Para quem pense que eu sou doida e que invento coisas medonhas sobre o hamor só para aborrecer os românticos incuráveis, ou então porque padeço de alguma enfermidade coronária, aqui fica mais uma nota que prova a minha lucidez.
Não é por acaso que o povo diz “quanto mais me bates mais eu gosto de ti”. Todas conhecemos casos e casas, onde a força motriz da relação é uma mistureba de indelicadeza, mentira, traição e por vezes agressividade muito para além de verbal.
E no entanto, para surpresa de toda a gente menos dos envolvidos, as coisas “resultam”.
Mais estupido ainda que isto, é o facto de ser preciso o tal espancamento emocional para o dito hamor sobreviver. É a energia, a gasolina, o motor deste encantamento.
E nem ousemos pensar que são os períodos de acalmia que adoçam, acalentam e fortificam esse cotidiano. Qual o quê!
O hamor renova-se, aprimora-se e dobra de tamanho em cada palavra mal dita, em cada descuido, em esquecimentos imperdoáveis, em enganos dolorosos, em mágoas, como se de uma droga se tratasse e para a qual o único antídoto é o chamado “mais do mesmo”.
Conheço um casal que com uma regularidade suíça, discute, berra, ameaça e cujo final de noite acaba com ela a atirar malas, fatos, cuecas e gravatas pela janela e a blasfemar que é para ele ir morrer longe. Quando ele acaba de recolher as coisas e olha envergonhado para os transeuntes que apreciam a cena divertidos, eis que ela aparece na rua a perguntar-lhe onde é que ele julga que vai, que tem filhos para criar e que deve voltar imediatamente para casa.
Esta cena, minhas amigas, repete-se há anos que é como quem diz, há mais de uma década. Inacreditável, não é?
O hamor é de facto incompreensível.
E agora digam lá que eu é que sou a louca….





10 comentários
Comentários feed para este artigo
Outubro 12, 2010 às 12:14 pm
Scorpio_Angel
O medo de mudança nunca deve ser menosprezado. :p
Outubro 12, 2010 às 1:14 pm
Pagu
Ah pois não, pois não….mas que eles, os medos, andam por aí a contaminar a vida à malta, lá isso é verdade…..
Outubro 12, 2010 às 11:09 pm
Tamborim
n chori ainda n, q eu tenho esta canção, pra vc n chorá….Pois esse caso é realmente clínico, e de caminho deveria inspirar várias séries cor de rosa carvão. Claro que uma ou outra briga nunca mais bem sanada é uma doçura indizível mas…por sistema arrasa qqer hamor sadio. tv essas pessoas sejam companheiras no seu triste deshamô.
melhor seria se fizessem arrufadas.
Outubro 13, 2010 às 11:52 pm
pagunatanga
Mas oh menina Tamborim, onde é que tem a cabeça? Então depois desta história real que aqui partilhei, a menina ainda me vem falar de hamor sadio?
Mas qual hamor, qual sadio, qual quê…..aquilo dava é para fazer uma série masoquista com um misto de terror.
Olhe e já agora diga-me lá porque é que continua a cantar em ritmo brasileiro? O post da bossa foi a semana passada….
Mas pronto, numa coisa dou-lhe razão, se eles fizessem arrufadas….
Outubro 15, 2010 às 3:24 am
righpa
Pagu este post merecia era ser lido ao som de um belo Vira … é que o pessoal dá a volta e quando dá por ela está no mesmo sitio, ou então ao som dos Pauliteiros de Miranda … quando li o seu post pareceu-me sinceramente a banda sonora mais adequada.
Pois Pagu, por muito que lhe custe, acho que me vai ter que dar razão, existe para ai muito boa gente que ou não lê os seus posts sobre o dito cujo ou ainda não leu o suficiente … não vai poder mandar a toalha ao chão … lolol … vai-me dar um voto?
Outubro 15, 2010 às 9:46 am
pagunatanga
É claro que lhe dou o voto…
mas que poderei eu fazer mais se o tal é mesmo cego é surdo e mudo e apalermado e inconveniente e mais um monte de coisas que eu poderia dizer aqui mas a Tangas proibia-me de voltar ao seu blog…
Um vira caía aqui que nem ginjas. Parece impossível mas as pessoas não aprendem. É mais do mesmo. Arreda! Arreda!
Aprovadíssima a sua banda sonora. Ai vira que vira e torna a virar, pior que um hamor não pode ficar….rsrsrs…tive graça….
Outubro 15, 2010 às 1:39 pm
Luanda69
A amiga está muito lúcida, o hamor é que é louco, coisa que subscrevo em género, número e grau. Cenas como as que relatou são boas para enredos de samba, guiões de filmes ou notinhas de jornal mas para a minha vida não dão. Sou demasiado orgulhosa. Agarrava na malinha, recolhia os trapinhos espalhados pela calçada com a naturalidade possível (odeio mico) e afastava-me com ares de grande dignidade. É preciso é manter a pose.
Outubro 15, 2010 às 3:59 pm
pagunatanga
Bom, a menina está a colocar-se no papel daquele que apanha os trapos….hummmmm…porque será, hein? A parte de vilão agrada-lhe, é? …rsrs
Fico muito grata por me ser reconhecida uma lucidez que nem sempre julgo ter
E teve muita graça, pode acabar o mundo, mas de cabeça erguida. Voto em si!
Outubro 15, 2010 às 8:12 pm
Luanda69
Coloquei-me inconscientemente no papel daquele que apanha os trapos talvez porque tenho mesmo uma quedazinha pelo papel do ‘hamor bandido’ e, também, porque não é do meu feitio atirar coisas pela janela e armar gritaria. Quem mas faz paga-mas mas sem grandes alaridos porque não quero ‘testemunhas’, ‘indícios’ ou ‘polícia’ pelo meio. No fundo sou uma romântica. Comigo é para o bem e para o mal, até que a morte nos separe… Rsrsrssssssssssssssssssss
Outubro 15, 2010 às 9:03 pm
pagunatanga
Menina Luanda, por momentos pensei que estivesse a falar a sério, nessa dica de ser uma romântica….rrssr
Quem não a conhecer que a compre.
Mas, até que a morte separe, parece bem….há várias mortes como todos sabemos e para acabar com um hamor qualquer delas serve.
E gostei desse sem alaridos. Discrição é bom e nós gostamos. Voto em si.