Quem pense que o Sudoku é apenas um entretém para as viagens de metro, está muito enganado. Aquele joguinho com ar inocente e até ingénuo, é um autêntico manual do bem viver.
A estratégia de que as coisas têm que estar todas dentro do seu sítio, fazer parte de um mesmo eu todo ele cheio de ciência e lógica, mas nunca se cruzando umas com as outras, é de extremo saber.
Assim deverá ser com o hamor. Todo ele está inserido num contexto de rocambolescos itens, todo ele faz parte e é uma parte do todo, todo ele encaixa, flutua, bate certo e até pode chegar a durar seis meses, se para tanto houver saber e paciência. Mas para isso não poderá cruzar-se com absolutamente mais nada.
Por exemplo. Enquanto no famoso jogo japonês, os itens são os números de 1 a 9, no hamor podemos colocar o hamor em si mesmo, os ex-amores, os amigos, os futuros hamores, as famílias, o trabalho, os quase hamores, o ócio e a liberdade.
E aqui minhas amigas, é que a coisa dá que pensar. Começamos a colocar os ditos itens nos quadradinhos do nosso quotidiano e andamos sempre aos tropeções em temas que se cruzam, colidem ora na vertical ora na horizontal, e que não nos deixam chegar ao fim.
Por vezes estamos quase quase a conseguir acabar o jogo, que é como quem diz, organizar a nossa vida, e lá damos conta mais uma vez que misturámos as coisas e que temos de começar tudo de novo. E digo começar de novo e não recomeçar por que isso é impossível.
É precisa muita arte e engenho para que nada se atravesse, multiplique, repita, desdobre, apareça fora do sítio. Tem que existir tudo mas no espaço e tempo próprios e dentro de uma determinada ordem e compartimentação.
É a única forma que conheço de vencer o desafio.





14 comentários
Comentários feed para este artigo
Maio 28, 2010 às 5:21 pm
Luanda69
Menina Pagu, mais uma vez terei de discordar de uma das suas crónicas de ‘Hamor e maldizer’.
Uma coisa que sempre gostei no ‘hamor’ foi a sua faceta anárquica e avassaladora. O ‘hamor’ para valer a pena tem de ser selvagem, desmesurado, irracional. Tem de ‘aparecer fora do sítio’, escrever torto por linhas direitas e mesmo colorir fora destas. Não pode ser numerado, ordenado e compartimentado em quadradinhos tipo celas de cadeia. É por essas e outras que depois o ‘hamor’ definha e morre e temos de começar tudo de novo com outra pessoa. O ‘hamor’ não pode ser domesticado e não sobrevive ao cativeiro.
O ‘sudoku do hamor’ cheira-me a crime premeditado, qualificado e privilegiado. Vamos quebrar essa tabela e misturar tudo à laia de ‘sopa de letras de hamor’.
Maio 30, 2010 às 12:25 am
pagunatanga
Entendo bem esse seu comentário revelador de grande inocência e coração naif.
Também já fui assim mas curei-me.
Essa coisa que chama de avassaladora, não é de modo nenhum o hamor. É outra coisa, cujo nome ainda não foi inventado.
Seja como for, se queremos ter algum tipo de coerência mental e lucidez de actos, fujamos de ambos.
Maio 31, 2010 às 6:18 pm
Luanda69
E curou-se como? É que o ‘hamor’ é como ‘encosto’, quando pega nem remédio, nem mezinha, nem voodoo, nem juju, nem exorcismo, nem nada. Vá, não faça segredo.
Junho 1, 2010 às 12:31 pm
tangas
muito banho de sal no mar, claro. e caipirinhas…
(agora uma adivinha: em que costas?)
Junho 1, 2010 às 5:10 pm
pagunatanga
Menina Tangas, está cheia de piada hoje, hein?!
Em que costas? Nas minhas, ora, sempre carregadas com a mochila. Era a isso que se referia, não era?
Junho 2, 2010 às 8:27 pm
tangas
nope…
Junho 3, 2010 às 8:24 pm
pagunatanga
Pois sendo assim não sei que lhe diga. Não me lembro de que outras costas possa a menina estar a falar.
Vou pensar sobre o assunto mas realmente não me lembro de mais nada.
Mas fica combinado que assim que souber lhe comunico.
Junho 1, 2010 às 5:08 pm
pagunatanga
Menina Luanda, nada pode ser mais forte que a nossa força de vontade. Se é para arredar é para arredar e pronto.
Qual mezinha qual quê. A pessoa repete mil vezes, em voz alta, que já não quer e está tudo resolvido.
Apre! Tenho que ser eu para tudo. Vou pedir um subsídio à Tangas.
Junho 1, 2010 às 5:59 pm
Luanda69
Não quero, não quero, não quero, não quero, não quero (e vão cinco), não quero, não quero, não quero, não quero, não quero (e vão dez), não quero, não…. Aaahhh, que se lixe… quero, quero, quero, quero, quero, quero, quero, quero muito!!!
Junho 2, 2010 às 11:08 am
pagunatanga
Vê menina Luanda, não tem perseverança bastante. Desiste logo à 11,5º vez.
Hum…….assim não vai lá. Há que suar bastante, há que lutar, há que repetir pelo menos cem vezes.
Vá, tente, tente……se for esse o caso, claro.
Qualquer dúvida, aqui estou para encorajar.
Junho 2, 2010 às 3:08 pm
Luanda69
De facto, tenho muitas dúvidas, sendo que a primeira é: – Será que me interessa?”.
Junho 2, 2010 às 7:44 pm
pagunatanga
Olhe lá menina Luanda, eu estou aqui a gastar mente e teclas para quê?
Claro que lhe interessa. Nada como uma mente livre para o que realmente interessa.
Acha que eu estou aqui para enganar alguém?
Junho 2, 2010 às 11:51 pm
Tamborim
Ai melher! Isso deve ser complicadérrimo, a avaliar pelo sudobunda, cof cof, ku! Estou mais pela Luanda neste particular, que seja selva e infinito e faminto! E me chame naif, me chame naif vá.
Junho 3, 2010 às 8:20 pm
pagunatanga
Naif! Naif! Naif!
Menina Tamborim, alguma vez deixei aqui alguma dica assim a modos de quem quer enganar alguém?
Vá por mim, não caia nessa palermice. Dedique-se a outra coisa. A mil folhas, por exemplo…..sei lá, alguma coisa verdadeiramente interessante e útil.