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O que diz uma prima do SLB às primas do Zporting e do fêquêpê?
E quem mais mete a colherada: a prima do Boavista, a do Leixões, do Chaves, do Braga ou do Setúbal?
Por que clube torcerá o Pai Natal?
O que diz uma prima que não percebe nada de futebol a uma prima desportista?
Qual é o clube de bola só pra meninas mais antigo do mundo?
Quando começaram as competições de futebol feminino?
Quantos clubes de meninas da bola há na Lusitânia?
Por que é que as primas têm a mania que percebem de futebol?
Não é mais giro ficar a coser meias? Ou será a cozer?
Hoje venho aqui partilhar convosco a minha singela opinião sobre uma espécie de hamor muito em voga, que parece ter pegado de estaca no dia-a-dia dos apaixonados.
Minhas amigas, estou precisamente a falar do hamor mata-borrão.
Ora, esta espécie de hamor mais não é que a usurpação total e sem pingo de vergonha, do afecto e da dedicação alheia.
A função primária e quiçá única deste mata-borrão é principalmente absorver o excesso de hamor que a outra pessoa generosamente dá.
Ah, pois é. O mata-borrão anda sempre disfarçado de distraído mas pelo rabinho do olho vai espreitando onde é que pode deitar a mão, de que forma pode levar vantagem, que pedacinho pode abixar mais, enfim, é o verdadeiro esmifra do hamor.
O mata-borrão aproveita-se da roupa lavada, da loiça na máquina, das compras feitas, da comida na mesa, da sopa do dia, da casa em ordem, dos mimos, da disponibilidade da outra, dos sorrisos e abraços sempre abertos, do ombro amigo, das festas na cabeça, na ajuda nos projectos e no incentivo dos sonhos, no bem-estar, no sucesso. Do seu próprio, evidentemente.
Não se pense porém que apesar de todo o egoísmo e falta de vergonha na cara, o mata-borrão afia as garras em tudo à sua volta e vai embora de forma ténue. Não, nada disso. Como qualquer mata-borrão que se preze, suga tudo mas deixa marca.
Deixa manchas escuras, indeléveis, sombras que se abatem sobre a outra parte com sabor a ingratidão, incompreensão, desamor e sobretudo uma enorme frustração.
No princípio, aquela que deu sem mãos a medir, ainda esboça uma quase reclamação, uma quase queixa, depois passa para a fase de recriminação velada e sem palavras e nos casos mais graves descamba na resignação.
E se pensam que o hamor mata-borrão dá conta do vazio nos olhos da outra, do desencanto no seu coração, do afrouxar da alegria no regresso a casa, desenganem-se. Quando finalmente notar que a roupa não está na gaveta, que a pasta dos dentes acabou e que o frigorífico está vazio, o primeiro pensamento será, não para aquela que sempre manteve o barquinho no rumo certo, mas sim na próxima que vai segurar no leme.
O mata-borrão tem mais que fazer e com que se preocupar do que com as tarefas comezinhas do quotidiano.
Uma das características menos prosaicas e felizes do ser humano, é a tendência para a utilização abusiva do método comparativo, sobretudo quando nos achamos injustamente em desvantagem. Só em casos de injustiça e desvantagem, note-se bem.
Quando estamos bem, felizes, cheios de nós, jamais nos lembramos de olhar à nossa volta mais que a dois metros do nosso umbigo.
Agora minhas amigas, quando a porca torce o rabo, aí sim, os amigos e desconhecidos passam a ser a bitola do que deveria ser a nossa felicidade.
Calha aqui que nem ginjas o tema hamor.
Enquanto andamos dormentes, emburrecidos, naquele perfeito estado de embriaguez hamorosa (que merece desde já a minha pena), o mundo à nossa volta deixa de existir. Só temos olhinhos, festinhas, carinhos e outras parvoíces do género para a pobrezinha que nos calhou nas mãos.
