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Acaba hoje o prazo (prolongado) para a entrega de contos. Quem ainda quer participar na III Colectânea de Contos Tangas Lésbicas, 2010, têm de se apressar pois, à meia-noite fecha o guichet.

Recebemos, até agora, mais de três dezenas de contos. Pudemos notar um salto qualitativo do primeiro para o segundo concurso e, neste terceiro, voltámos a notar diferenças.

Não queremos dizer, claro está, que há contos melhores na segunda colectânea e ainda melhores na terceira. Nada disso. O que se nota é uma coisa mais subtil, que tem que ver com os assuntos escolhidos para relatar e a forma adoptada para o fazer.

É muito interessante constatar que se regista um amadurecimento na forma de escrever das nossas autoras e isso é muito gratificante.

Ficamos pois à espera das doze badaladas para fechar o concurso. Para o ano há mais.

Quem pense que o Sudoku é apenas um entretém para as viagens de metro, está muito enganado. Aquele joguinho com ar inocente e até ingénuo, é um autêntico manual do bem viver.

A estratégia de que as coisas têm que estar todas dentro do seu sítio, fazer parte de um mesmo eu todo ele cheio de ciência e lógica, mas nunca se cruzando umas com as outras, é de extremo saber.

Assim deverá ser com o hamor. Todo ele está inserido num contexto de rocambolescos itens, todo ele faz parte e é uma parte do todo, todo ele encaixa, flutua, bate certo e até pode chegar a durar seis meses, se para tanto houver saber e paciência. Mas para isso não poderá cruzar-se com absolutamente mais nada.

Por exemplo. Enquanto no famoso jogo japonês, os itens são os números de 1 a 9, no hamor podemos colocar o hamor em si mesmo, os ex-amores, os amigos, os futuros hamores, as famílias, o trabalho, os quase hamores, o ócio e a liberdade.

E aqui minhas amigas, é que a coisa dá que pensar. Começamos a colocar os ditos itens nos quadradinhos do nosso quotidiano e andamos sempre aos tropeções em temas que se cruzam, colidem ora na vertical ora na horizontal, e que não nos deixam chegar ao fim.

Por vezes estamos quase quase a conseguir acabar o jogo, que é como quem diz, organizar a nossa vida, e lá damos conta mais uma vez que misturámos as coisas e que temos de começar tudo de novo. E digo começar de novo e não recomeçar por que isso é impossível.

É precisa muita arte e engenho para que nada se atravesse, multiplique, repita, desdobre, apareça fora do sítio. Tem que existir tudo mas no espaço e tempo próprios e dentro de uma determinada ordem e compartimentação.

É a única forma que conheço de vencer o desafio.

 -Ah meu hamor! Finalmente! Finalmente! Agora sim, podemos concretizar o nosso grande  sonho.

 - Mas estás a falar do quê? É aquela história das férias em Cancun? Achas que dá para irmos?

 - Quais férias quais carapuça. Estou a falar de casarmos. Dar o nó. Trocar alianças.

 - Ah! É isso……

 - Ora, mas não és tu que andas a falar nisso desde que nos conhecemos?

 - Sim, claro, mas……

 - Mas o quê?

 - Sinceramente, achas mesmo que é preciso?

 - Se eu acho que é preciso? Então mas não foste tu que me pediste em casamento?

 - Fui…fui. Fizemos até uma festa com o pessoal todo, lembras-te?

 - Claro que me lembro. Agora podemos fazer um casamento à séria, daqueles como deve ser.

 - É pá, não sei….hummm…..acho a ideia manhosa. Já pensaste na confusão que isso vai dar? E se os meus pais vierem a saber? E os meus colegas de trabalho?

 - Eu nem acredito no que estás a dizer. Afinal de contas, a ideia de um casamento convencional sempre foi tua.

 - Dizes bem, foi. Foi. No passado. Agora já não é. Estamos bem assim, não vejo razão nenhuma para mudarmos seja o que for.

 - Mas onde é que está o grande hamor que sentes por mim?

 - E por acaso os sentimentos têm alguma coisa a ver com assinar papéis?

 - Não se trata disso. O que está aqui em causa é que durante anos me falaste em casar e agora que temos a oportunidade estás a fugir com o rabo à seringa.

 - Não é bem isso, só que equacionando bem as coisas, acho que me vai trazer mais problemas que benefícios.

 - Ah…….entendo……vou fingir que entendo…..

 - Vá lá, não fiques chateada. Olha, fazemos o seguinte. Esquecemos agora esta história e depois quando pudermos adoptar uns bebés, nessa altura falamos nisto outra vez, está bem? Assim teremos uma família mesmo mesmo a sério….

Copiem e colem nos vossos blogues e redes sociais

De que estão à espera? Arregaçar mangas…

Belém promulga diploma do casamento homossexual – RTP Noticias

via Política – Belém promulga diploma do casamento homossexual – RTP Noticias.

O presidente à beira de um ataque de nervos

Não tenho memória que algum dia tenha visto Cavaco Silva tão pálido, enrugado, amarelado e contrariado.

O homem parecia que ía comunicar que tinha contraído uma doença terminal e que lhe restavam apenas três semanas de vida.

Mas não. Toda aquela azia é resultado de o próprio pensar que há problemas gravíssimos que ameaçam levar Portugal a um poço sem fundo e ele ainda tem que estar a perder tempo com coisas mesquinhas que não levam a lado nenhum. Segundo ele, este é um tema que divide as pessoas ao invés de as unir. De que raio estará ele a falar?

