Poucos objectos nos permitem uma aferição tão certa do peso das coisas como uma balança. O ponteiro, ou os números, dão-nos a indicação exacta do seu “tamanho” , peso, dimensão. De quanto elas valem, independentemente de as carregarmos nos braços, às costas ou no coração.
O problema é que muitas coisas podem pesar o mesmo que uma só. Ah pois é. Estamos nós ali a valorar um monte de coisas boas que um hamor tem, o pratinho da balança já despencou a transbordar de virtudes, agradinhos e doçuras e eis se não quando, aparece uma só coisa que pesa tanto (quando não mais) e que equilibra os pratos, perante o nosso ar estupefacto, incrédulo e zangado.
Então, minhas amigas, estando os pratos da balança lado a lado, equilibradinhos a nível, pesando o mesmo, afinal qual deles vale mais? Aquele a abarrotar de pequeninas coisas? Ou o outro com apenas uma mas enorme?
Aqui está o cerne da questão, o peso às vezes é irrelevante e não tem nada a ver com o assunto. O mesmo se passa na valoração dos hamores.
E com todas estas dúvidas, incertezas, confusões, contas de somar e de sumir, está instalado o sarilho.
Pois sim, dirão vocês, mas então como é que uma pessoa escolhe? Manda moeda ao ar? Por ordem alfabética? Pelo melhor humor? Melhor sexo? Melhor cozinheira?
É exactamente neste ponto da encruzilhada, que me lembro do final de um dos meus filmes preferidos, em que o fulano, tem que decidir entre duas pessoas que hama muito. Quando se tem que justificar perante aquela a quem vai dizer tchauzinho, esta pergunta-lhe se hama mais a outra, que por acaso até é a mulher dele mas isso agora nem vem ao caso.
Atentem bem na resposta demolidora dele: “hamo há mais tempo”.
Pammm!!!! Será o este o factor de desempate? O tempo? Os anos? A duração da coisa?
Bom, perante isto e a ser assim, até podemos pensar que o berbicacho está solucionado por si mesmo. Assim a modos que uma coisa do género, o tempo cura tudo, o tempo é o melhor remédio, uma mão lava a outra, o hamor resolve-se e dissolve-se no hamor e assim por diante e venha de lá um grande viva ao hamor.
Qual o quê!!!!!
Todos os finais de tarde quando o dito personagem atravessa a ponte ao voltar para casa, o nome que a brisa fresca lhe trás em surdina não é o da mulher com quem escolheu ficar.
Acontece com todos, seja a atravessar uma qualquer ponte da Carolina do Sul, a Vasco da Gama, a 2ª circular, o eixo Norte-Sul ou a Estrada da Circunvalação.
Cada um que ache o seu fiel da balança. E, se o encontrar, que saiba o que fazer com ele. Não sei o que será mais difícil.





17 comentários
Comentários feed para este artigo
Setembro 24, 2010 às 1:02 am
Tamborim
Desde que o nome que sussurra seja o hamado e não o apa(i)xonado…Porque há uma INTRANsponível diferença, não há? ahahahahahahahaha (gargalhada hecatômbica).
Setembro 24, 2010 às 10:06 am
pagunatanga
Gostei mesmo da gargalhada hecatômbica….rsrs….
Há diferença há, há, há, pronto há, que quer que lhe diga mais?
Bora lá sussurrar cenas boas!!!!
Setembro 24, 2010 às 2:08 am
Silence
Misturando o que a Pagu escreveu e o que a Tamborim comentou eu diria o seguinte:
Se antes de hamarmos, tivemos paixão então eu compararia a tomada de decisão a uma competição de velocidade.
Numa prova de F1 ou de motociclismo, por exemplo, partem todos ao mesmo tempo mas uns mais à frente que outros. Todos encaram como natural ganhar o que partiu em primeiro lugar, também estava melhor posicionado. Mas todos atribuem maior mérito quando o que partiu em ultimo conseguiu chegar em primeiro. Foi mais veloz.
Quero com isto dizer que é natural que ganhe o hamor mais longo, começou primeiro! Mas não quer dizer que se escolha aquele porque é maior, melhor ou mais longo, apenas somos renitentes à mudança.
Acredito que somos capazes de reconhecer o fiel da nossa balança no meio de tantos outros que não são os genuínos. O segredo está na nossa capacidade de avaliar o nosso sentir.
Quando vivermos o que o nosso poeta maior escreveu, estaremos na presença do nosso fiel da balança e com certeza saberemos o que fazer com ele.
“Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.”
Setembro 24, 2010 às 10:12 am
pagunatanga
Menina Silence, essa comparação do hamor com as corridas de carro foi muito bem vista. A sério, até parece que já estou a ver os coraçõezinhos na pista, a fazer curvas apertadas, a rebentar pneus, a ir às boxes e no final aparecerem todos suados e arfantes na recta da meta, a lutar pelo primeiro lugar.
Bom, fica mais uma ideia sobre o que pode ser o fiel: “o fogo, a ferida, o descontentamento e a dor”. Se comparado com a hipótese “tempo”, venha o Diabo e escolha.
