Longe vão os tempos em que o poder dos sentidos fazia realmente sentido. Ver, ouvir, cheirar , apalpar e degustar tinha o condão de despertar verdadeiras tempestades de emoções e delírios. E de parvoíces, acrescento eu.
Aquele olhar de soslaio, o sorriso dissimulado por trás de segundas e terceiras intenções, o leve toque das mãos mais que premeditado mas que deve parecer casual, o jeito de falar, a entoação martelada, doce ou súbtil das sílabas, a voz que faz estremecer, enfim, o tomar nas próprias mãos o objecto do encanto e do desejo.
Mas isso era no tempo em que as relações duravam mais que os hamores e as pessoas se mantinham juntas até que a morte as separasse. Com ou sem hamor.
Nos tempos que correm, tudo isso foi substituído pelo poder endemoinhado da internet e cada enter que damos é um provável passo a mais para o abismo. E quando aqui falo em despencarmos no precipício, sei que todas vocês já entenderam muito bem a que me refiro.
Blog após blog, chat para cá chat para lá, comentáriozinho aqui mas também ali e vai daí o caos está instalado na nossa vida. De um momento para o outro, entre um site e um link, lá estamos nós a pensar naquele interessante dixote que alguém colocou por lá, naquela míuda que nos parece tão engraçada, no próximo encontro das lesgiras.
Ah! O que é um olhar profundo e emocionado nos olhos da outra, perante o efeito magnetizante e paralizador de um LOL, um RSRSRRS ou mesmo um KKKKKKKK?
E pronto, o caldo entorna-se como quem não quer a coisa mas querendo. Será que me faço entender?
Portanto minhas queridas parceiras destas linhas, em vez andarem para aí a deixar cair lencinhos e a seduzir as incautas, vão mas é ver sites de montanhas, culinária, rendas de bilros….sei lá…..assim coisas menos complicadas que as mulheres.





12 comentários
Comentários feed para este artigo
Agosto 12, 2010 às 11:02 pm
righpa
Pois que voto nos sites das montanhas e novos sítios ou desafios a viver … mas voto mais ainda nos olhares, é que isto de apenas palavras são setas vãs da menina cupida … há lá coisa melhor que a bela flechada de um olhar?
Agosto 13, 2010 às 9:41 am
pagunatanga
Pois eu entendo muito bem o que diz mas olhe que a flechada de uma teclada também pode ser “mortal”……….menina Righpa, pelo sim pelo não, eu prefiro as alturas…..rsrsrs
Agosto 14, 2010 às 6:49 pm
righpa
As alturas e todas as vertigens lolol
Não lhe tiro a razão, como diz a Silence, “A grande vantagem da tecla, é termos a oportunidade de gostar das pessoas enquanto ser humano” … pois que por isso mesmo me esforço para continuar a preferir a vertigem vivida, primeiro a flechada do olhar e depois toda a descoberta … boas alturas dona Pagu
Agosto 14, 2010 às 10:24 pm
pagunatanga
Pois também gosto de vertigens sim senhora….rsrsrs……e claro que a Silence tem lá a sua quota parte de razão, sobretudo quando do outro lados das teclas e dos enters, as pessoas se mostram como realmente são.
E a descoberta é mesmo a melhor parte…..srrsrs
Agosto 12, 2010 às 11:42 pm
Tamborim
Tem visto muitos sites de montanhas menina Pagu? Há que ver e meditar no poder redentor do cume. Crónica pertinente e sempre actual. Enter:)
Agosto 13, 2010 às 9:42 am
pagunatanga
Ah menina Tamborim, o cume! o cume! e tanto que aqui poderíamos falar sobre o cume.
Mas tenho para mim que a redenção começa bem mais em baixo….rsrsrs….mesmo antes do ar rarefeito. É coisa de todos os dias.
Agosto 13, 2010 às 1:13 am
Silence
Ora, eu que não percebo nada de História, cheira-me que a culpa disto é da Revolução Industrial. A maquinaria veio dar muito jeito mas também muitas dores de cabeça.
Eu diria que as duas coisas não vivem uma sem a outra. O Homem já não vive sem máquina e a máquina precisa de um homem (quanto mais não seja para carregar no botão)… isso da auto-suficiência é uma bela tanga…
A grande vantagem da tecla, é termos a oportunidade de gostar das pessoas enquanto ser humano, é como fazer hamor de olhos vendados, o sentir é diferente, não há embalagem. Encantamos-nos por pormenores que não seriam detectados num olhar ou numa caricia. Pra mim não é melhor nem pior é diferente. Não tem mais nem menos problemas, porque o problema é mesmo hamar.
Por vezes o cair no abismo pode deixar de ser visto como “perigo” e passar a ser a melhor experiência da nossa vida. Basta perdermos o medo e arriscarmos. A sabedoria popular diz-nos: “Quem não arrisca não petisca” e “Quem não cria, não tosquia”.
Mas continuo a pensar, quando ouvimos uma mulher a dizer:
- “Não quero mais mulheres na minha vida”
o que ela realmente quer dizer é:
- “Ainda não encontrei o meu abismo”.
Agosto 13, 2010 às 9:45 am
pagunatanga
Menina Silence, não tinha pensado nessa coisa da revolução industrial, mas já que falou nisso, penso que a culpa de tudo isto pode muito bem ter começado com a invenção da roda e do fogo.
E tem muita razão, as mulheres raramente dizem o que na verdade pensam e sentem. Será uma questão de charme?….rsrsrs… ou o problema é mesmo hamar?
E bom seria petiscar sem arriscar mas não existe o mundo perfeito….rsrsrrsrs
Agosto 14, 2010 às 7:49 am
tele sexo
otimo texto
Agosto 14, 2010 às 10:25 pm
pagunatanga
Muito grata. Apareça mais vezes. Boas vindas!!!
Agosto 17, 2010 às 3:25 pm
Luanda69
Bom, sobre este assunto só me ocorre dizer, a favor das teclas, que é mais fácil fazer um ‘Ctrl+Alt+Delete’ do que dizer na cara e na lata que precisamos de ‘dar um tempo’…. Quanto ao resto, tudo a perder! Olhares a Times New Roman, palavras marteladas em ‘tec, tec, tecs’ e dedos a roçar no plástico não me cheira. Não dou para as virtualidades do hamor, passe o megabyte!
Bom, G2G. Bjs.
ESC.
Agosto 17, 2010 às 10:19 pm
pagunatanga
Bem vinda menina Luanda, já tinhamos saudades do seu humor sarcástico e oportuno.
Concordo consigo em relação às três teclas que menciona mas que é um grande berbicacho, lá isso é. Cada tecla que carregamos é mais um passo para o abismo e depois não há delete que nos salve…rsrsrs
Mas menina Luanda, não diga nesta tecla nunca carregarei ou este enter nunca darei…..rsrrss….os megabytes castigam olhe bem para o que lhe digo….rsrsrs