Não é por nada, mas quando um jornal nacional publica uma coisa destas:

Correio da Manhã, 23 Março 2010 – 00h30

IRS

Donativos para gays e lésbicas

A  ILGA só obteve o estatuto de utilidade pública em  2008

Lusa  A ILGA só obteve o estatuto de utilidade pública em 2008

A ILGA – Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual e Transgénero – integra pela primeira vez a lista das entidades autorizadas, pelo Ministério das Finanças, a receber parte dos impostos, 0,5%, dos contribuintes.

Leia mais sobre os donativos deste ano do IRS na edição de hoje do ‘Correio da Manhã’.

Sinto-me, claro, compelida a escrever para lá uma coisa destas:

Assunto: Vosso exclusivo “Donativos para gays e lésbicas”
Data: Tue, 23 Mar 2010 10:51:14 +0000
De: tangas <tangaslesbicas@gmail.com>
Responder-Para: tangaslesbicas@gmail.com
Para: direccao@cmjornal.pt
CC:

Exmos. Senhores Octávio Ribeiro, Armando Esteves Pereira e Eduardo Dâmaso,

Em referência ao exclusivo em epígrafe, da autoria da senhora Sónia Trigueirão, gostava de fazer os seguintes rapros:

1. A ILGA não é a “Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual e Transgender de que fala o artigo, mas sim a Internacional Lesbian and Gay Association.

2. Será que a lista do Ministério das Finanças é a responsável pela gaffe?

3. E a ILGA de que falam não é com certeza a associação internacional, mas a ILGA-Portugal, sua associada.

4. Depois, nenhum gay e nenhuma lésbica vão receber donativos em nome individual, mas sim uma associação que defende os direitos de gays e de lésbicas, assim como de bissexuais e trangenders.

5. Se a senhora Sónia Trigueirão deixou escapar estas miudezas, apesar de estes temas estarem já bastamente divulgados e debatidos, qual é o papel do editor, do chefe de redacção e dos directores nestes casos?

6. Qual é o papel da língua portuguesa nos meios de comunicação como o de V. Exas.?

A seguir, o João Paulo da PortugalGay, teve a gentileza de esclarecer “que na listagem do Ministério das Finanças apenas aparece: 503777331 ASSOCIAÇÃO ILGA PORTUGAL.” O João Paulo acha que a minha missiva não esclarece a diferença entre a ILGA e a ILGA-Portugal. Eu creio que a questão não é essa, mas sim a ignorância do que é a Associação, independentemente da designação. Ora, sendo os jornalistas pessoas a quem é exigido, pelo menos, o 12º ano para poderem ter uma carteira profissional e o respeito por um código deontológico, já para não falar de um excelente domínio da língua portuguesa e que a autora da ‘caxa’ pertence à secção Grande Reportagem do CM, que mais deveria eu ter posto no meu singelo email?