Um tema que enche jornais e televisões, debates e controvérsias, que chega a raiar demissões parlamentares é o orçamento. Ora, creio eu, o papel do orçamento no hamor é tão importante como na figura (in?)suspeita do Estado.
Quero com isto dizer que a manutenção de algum período temporal do hamor, por curto que seja, está directa e proporcionalmente relacionado com aquilo que se estiver disposto a investir nele.
Mas não se pense que é apenas uma questão de quantidade. É muito importante não só o valor do investimento como a sua distribuição.
O muito e mal distribuído pode ser bem pior que o pouco mas que chegue para todas. As necessidades, leia-se!
Vejamos. Numa relação hamorosa há milhentos asteriscos, quero com isto dizer, uma enorme quantidade de coisas a que se tem que dar atenção. Ao hamor propriamente dito, à nossa família, à familia da outra, aos nossos amigos, aos amigos da outra, ao trabalho, nosso e da outra, às actividades desportivas em toda a sua diversidade que vão da prática diária à assistência exaustiva dos vários canais da Sport Tv e da Eurosport, ao ócio, ao tempo a dois, aos programas de fim-de-semana, às compras, às finanças da casa, à saúde, ao humor, às queixas, aos perdões, aos projectos, em suma, à lufa-lufa das vinte e quatro horas do dia.
E para nós? Sim, sim, para o nosso euzinho não fica nada? Ora, logo para nós que sempre fomos a coisa mais importante das nossas vidas,
E aqui, minhas amigas, é que está o sarilho. De uma forma ou de outra, o que temos para dar não é suficiente para tudo isto. Os por quês, cada um sabe dos seus…….e das suas.
O que de facto acontece é que, bem ou mal, cada uma de nós arranja sempre algumas horas para o “eu”, com muito esforço ainda se conseguem uns minutinhos para o “teu”, mas como não somos de elástico, acaba por não haver paciência, dedicação, espaço e tempo para o “nós”. O hamor não chega para tanto.






11 comentários
Comentários feed para este artigo
Março 26, 2010 às 1:01 pm
tangas
ahahaha – ainda hei-de vê-la a sucumbir ao défice hamoroso e depois a arranjar PECs para nos explicar que afinal não é bem assim e que grécias todos temos e que não há como apertar o cinto para voltar tudo ao lugar e que as dietas são inevitáveis e que a economia hamorosa é mesmo assim e de vez em quando é preciso reconhecer que não se leram todas as letrinhas miúdas dos asteriscos…
Março 26, 2010 às 1:05 pm
Luanda69
Já ouvi muitas vezes essa frase do “preciso de tempo para mim”. Produz sempre um grande efeito, deixa suspensa no ar a possibilidade de realizações magníficas mas a verdade é que Deus nos livre de termos esse tempinho para nós. Alguém sabe o que fazer com ele? Eu geralmente acabo no sofá sozinha, progressivamente mais aborrecida e indignada com o egoísmo dos outros e a pensar em tudo o que poderia fazer se tivesse mais tempo para “mim”.
Se eu fosse verdadeiramente honesta diria apenas: – “Estou de saco cheio, já não te posso ouvir, vai dar uma voltinha e deixa-me em paz um bocadinho”. Mas nesse caso o problema seria só “meu” e não “teu” o que seria uma pena, cá entre “nós”!
Março 26, 2010 às 1:21 pm
pagunatanga
Menina Tangas, por acaso enlouqueceu*? Eu posso sucumbir mas é perante uma rocha escarpada, o Ama Dablam, o Eiger, o FCP, isso sim, são coisas pelas quais se pode e deve soçobrar. Aí vale gastar o orçamento todo.
Menina Luanda, nunca ouviu dizer que melhor só que mal acompanhada? E qual é o mal de estar no sofá sozinha a ver coisas radicais? E depois, quando estiver de “saco cheio” da sua pessoa, sempre se pode transformar em outras….rsrrs…mas do mesmo género, claro.
Eu a sucumbir ao défice hamoroso?!!!! Ah ah ah ah ah ah ah ah….ainda me estou a rir. Teve muita graça.
Março 26, 2010 às 4:27 pm
Luanda69
Não seja tão ‘radical’! Lembre-se – ‘Há males que vêm para bem’…
Março 26, 2010 às 4:50 pm
pagunatanga
E há hamores que vêm para o mal.
Vá por mim, não se meta nisso.
Março 26, 2010 às 5:20 pm
tangas
ai, menina pagu… não quero agoirar nem nada, mas vai que um dia destes lhe acontece? atira-se ao rio? foge para o rio? esvazia o rio?
Março 26, 2010 às 7:08 pm
Tamborim
Cof cof… Estou que entre mortes e feridas, alguma há de escapar! Hoje ocorre-me o sambinha “Lealdade”. Alguém sabe?
Março 26, 2010 às 7:09 pm
Tamborim
- no há-de sff
Março 26, 2010 às 9:27 pm
pagunatanga
Quais mortes, quais feridos, quais agoiros……estou ilesa mulheres, ilesa.
E fugir para o rio, hum….. só se fosse o de Janeiro…..que também poderia ser em Fevereiro e Março….aquele abraço….(agora até parecia a menina Tamborim e as suas cançonetas.
Março 26, 2010 às 9:37 pm
pilantra
Sou uma infeliz: nasci sem qualquer grama de talento para a contabilidade.
Já me tem valido algumas tentativas de polémica, essa qualidade. Mas não são coisas que a minha memória retenha. Sou mais do é pegar ou largar, não há promessas e o que for, logo se verá: nada de carroça à frente das vacas.
Quando a filosofia se impõe, diz-me a experiência que tenho o caldo entornado: o melhor é mudar de casa.
Viver sozinha será mau, mas viver mal acompanhada é péssimo – e com uma grila falante nem pensar!
Março 27, 2010 às 11:45 pm
pagunatanga
Ah menina Pilantra, mesmo com muito jeito para contabilidade, matemática e essas coisas medonhas que metem números, no assunto em apreço nem a prova dos nove nos salva.
Arreda! Arreda!