Algumas horas, dias, no máximo algumas semanas depois, o tédio começa a bater à porta e as outrora virtudes passam a chatices e melguices, enquanto o hamor esfrega o olho.
E aqui surge o grande momento de compararmos a felicidade, os feitos, as alegrias e os projectos alheios com a condição lastimável de desengano e enjoo que nos assola por todos os poros.
O hamor da vizinha, da amiga, de qualquer outra, passa a ser mais carinhoso, mais hamoroso, mais colorido, mais humorado mais atento, mais criativo, mais tudo que o nosso.
E a culpa é claro que só pode ser do hamor da vizinha que é muito melhor e maior que o nosso. Nunca será nossa a culpa das coisas não resultarem, de tudo se esfumar como se nunca tivesse existido e deste vazio imenso nos consumir o peito dolorosamente em cada tentativa de ser feliz.
Só esquecemos que na porta ao lado, a nossa vizinha se calhar se esforçou mais, deu mais, quis mais e investiu o que tinha e o que aprendeu a ter, para que o seu hamor ficasse a cada dia mais gorducho.
E então, a culpa passa a ser do hamor, da vizinha e do hamor da vizinha.
Se o senhor salazar tivesse sido um ganda maluco e gritado, às tantas, qual che, qual carapuça, nós aqui é que somos o centro do mundo e o amor livre é de origem lusa e veio, como a doçaria, da inesgotável tradição conventual deste País, e tivesse mandado o senhor caetano (marcelo) pregar a doutrina deus (amor), pátria (uma cabana) e autoridade (passa mas é um charro) para o Brasil, ao mesmo tempo que nomeava o soares (mário) diabinho de serviço ao amanuense lima (pires), a esta hora estávamos aqui a ver um vídeo da dina records, que é muito mais chamativo do que qualquer coisa que se chame olívia e ainda tínhamos a li (lara) em digressão nacional a apresentar o seu conjunto de ensaios é telepatia, ai pois é…
Imaginem que estão num museu e que estão a ver um quadro precioso. Muito precioso. Imaginem que há um cordão entre vós e o quadro, a assinalar uma fronteira impossível. Já agora, imaginem que há um segurança cioso junto ao quadro, a vigiar todos os vossos movimentos. Estão a ver a coisa? Bem vista? A sério?
Pois então, deixem-me dizer-vos o seguinte, para vos facilitar a visualização: o quadro representa as/os autoras/es do Tangas – as coisas mais valiosas aqui no universo tanguista; o cordão, basicamente, é o limite que nunca devem ultrapassar em relação aos nossos singelos tesouros; e se o fizerem, ainda cá ando eu para vos desancar com um pausinho de amolgar ideias peregrinas.
Perceberam a mensagem ou tenho de fazer mais bonecos?
(Claro que este recado não é para as adoráveis pessoas que nos lêem com toda a atenção e que nos amam incondicionalmente desde o primeiro segundo, apesar dos desvarios em que de vez em quando nos engajamos; é para aquelas outras pessoas que se acham no direito de assediar com mensagens não solicitadas qualquer autora e autor deste blogue, só porque de repente descobrem os seus emails – claro que estas coisas só se dão porque há gente que ainda acredita que o éter cibernáutico lhes protege a identidade da devassa alheia; mas não é bem assim…)
Ser mulher é uma coisa absolutamente encantadora, bela, sublime, um mistério para ser descoberto, apreciado e degustado todos os dias, com mimos, atenções e denodos redobrados. Ser mulher é bom. É arrebatador.
Mas na categorias das mulheres, existe um grupo que me deixa à beira da loucura e que mais não são que as famosas gajas.
E minhas amigas, não há gaja que se preze que uma vez por mês não sofra da tão famosa TPM.
Durante todos os anos da minha existência, tenho agradecido o não padecer de semelhante estado de fragilidade que, tanto quanto tenho visto e ouvido, provoca choros, conflitos internos, dúvidas existenciais, apatia fora do comum e uma profunda tristeza. Resumidamente e bem feitas as contas, é uma semaninha para deitar fora. Quer isto dizer que no final do ano, doze semanas, ou seja, três meses, foram perdidos por conta de uma coisa pré.
