sim – Quando o outro tem razão e nós não a queremos ou podemos dar
Preciso de um tempo para pensar – vou só ali dar uma “volta” mas quando acabar o frisson volto para ti a correr
Sim – Nim
Temos que falar – Vêm aí problemas. O outro já detectou alguma coisa estranha
Tentei ligar-te várias vezes – é claro que percebi que devias estar com outra e que vou te deixar na dúvida se acredito ou não na desculpa que vais dar
Vens jantar? - Na verdade não é que me importe a que horas chegas e muito menos se tens fome. Só quero programar a minha noite
Serve a presente crónica para dar conta da volatilidade do hamor. O hamor está bem em casa mas está sempre melhor fora dela.
O motivo, ou melhor, a desculpa mais frequente para tal desiderato é que “somos mais autênticos e é mais fácil desabafar com alguém de fora”. Desabafar o quê? De fora de onde?
É este o “pombo” da discórdia. Como é que alguém aguenta ouvir do parceiro/a com quem está que se tem pensado muito em outra pessoa, imaginado umas coisas, desejado outras, que se espera sofregamente o próximo sábado à noite para trocar olhares e piadas com terceiras intenções, que se vai perdendo a paciência para o projecto conjugal que antes era tão perfeito, enfim, como é que se diz a alguém com quem se divide a vida que se está desejoso de uma aventurazita esporádica, um romancezito para desintoxicar?
Convoca-se o melhor amigo para dar conta do sofrimento que nos tira o sono e faz perder a fome. Ao quinto copo de vinho, juramos sinceridade quando lamentamos ser incompreendidos. Ah pois! Era suposto que o outro entendesse que nós somos honestos e que o amamos muito, só que estamos entediados e desejosos de navegar em outros mares.
A culpa não é nossa, é de quem não nos entende. Se o outro realmente nos amasse por certo entenderia e quiçá aprovaria os nossos erros, tudo em prol da nossa felicidade. O outro existe para nos fazer felizes, é ou não é?
O outro esforça-se, esfalfa-se, humilha-se, cozinha, lava, faz compras, desculpa, limpa, põe flores na jarra, faz o prato preferido, passa indultos aos nossos erros. Mas, apesar de tudo, tem aquele terrível defeito de não nos compreender.
O quotidiano, as conversas, os projectos, as esperanças e os risos domésticos já não chegam. O hamor em casa, apesar de ser sincero, profundo, amigo e delicado, não é suficiente.
Não é que seja mau, não senhora. Muito pelo contrário. Em casa há conforto, cama, comida, amparo, abraço, sexo, perdão e outras coisitas tais que nos fazem tão enfastiadamente felizes. Agora quem mexe com as glândulas e deixa as hormonas todas contentes da vida, é aquele outro alguém que nos compreende.
E penso se queremos realmente o que está fora ou apenas desejamos sair de dentro de nós. Se tudo não será apenas mais uma inútil tentativa de nos libertarmos da solidão do hamor.
Neste assunto, a culpa morre casada.
Não há nada mais incongruente, contraditório e rocambolesco que o hamor.
O hamor é hipócrita, finge que é feliz, que quer, que se dá, que se pode, quando na verdade tudo o que o hamor quer é não ser. Não ser infeliz, egoísta, fugaz.
O hamor contradiz-se em cada esquina, em cada não gesto, em cada não palavra.
O hamor é comercial, vende livros, ganha Grammys e Óscares, mas passado um ano já foi substituído, esquecido e por consequência, trocado.
O hamor é incoerente, muda de forma e de estado sem razão convincente e passa de doce, belo, eterno, alegre e cor de rosa a amargo e azedo, feio e horrível, triste e sorumbático, cinza e preto, enquanto o Diabo esfrega um olho. É de particular interesse notar que um “não hamor” ganha sempre dois adjectivos onde antes existia apenas um.
O hamor é um pau de dois bicos. Pelo menos.
O hamor é e não é.
Esta pequena reflexão encerra em si mesma uma problemática filosófica de senso comum, popularuchamente chamada de pescadinha de rabo na boca.
Fontes de idoneidade inquestionável garatiram-me que há sérias dúvidas sobre a sua existência. Penso obcecadamente sobre o assunto. Talvez tenham razão, não sei. Mas há tanta gente a falar dele…..
Nunca se viu, claro, apenas se fala dos seus efeitos. Diz-se que faz calor, frio, arrepios, rir, chorar, sim, sim, mas isso também se sente quando o nosso clube ganha, se encontra um grande amigo ou se tem uma boa surpresa. Onde é que está a diferença na emoção em si mesma propriamente considerada? De facto, a existência do hamor não está cientificamente provada. Sendo assim, como todos sabemos, ficará tudo na base da suposição.
Resumindo, Graham Bell está para o telefone assim como Marconi para o rádio, Fleming para a penicilina, Einstein para a relatividade. Agora digam lá quem é que está para o amor.
A prosa de Dorival Caymmi pula no meu cérebro à laia de conclusão. “Quem inventou o amor, não fui eu, não fui eu, não fui nem ninguém”.







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