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Tal como na cerimónia de Los Angeles se homenageia o cinema em geral e os seus intervenientes em particular, também no hamor o prémio não pode ir inteiro para uma só pessoa. Eu pelo menos não acredito nisso.

Imaginamos que os Óscares para Melhor Abraço, Melhor Companhia, Melhor Beijo, Melhor Sexo, Melhor Gargalhada, Melhor Parceira, Melhor Projecto de Vida, possam ser atribuídos ao mesmo ser humano?

É difícil que alguém, por mais bonito, doce, inteligente, capaz e maravilhoso que seja, consiga reunir em si mesmo tudo o que nos faz feliz. Diga-se de passagem que eu penso que seria tarefa demasiado grande, penosa e cansativa para uma só pessoa. Não há estatueta que mereça uma maldade tão grande.

Não raro, em conversas de rodapé, escutamos que não sei quem é muito boa pessoa mas muito sem graça, que sicrana é muito bonita mas uma lástima no social, que fulana é generosa e meiga mas uma desgraça na cama.

Desde pequenos que nos incutiram a noção que a perfeição não existe, mas lá bem no fundo, pelos menos até metade da terceira década das nossas vidas, pensamos ser capazes de inverter essa tendência universal. Mais ano menos ano, mais engano menos engano, mais lágrimas menos lágrimas, percebemos que não é nada assim.

Então, estamos de novo perante mais um exercício de elasticidade emocional  a que genericamente se chama de opção: ou ficamos eternamente à procura de alguém que obviamente não existe, ou damos graça pela pessoa que, com qualidades, feitios  e defeitos, faz os impossíveis para nos fazer sentir a pessoa mais importante do mundo. Ou, em casos de mais grave descaramento, aproveitamos o melhor de cada uma.

And the oscar goes to….. Hamor!!!

Se o hamor no seu registo singular já é complicado e difícil de entender, quando constatado na forma acrescentada é absolutamente de enlouquecer qualquer mortal.

É atroz, é de vómitos, é de provocar suicídios. No próprio e no outro.

O hamor acrescentado é aquele que se exacerba no expoente máximo da parvoíce. Tudo é levado ao extremo, tudo é encarado como definitivo e único.

Esta é a forma de hamor que não só se recusa a pensar como a sentir qualquer outra coisa que não diga respeito ao objecto idolatrado.

Os anteriores gostos, sonhos e desejos são subitamente esquecidos e em casos de patologias hamorosas terminais, transformam-se em ódios ancestrais.

Não pensamos por nós, o que obviamente só pode dar asneira. Quer dizer, mais asneira.

O hamor acrescentado, por ser ele próprio de dimensões impróprias, faz-se pagar principescamente. Cobra balúrdios, acrescido de juros, coimas, tudo aquilo que justifique o que dá em prol do outro.

Ora aqui está mais um berbicacho. Mas porque raio temos nós que pagar em dobro, triplo ou qualquer coisa assim, por algo que não pedimos?

Ainda arengamos algo como estarmos a sentir-nos asfixiados, apertados, controlados, mas tudo isso é justificado pelo hamor com que nos brindam em cada nano segundo da nossa existência.

O hamor acrescentado sufoca, gasta, desgasta, esgota a paciência, o humor e a vontade de continuar. O hamor acrescentado é por isso uma relação unilateral. Ainda por cima doentia.

Menos penoso e mais saudável é o hamor em que todos os dias se acrescenta.

Faz aos outros como gostas que façam a ti...

… como gostas que façam a ti! :D

(resposta ao Dr. Paulo Otero em relação ao exame relatado aqui)

- Olha lá, por acaso tens lido aquelas crónicas do hamor, às 6ªs feiras?

- Sim, sim, tenho passado os olhos por lá…

- E então?

- Então o quê?

- É pá, ando preocupada. Já pensaste se aquilo tudo que lá aparece, ou pelo menos grande parte, é verdade?

- Hum….Tu achas?

- Por muito que não queira admitir, acho sim. Aliás, no meu caso assenta que nem uma luva. Parece que a dita sabe a minha vida de trás para a frente.

- Já me tinha passado isso pela cabeça. Acho que a fulana me incomoda. Exaspera-me.

- Que grande barraca. Mas que grande maluqueira. Parece a consciência, sempre atrás, sempre a moer, a dizer coisas, a prever outras…parece que me lê o pensamento.

- Pois a mim acho que me decifra as intenções, até melhor que eu mesma.

- Eu para não ter que lhe dar razão prefiro nem deixar lá nenhum comentário…

- Mas porque raio tinha ela tem que vir dizer aquilo tudo daquela forma desabrida e quase brutal? Não podia falar de outra coisa?

- Como diz o anúncio, poder podia mas não era a mesma coisa. No fundo, no fundo, até hoje não dei que ela tivesse dito mentira nenhuma. O que não me incomoda menos, diga-se.

- Olha lá, achas que ela é prima?

- Hum….será?

- Bom, para dizer aquilo tudo é bem provável.

- Deve ser intratável.

Izabela Jaruga-Nowacka, uma das maiores vozes da defesa dos direitos lgbt na Polónia, estava entre os passageiros do Tupolev que ontem se despenhou e vitimou o presidente daquele país.

