Ora, estava eu aqui tão sossegada na minha vida e fui meter-me nisto para quê? Mas por que é que eu não fiquei como estava? Mal por mal….

Se bem que no começo o hamor engane e se comporte como ovelha, toda a gente sabe que mais tarde ou mais cedo o lobo come a ovelha, a avozinha e, se não nos pusermos a pau, nós também marchamos.

Sem uma explicação científica ou mesmo filosófica, toda a gente ambiciona o hamor. Encontrar o hamor, de preferência o grande hamor. Isto desde logo nos remete para a possibilidade de quantificar o hamor, mas disso falaremos outro dia.

Então, andamos nós de olho aberto sem saber bem o que procurar mas certos que o destino nos colocará na frente o imenso hamor.

Quando ele aparece, disfarçado com o seu pêlo branquinho e carinha doce, rendemo-nos às evidências. Era mesmo aquilo que nos faltava. Em casos graves de loucura, conseguimos acreditar que é a nossa outra metade. Possivelmente a metade da insanidade, penso eu escarninha.

Lá andamos com os sacos às costas em fins-de-semana alucinados, gastamos um horror de dinheiro em jantares românticos e presentes que acreditamos serem únicos, fazemos uma ginástica financeira apreciável para juntar os trapos e, quando finalmente pensamos que fomos os mais bafejados do mundo e nos preparamos para calçar as pantufas e sermos felizes, o lobo já está a afiar os dentes.

Passado pouco tempo, o que tínhamos por certo está agora transvertido de perene e por um fio.

Quase sem darmos por isso, começamos a lembrar outros tempos em que éramos livres para sentir, pensar, procurar e, sobretudo, ser.

O puzzle ajardinado do hamor começa a perder as peças, já não encontramos o sol e as flores antes viçosas e radiantes, aparecem agora sem pétalas e quase murchas. E, mais importante que tudo, nós já não estamos lá, nem mesmo em sombra.

Aos poucos nada em redor faz sentido e tudo o que queremos é recuperar a liberdade de ser quem éramos nos dias de outrora. Éramos tão, tão felizes…..e não sabíamos.

E só então nos damos conta que não queremos o hamor para nada mas sim a esperança de um dia o encontrar.

É o desafio, ou o mais comummente descrito como nunca se estar bem como se está.