Afinal a ILGA-Portugal não mudou de nome e não foi apenas o Correio da Manhã que disseminou o erro, partilhado pelo menos pela Lusa e pelo Diário de Notícias.

A autora do artigo do Correio da Manhã, Sónia Trigueirão, teve a gentileza de retribuir o meu telefonema e explicar que a tradução da sigla não foi dela, mas sim do site da ILGA Portugal. Pronto, lá fui ao site da dita e lá está, no banner, com todas as letras, “Intervenção Lésbica, gay, bissexual e Trangénero.

Queres ver que a ILGA Portugal mudou de denominação e não dei conta, pensei eu. E, ainda ao telefone com a jornalista, fui ao site, aos estatutos, à denominação e, lá está: ILGA Portugal. Não mudou, não mudou.

Não mudou, mas a frase do banner, assim disposta ao pé do logotipo com as letrinhas em espelho, fez com que os órgãos de comunicação social colassem à designação da associação um slogan e não a sua verdadeira designação, que é International Lesbian and Gay Association – Portugal, que é como quem diz, delegação portuguesa da ILGA.

Agora vem a pergunta: os jornalistas erraram? E a resposta: erraram sim. Porque, se bem que induzidos em erro pelo sítio da associação, têm obrigação de ir ao fundo da questão e fazer a mesma pergunta que me pus: então a ILGA-Portugal mudou de denominação? E aí descobririam a resposta: não mudou, mas como esta frase vem no sítio deles, deixa cá pegar no telefone e confirmar. Isso aconteceu? Não.

A culpa é do banner, está visto. E não só.

De boa vontade está o inferno cheio, como diz o povo, porque o que começou por ser um artigo bem intencionado e informativo, sobre a possibilidade de, nas declarações de IRS, a associação já poder ser contemplada em igualdade de circunstâncias com outras instituições de solidariedade social, acabou por ser entendido como “Donativos para gays e lésbicas” – um título infeliz que, em vez de alertar para mais um passo para a igualdade, induz os leitores sem tempo para a esmiúça a pensar que agora podem doar euros a gays e a lésbicas e não a uma instituição que defende os seus direitos.

E agora, como se desfaz a confusão?