Jaruga-Nowacka, que desempenhou as funções de primeira-ministra indigitada entre 2004 e 2005, foi uma das pessoas que fez frente a Lech Kaczynski, que baniu oficialmente o Gay Pride de Varsóvia.

“Somos pela democracia. Pela protecção de todos os direitos humanos, não apenas por alguns grupos maioritários na Polónia. Todos os cidadãos têm o direito de escolher a sua forma de vida”, declarou na altura Izabela.

“Estou aqui para expressar o meu protesto contra a decisão do presidente [de banir as paradas lgbt], que é uma violação da constituição polaca e de direitos civis. Estou aqui para mostrar o meu respeito pela tradição polaca de tolerância”, contrapôs, em resposta à pretensão de Kaczynski de que a homossexualidade levará à destruição da raça humana.

A sua defesa dos direitos lgbt foi muito atacada pelos conservadores polacos.

(Fonte: LGBT News)

All rights reserved Tangas Lésbicas 2010

Ser simultaneamente possuidora e possuída pelo hamor acontece uma vez em seis bilhões e meio. Mas de facto, parece que há provas que esse milagre se dá de tantos em tantos séculos.

Esse momento, misto de subtil clique e explosão atómica, deveria ser um retiro, um oásis, um segredo, uma alucinação, um derramamento constante de pulsões arrebatadoras e desconcertantes sobre o comportamento humano.

O hamor deveria bastar-se a si próprio. A bem dizer, o hamor deveria se consumir no enlevo dos olhos nos olhos, mãos nas mãos, borboletas na barriga, suores na espinha e outras bazarouquices do género.

Hamava-se e pronto.

Mas não, o hamor não se recolhe e contenta. O hamor gosta de dar um ar da sua graça, ou vários ares consoante as oportunidades lhe sorriam.

O hamor, sempre bem disposto e galhofante, concentra em si o desejo de se multiplicar e ser muitos. Hamor que é hamor não se guarda. Partilha, oferece, seduz e encanta com a mesma cara de pau com que vira as costas, resmunga e bate a porta sem olhar para trás.

Pega-se assim numa mão cheia de hamor, espera-se a altura ideal, dá-se o adubo indicado a cada caso e vai de largar a semente, regar a gosto e esperar para ver nascer aquelas pontinhas que nos dão o orgulho abestalhado de sermos afinal uma espécie de jovens agricultoras que percebem muito da poda e sabem bem qual a melhor altura de colher o que de tão bom grado semeámos.

Os sarilhos surgem é quando a colheita nos dá, apesar da emoção de ver crescer alguma coisa, uma quantidade ingovernável de dores de cabeça, chatices, problemas, encrencas, pesos na consciência, perdas de confiança e rupturas que chegam a nos deixar o peito em frangalhos.

Mas claro, depois de um breve período da terra em pousio, vem sempre o dia em que achamos que está na altura de deitar de novo as mãos à obra. Há-de ser o que a terra der!!!

Lesbian Wedding - All rights reserved

O Tangas aceita, a partir de hoje, inscrições para casamentos de primas e primos, com descontos especiais para véus e bouquets com desenho especial só para este blogue. Serviços exclusivos para todos os credos e religiões. Muita discrição – ou espalhafato, no caso de requisição especial. Copo d’água a inesquecível. Lua de mel com tarifas especiais. Façam o favor. Tudo para quem quer dar o nó. E descobrimos que os conjuntos fatelas cobram o mesmo para tocar que os músicos de alto gabarito. Isto é que vai ser um verão à maneira :)

Estamos nós a pensar que desta vez é que é, que a dita cuja é a pessoa ideal, a mulher perfeita, quem nos tira o fôlego, a fome e mais não sei o quê, que é tudo o que sonhámos e nem sequer sabíamos que existia, enfim, essas parolices que as pessoas inventam sempre que decidem que querem sentir-se apaixonadas, quando eis se não quando, num jantar de sábado à noite, damos por nós a achar mais graça do que seria suposto à amiga de uma amiga de uma amiga nossa. Assim mesmo, amigas em terceiro grau.

De início é só piada, claro. Uma graçola aqui, outra ali, sou comprometida, tu idem, também gosto muito de folares da Páscoa e coisa e tal, mas olha lá porque é que tu e a tua namorada não vão lá jantar a casa no sábado, então e onde é que trabalhas, sais a que horas, queres ir beber um café……

Está tudo enquinado. Quando se chega à parte de ir beber o café antes de cada uma rumar a sua casa, o caso está à beirinha de ficar irremediavelmente perdido.

Já vimos essse filme várias vezes. Mas agora há uma diferença. Antes não tinha grande importância, afinal de contas estávamos a prazo num suposto romance. Mas agora, hum….logo agora que tinhamos encontrado o nosso hamor que tanto trabalhinho nos deu a conquistar e ainda mais a conservar…

É claro que vamos beber o tal café e que o silêncio surdo que se instala entre a conversa abobalhada e os olhares fulminantes para os ponteiros do relógio que continuam a rodar como loucos, diz tudo o que gostaríamos de fazer mas que preferimos, se não esquecer, pelo menos adiar.

Outros tempos e umas quantas experiências já nos ensinaram que quem tudo quer tudo perde.

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