Já dizia a minha querida avozinha, a quem sempre reconheci um enorme saber todo ele de experiência feita, que, leiam bem, conta de três o diabo a fez.
Ora, já não bastava o mafarrico vir mascarado de coisinha boa e acelerador de ritmos cardíacos e outras ignomínias parecidas, ainda aparece, não tão fugazmente como se possa pensar, um terceiro elemento a deitar lenha para a fogueira, que é como quem diz, a dar a machadada final numa relação que já estava com os pés para a cova.
O terceiro elemento aparece mascarado de anjo de luz. É simpático, atencioso, delicado, tem rasgos de boa pessoa, capaz de ser um bom amigo e confidente nas piores horas. Além do mais, parece trazer uma lufada de ar fresco como há muito não se sentia.
Sabidão que é, o terceiro elemento dispara para todos os lados. Seduz disfarçadamente ambos os elementos da parceria, se uma não cair na rede, haverá de cair a outra e se vierem as duas, tanto melhor.
E, curiosamente, é bem recebido e até acarinhado entre o casal. As suas visitas passam de esporádicas e casuais, a encontros semanais religiosamente cumpridos, jantares, saídas nocturnas, enfim, tudo o que permita manter o trio unido.
Cada uma das partes parece confortável e até gostar do seu papel neste filme. E, nem tenho tanta a certeza assim, que os motivos para tal alegria, não sejam rigorosamente os mesmos.
Não tarda, começam as cenas de ciúmes e o que me dá mais vontade de rir, é que o ciúme não é relativo ao casal mas sim à atenção que cada parte dele merece do terceiro elemento.
É uma sedução tríplice que a cada dia se torna mais óbvia e em que tudo, ou quase tudo o que faz, diz, planeia, é a pensar nesse terceiro elemento que apareceu e que está ali mesmo à mão para o que der e vier, sobretudo o que der.
Algum tempo depois, nunca menos de duas semanas nem mais que mês e meio, o(s) flirt(s), pois que de sincero e genuíno não tem nada, consuma(m)-se. Ou, por outras palavras, acontece mais um episódio do famoso “roda bota fora” .
Trio desfeito, par desfeito, cada um segue o seu caminho até que o dito cujo, detrás de alguma esquina, volte a aparecer disfarçado de hamor. E o diabo que faça as contas.





6 comentários
Comentários feed para este artigo
Outubro 15, 2010 às 6:59 pm
marsonoro
saudades de vocês, minhas caras; quase dois anos longe daqui… visitem meu novo blogue! logo mais estarei de volta; yafadaca (ex femmepiano)
Outubro 16, 2010 às 11:17 am
tangas
bem-vinda ex-femme. apareça e dê um ar da sua graça
Outubro 17, 2010 às 1:27 am
Tamborim
Pois 3 é turba! nunca fui de trindades. já os panteões…cof cof…rsrs Mas sabe dilecta e preclara Pagu, considero esse tal do terceiro elemento muito do tristonho, muito do fateloso. E quanto ao duozinho que entra numa de trio ó de mira, q n se admire se tudo estourar. p q? p tolas emoções e parcas distracçõe? ah, viva o hamô, o uno, o bom, o vero hamô. viva o bombom original e n a imitação! serei, serei serei leau contigo, quando eu cansá dos teus beijoiiiiis ti digooooooooooo
Outubro 18, 2010 às 9:37 am
pagunatanga
Olhe menina Tamborim, eu só não lhe peço para ir cantarolar para outro blog porque teve muita mas mesmo muita graça.
Pois também eu acho que esse terceiro elemento é tão asqueroso como os outros dois que lho permitem ser.
Por muito que não queira dizer, olhe, viva tudo isso que diz, menos o amô, claro…ora…
Outubro 28, 2010 às 7:01 pm
Cosmopolita
Adoro os seus posts sobre o Hamor e a brincar, a brincar, com muito humor, ironia e até algum sarcasmo, vai pondo os dedos nas feridas do Hamor.
No post que publiquei sobre o L-Word aqui http://azinhagadacidade.blogs.sapo.pt/164168.html, falo no tal trio que se encaixa aqui.
Não sendo nenhuma santinha, já tive amantes que eram casados(as), nunca consegui ultrapassar os meus princíos éticos e envolver-me com casais cujos cônjuges conhecia ou cuhas casas frequentava. Acho isso do piorio!
No entanto é muito mais frequente do que se possa imaginar, esse tipo de Hamores, se assim se podem chamar. Há pessoas que, por falta de imaginação, por perversão pura, por preguiça, por sentido de competição, por insegurança, por tédio ou por outras razões quaisquer, adoram desempenhar esse papel de boa pessoa, simpática, atenciosa, disonível, delicada, boa e inocente amiga, confidente nas piores horas, que traz uma lufada de ar fresco ao casal. Enquanto vai “comendo” às escondidas um dos cônjuges nas barbas do outro. E quando, muitas das vezes são o oposto disso no seu próprio casal.
Que gozo dão os Hamores clandestinos a algumas pessoas, já pensou? A emoção, a tesão, a obsessão mental, os esquemas. E depois, podem sempre alegar, se se fartarem, que são casadas.
Outubro 28, 2010 às 11:06 pm
pagunatanga
Votos para o seu comentário, menina Cosmopolita e um grande obrigada pelas suas gentis palavras.
Subscrevo tudo o que a menina disse, mas desse naipe de gente, anda este mundo cheio.
E o único sentimento que me inspiram é, imagine, pena. Muita pena.
Quantos aos erros, deslizes, momentos de fraqueza, eles acontecem e nunca foi minha intenção entrar em juízos de valor. Quem nunca fez alguma coisa de que se arrependeu que atire a primeira pedra….
Vale mesmo é continuar e ser melhor cada dia que nasce. Com ou sem hamores.