Reparem bem, a gaja deita um quarto de ano à rua por algo que ainda não aconteceu. As coisas vistas assim parecem hilárias. (E depois a tarada sou eu?!?!)
Bom, não obstante tudo o que a medicina, desde a especialidade ginecológica até à vertente psiquiátrica, possa explicar, tenho para mim que TPM é um fenómeno no modo de funcionamento da gaja.
Ela vivência e padece as coisas que ainda não aconteceram e somatiza com elas.
E, aqui sim vem a parte onde quero chegar, é assim também no hamor. Uma espécie de TPM, de Tensão Pré Miséria, em que insiste e persiste em transformar a sua vida.
A gaja nunca sabe se quer, mas não sabe se não quer, pode ser mas se não for….e se for e não resultar….e depois como é que vai ser….mas será que ela também quer….e se depois se isto dá para o torto…mas será que gosto…..será hamor…..pode ser só amizade, não é?…..hummm, vamos esperar……não sei, preciso de pensar…..
Claro que sendo a gaja um ser atento, com sexto sentido e ainda por cima com genes de predestinação, por vezes transfere todas as suas angústias para o outro, ou outra, no sentido de lhe imputar parte das culpas, se não mesmo todas, da sua tensão de estimação.
Ela está diferente….eu sinto……as coisas já não são como antes……o que será que ela tem?……já não me hama, só pode ser isso……tem outra…..eu bem me tinha parecido….nada que eu já não estivesse à espera….
E com esta TPM mensal, trimestral, semanal, diária, o redor vai ficando um oásis de sentimentos, hamores e amigos, porque não há cristão que mereça uma gaja por perto.
Minhas queridas parceiras destas crónicas, fujam a sete pés destas gajas que vivem com o sentir centrado na futurologia que fazem de si mesmas e do alheio e que se impedem de viver o presente, independentemente deste ser o pré dia de amanhã, o pré futuro, o pré do que tiver que ser.
Corria 1971 e as primas de Washington DC, lá pelas Américas, começaram a perceber que os meninos queriam muito ser revolucionários mas não faziam tenção de liberalizar as meninas, que essas coisas podem sempre ficar para terceiro, quarto ou quinto plano…
Os grupos de libertação gay na altura marginalizavam as suas pares femininas e atribuíam-lhes sistematicamente papéis menores (onde é que já ouvi isto?).
Em 1972 doze mulheres formaram as The Furies, um colectivo que vivia em comunidade e trabalhava para fazer valer os seus pontos de vista políticos e sociais. Dele faziam parte Ginny Berson, Joan Biren, Rita Mae Brown, Charlotte Bunch, Sharon Deevey, Susan Hathaway, Helaine Harris, Nancy Myron, Tasha Peterson, Coletta Reid, Lee Schwing e Jennifer Woodhul.
A vida em comunidade durou apenas uns meses, mas o jornal que criaram, com distribuição nacional, desenhava uma ideologia consistente do movimento e fazia uma análise impiedosa dos abusos sexistas da sociedade.
Ginny Berson fundou posteriormente a Olivia Records, que lançou grandes artistas, embora tenha recusado uma demo de Melissa Etheridge; Joan Biren é um grande nome mundial do documentário e da fotografia; Rita Mae Brown, escritora, escrever Ruby Fruit Jungle, um marco da literatura lésbica; Charlotte Bunch, professora universitária, viu reconhecido o seu activismo na era Clinton, no National Women’s Hall of Fame; Sharon Deevey, médica e activista, continuou a defender causas queer e das mulheres; Susan Hathaway e Lee schwing acabaram por escrever Capitalismo – A sobrevivência dos mais ricos; Helaine Harris singrou como activista e terapêuta; Nancy Myron continua a trabalhar na área dos direitos humanos, nomeadamente com Charlotte Bunch.









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