Setembro 24, 2010 às 4:13 am
righpa
Pois é, dificil mesmo é o fiel da balança que pendula entre o prazer da caminhada a dois e o fogo que arde sem se ver (será que o nosso poeta não estaria a falar de paixão?) … mas, para mim, importante mesmo é depois de pendular, caminhar … não podem existir ses se o factor desequilibrante fomos nós.
Setembro 24, 2010 às 10:20 am
pagunatanga
Pois sim menina Righpa, mas de tanto pendular uma pessoa pode ficar atontalhada e depois então é que já não sabe para onde se virar.
E quanto ao factor desiquilibrante, acredito que passe sempre por nós e pela nossa vontade indómita de “não sermos nós nem ser o outro e ser qualquer coisa de intermédio” e é nesse intermédio que a nossa ânsia de adrenalizar constantemente a nossa nos pode fazer perder o rumo.
Pelo menos até encontrarmos o nosso fiel da balança.
Setembro 25, 2010 às 6:16 am
righpa
Não lhe tiro a razão … alguem um dia me disse … quanto mais liberdade, mais responsabilidade … pois que cada acção gera uma reacção … se adrenelizamos sejamos conscientes que seja uma paisagem bonita ou horrivel fomos nós que escolhemos o caminho com todos os riscos inerentes.
Mas o seu post fez-me lembrar uma discussão entre amigos que tive à pouco tempo … qual a maior traição … a fisica ou a sentimental?
Setembro 25, 2010 às 1:41 pm
Silence
A maior traição é a da vida.
Setembro 26, 2010 às 1:46 am
pagunatanga
E não é que a menina Silence pode até estar cheia de razão?
Se assim for, achar o dito fiel da balança, vai ser ainda mais complicado. Isto não está nada fácil, ai não está não.
Setembro 26, 2010 às 6:01 pm
Silence
Acredito que existem duas coisas que devem andar sempre de mãos dadas. A Emoção e a Razão. Deixar ambas fazerem o que querem e lhes apetece é muito má politica. Descarrila tudo de uma tal maneira que quando damos por nós, ou estamos metidas num hamor sem pernas para andar (a Emoção) ou andamos a “bater” (a luta da razão) num hamor com pernas.
Se voltarmos à velha questão: “Quem nasceu primeiro, a galinha ou o ovo?” e lhe mudar o sentido para “Quem devemos deixar começar primeiro, a Emoção ou a razão?” Sem dúvida nenhuma a EMOÇÃO.
A Emoção é o nosso motor e razão o acelerador. As vezes é necessário dosear o que sentimentos, para nos equilibrarmos. Mas motor que não é esticado não é desenvolvido.
O hamor é um sentimento Ferrari. Sabe andar devagar, sabe andar a ritmo de passeio sem grande stress, mas se não o esticarmos de vez em quando ele não desenvolve e perde todo o seu potencial.
Mas há quem prefira carros de colecção, têm mais tempo, marcaram uma época, tem as suas histórias…
Um dia quero olhar para trás e ver que tive o meu Ferrari, que passeei com ele, que o estiquei várias vezes, que o estimei muito e que lhe fiz a manutenção certinha, tornando-se num belíssimo carro de colecção que apesar da idade ainda consegue esticar um bocadinho mais.
Setembro 27, 2010 às 2:39 pm
pagunatanga
Menina Silence, gostei muito, mas mesmo muito da sua abordagem ao tema.
No entanto, creio ser sinceramente impossível que emoção e razão subsistam, ou acontecerá em casos excepcionais. Esquece-se menina Silence que o hamor é irracional?
Mas desejo que encontre o seu Ferrari, o estime e estique e que ele nunca questione as suas razões nem emoções. Será o bom para todos.
Setembro 28, 2010 às 11:12 pm
Tamborim
Muito bem!
Setembro 25, 2010 às 9:55 am
pagunatanga
Ah menina Righpa, se eu tivesse notas de cem euros pelas tantas discussões que ouvi sobre esse tema, já teria a massa toda para a licença do grande Everest.
Como deve calcular, eu não sou a pessoa ideal para falar sobre estas coisas do hamor já que pouco ou nada percebo do mesmo.
Assim sendo, também eu não chego a nenhuma conclusão sobre essa questão, assim a modos que igual à do ovo ou da galinha.
Mas, se o hamor há de ser uma coisa para além do fisico (até porque senão não era hamor), a traição também deverá ser algo para além do fisico. E sim, se fosse posto em referendo, acho que votaria na sua segunda coluna.
Sei lá, acho eu, penso eu de que, como diz o outro….
Mas estas coisas são muito complicadas.
Olhe, para desanuviar, vou andar de bike para a Arrábida.
Setembro 26, 2010 às 2:48 pm
righpa
rrrrrr … confesso uma pequena invejinha … mas sabe que mais, vou desanuviar esse sentimento com uma bela caminhada e um pouco de alma cheia de arte … ti jei
Setembro 26, 2010 às 9:49 pm
pagunatanga
Faz muito bem. Espero que tenha corrido bem e desanuviado esse sentimento….rsrsrs….nada uma caminhada para arejar a alma.
Olhe bem para esta graça:
…………..que tal?
Setembro 26, 2010 às 10:21 pm
righpa
Lindooooooo lolol
Setembro 27, 2010 às 2:40 pm
pagunatanga
(Tomara não me engane e não mande umas bolinhas destas nos documentos de trabalho. Começo a ganhar-lhe o jeito…rsrss