Por fim, dando a coisa como inevitável uma vez que o parlamento votaria de novo a favor e só andaríamos a perder tempo, o presidente engoliu em seco e promolgou.

Assim sendo, meu caro presidente, vimo-nos obrigadas a casar.

Contrariadas, amesquinhadas, alucinadas, amalucadas, somos obrigadas a casar.

Olha, paciência, lá teremos que pagar mais essa.

Obrigada presidente. Compre umas Renie. Um pouco de cálcio e magnésio podem fazer milagres por esse estômago.

'Evidências' - elenco do TIC TAC , Teatro Amador de Ciências, dirigido pelo encenador Tó Maia

Um grande programa, de hoje a quinta, às 21h45. Não falhem :)

Se o hamor fosse isso tudo que dizem e pelo qual os menos afortunados de bom senso suspiram, certamente que seria desejado além e sobre todas as coisas.

Qual o quê! O hamor é coisa de desocupados, de quem não tem mais nada para fazer, de quem tem uma vida vazia, sem sentido nem alegria, em última análise, de quem não tem vergonha na cara.

Se a vida estivesse a abarrotar de coisas boas, o dito cujo nunca seria lembrado, quanto mais desejado.

Mas não. No meio de tanta aridez onírica e de falta do que fazer, lá vem o coraçãozito bater à porta da consciência, ou melhor, da inconsciência, assim a modos que envergonhado, a pedir tempo de antena.

Por exemplo, num sábado de chuva, daqueles sem qualquer sabor e com o Gladiador, o Die Hard IV e Onde é que pára a polícia? a passarem na televisão pela décima vez ininterrupta, de repente lembramo-nos disso. “Então e se eu me apaixonasse hoje, hein? Não está a dar nada de jeito na tv, escusava de estar aqui a esvair-me em tédio e sempre me divertia um bocado. Ah! E depois mete beijinhos e abraços e essas coisas que de vez em quando sabem que nem ginjas. Por acaso hoje, com este tempo manhoso, até vinha mesmo a calhar”.

Quando não temos nada melhor para fazer, queremos hamar. Não é por acaso que o provérbio diz que o ócio é a raiz de todos os males.

Se formos medianamente espertos, puxamos da agenda e vamos fazer uma festança longe do domicílio residente. Em casa nunca, jamais, nem em última análise. A nossa casa não é para essas coisas. O nosso lar é um lugar de paz, tranquilidade e bom humor. Não queremos, sob pretexto algum, devassar a sua essência com essa palermice decadente do hamor.

Mas se formos muito, mas muito, muito espertos, inventamos alguma coisa útil para fazer e deixamo-nos de disparates.

Para quem a quantidade e o tamanho tornam tudo interessante :)

Seria imperdoável não assinalar nestas crónicas, o feito notável do João Garcia que conseguiu, após dezassete anos de empenho, fazer os 14 cumes mais altos do mundo, todos eles acima dos oito mil metros. Estes parágrafos são portanto uma singela homenagem a alguém de quem vou sempre sentir inveja, obviamente no bom sentido da palavra.

A partir de determinada altitude, que dependendo da montanha pode variar entre os seis e os oito mil metros, entramos na chamada “zona da morte”, onde o ar é rarefeito e o oxigénio tão pouco que nos pode fazer lélés da cabeça em menos de um foguete. Quer dizer que a pessoa tem que se despachar depressa dali pois as células vão começar a morrer a uma velocidade tal que ameaçam deixar-nos por lá abandonados na beira da montanha, congelados e eternos.

Quer isto dizer que foi necessário um esforço desumano para atingir aquele nível, a pessoa sofreu e penou horrores e agora que está quase a atingir o cume (e “quase” é uma forma de expressão que pode querer dizer alguns dias), começa a definhar, a esvair-se e vai tudo por água abaixo.

Não sei se é ou não por acaso, nunca investiguei, que se fala muito na crise dos sete anos de relação. Ou nos múltiplos de sete. De repente lembrei-me que, num subliminar pressentimento da sabedoria popular, pode ter a ver com a tal zona de morte. O número sete encerra em si mesmo qualquer coisa de perverso.

Bom, voltando ao hamor. Pois ali andam duas alminhas a tentar que as coisas funcionem, a acertarem passos, feitios e defeitos, a chorar rir, a trocar ofensas e promessas como quem muda de camisa, uns dias mal e outros nem tanto, semana após semana, ano após ano e quando finalmente se começam a ajeitar e parece que as coisas até podem dar certo, eis que aparecem num arroubo anunciado de mau augúrio, o tédio, o cotidiano, as chatices, a falta de paciência, o desencanto, a vontade de experimentar outros ares e muitos mares.

Perante a morte eminente, o hamor tem três hipóteses: ou resiste mais um pouco, faz cume e experimenta a felicidade indescritível de não desistir, ou não faz nada e deixa-se consumir nele próprio até ficar inerte, sem fôlego, na beira da vida ou, diz que chega, que não consegue mais, desce, desfaz a tenda, põe a mochila às costas, recupera e parte para outra.

Mas, aconteça o que acontecer, quando olhar para  o topo da montanha, pode sentir o coração apertado e pensar que talvez numa próxima vez, em outra altura, noutras circunstâncias, quiçá com mais saber, menos medo, mais experiência, menos debilitado, mais crédulo, com outra pessoa…..

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