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É com um sentimento ambíguo que escrevo a última crónica do hamor. Por um lado, sinto uma alegria imensa por ter tido oportunidade de partilhar histórias e risos convosco, fruto de um convite que muito me honrou da parte da menina Tangas e, por outro, aquela carinhosa nostalgia de fechar um capítulo.

O hamor com “agá”, o hamor aspirado como lhe chama a Tangas, acaba hoje mas apenas sob a forma de crónicas, pois que o hamor com “h” nunca nos falte.

Durante quase um ano espancamos, atropelamos, ridicularizamos, vilipendiamos e mal dissemos o hamor e portanto penso ter cumprido a missão de o desmistificar como o nirvana de todo o pacóvio.

Apesar do tom leve e despretencioso das crónicas, creio que no final das contas, conseguimos rir com a única coisa que nunca pudemos nem jamais conseguiremos controlar nas nossas vidas. Já o que fazer com essa coisa que mete medo, raiva, nervos, dó e que nos faz sentir os seres mais vulneráveis e incapazes do mundo, bom, isso cada uma falará por si.

Mas para que não digam que saio daqui como entrei, tão desacreditada no dito cujo como há quase um ano atrás, aqui vos deixo os meus votos de que o amor revestido e tranvestido de humor, seja realmente o mote que nos dê sabedoria para ficar quando sentirmos que “pode ser desta vez” e coragem para partir quando soubermos que também não é por ali.

Vai daí, como hoje é dia 31 de Dezembro, aqui fica o meu desejo para todas e todos que me fizeram aqui companhia durante este ano: Feliz Amor Novo. Sem “agá” mas com o sorriso de sempre.

la-la-la

De vez em quando, lá voltamos nós à mesma: o Tangas é um blogue muito sério (ahahah), não é para deixarem aqui comentários ordinários, como o que alguém, com um IP do Instituto Ricardo Jorge, fez aqui, com grande abundância de palavrões e ofensas sexistas, insinuando que as lésbicas são todas feias (seguiu um email para o dito Instituto, com reparo sobre o IP e o possível abuso de algum funcionário/colaborador/palerma – receberam vocês uma resposta? pois eu também não…).

Ora, nem as lésbicas são feias só por serem lésbicas, nem o Tangas é um sítio (só) de lésbicas (só) feias. Pelo contrário, há aqui gente muito bonita. Por dentro e por fora. E quem é menos bonito para nós é, com certeza, mais bonito para outras e para outros. Portanto, comentários subjectivos quanto a qualidades discutíveis, pelas quais se caracterizam as lésbicas, são irrelevantes.

A gente explica estas coisas, mas isto é como a catequese: sempre a mesma coisa, repetida e repetida vezes sem conta ao longo dos anos. E adianta? Sim para alguns, para outros não. Sempre que querem xingar-nos, atiram-nos com estas imaturidades. Não lhes atiramos com beijos, porque se calhar são tão imaturos que nem sequer lavam a cara de manhã para tirar as ramelas, nem lavam os dentes, e a gente assim a malta do Tangas não atira beijos, nem que fosse de um palanque.

Outra confusão comum é a do Tangas ser assim chamado por causa daquelas peças de roupa interior que, se não existissem, também não faziam muita falta, uma vez que mais destapam do que tapam. Ora, o Tangas é o Tangas porque muito do que aqui se diz é léria, vantagem, tolice, brincadeira, pinderiquices e piroseiras de que nos lembramos na altura. Caca de boi, como diriam os ingleses, que como toda a gente sabe não têm uma queda natural para as línguas e por isso traduzem as Tangas como Strings (ver secção OMG, ou Tangas traduzido pela Google).

No meio disso (das tangas) vão-se fazendo coisas sérias, como os concursos de contos e as crónicas de gente talentosa como dona Pagu, que amanhã fecha um ciclo e reabre imediatamente para o ano, com outro. Julgavam que eu ia corrê-la daqui? Népias. A cronista está de pedra e cal aqui no Tangas, como se nascida e criada aqui mesmo. Temos dito.

Beijos e bom início de um novo ano. Vamos tanguear por aí.

 

Permitem-me a minha falta de bom senso e de vergonha na cara, socorrer-me das palavras do poeta para escrever este penúltimo post do hamor.

Que o hamor seja infinito ainda que dure, impõe desde logo que haja hamor, que ele exista, resista, persista, através dos dias, anos e décadas, perante todas as adversidades com que se depara e em que repara constantemente.

E para quem pense que relações de muitos anos são sinónimo de felicidade a rodos, o melhor é começarem a mudar a agulha do raciocínio. Muitas vezes, se não a maioria, o hamor aparece disfarçado de bodas de prata, ouro, diamante, mas no final das contas, os brindes que se fazem mais não são que à falta de hamor próprio, vontade, iniciativa e ao egoísmo desmedido, base de muito “grande hamor” que por aí anda transvertido de politicamente correcto.

O hamor ser infinito ainda que dure, aprendi há pouco tempo, exige compromisso de fazer melhor todos os dias, para que apesar de todo o tempo que já tenha passado, chegar a casa continue a ser o melhor momento do dia e aquele em que nos despojamos do eu para passarmos a ser o nós.

Fazer o hamor infinito é pois o grande desafio que se nos apresenta se haveremos de ser dignos de olhar para trás e termos a certeza que por muito grande, forte e bonito que tenha sido até aí, será maior e melhor em cada dia que passe.

*****Tangas de Natal*****

Há que vos deixar aqui os meus votos de um Natal feliz, não vá esquecer-me depois.

Estava a fazer o desenhinho ali em cima e, sem querer, deixei cair três nódoas de café por cima dele. A primeira porque me tocaram à campainha como se o mundo fosse acabar e, afinal, eram só as novas listas telefónicas, atiradas assim a jeito de granadas ofensivas contra a porta de entrada.

Aa segunda porque é impraticável ir a desenhar no carro, ao lado do condutor, com toda a gente a tentar chegar mais depressa a lado nenhum (o trânsito é como a água dentro de um cano: só passa o que cabe num determinado espaço e não adianta querer mais velocidade ou querer que apareça um buraquinho livre, porque o único milagre que acontece no Natal ou em qualquer outra ocasião, é garantir uma carrada de stress desmiolado).

Aa terceira foi quando ia a tomar o meu café e me interrompem – gente: beber e comer são coisas sagradas, para fazer com toda a tranquilidade e respeito pelo corpinho que vai receber o sustento.

Que se passa com esta gente? Nem a crise vos faz pensar que não é preciso gastar o dinheiro que têm e não têm para passar um jantar e um almoço em felicidade plena, junto das pessoas de quem gostam? Para que tẽm de oferecer milhões de coisas que nem sequer sabem se os outros gostam, só para mostrar que se importam com eles?

Não chega um abraço, uma palavra simpática, ou arranjar tempo para um café, para uma conversa?

Como podem ver, sou contra esta histeria desmedida que se instala nesta altura. Temos um ano inteiro para estar com toda a gente importante na nossa vida. Por que razão temos de enfiar as demonstrações de carinho todas numas parcas semanas ou dois miseráveis dias? Quem é que fica completamente enlouquecido nesta quadra? O que é que julgam que vai mudar na vossa vida depois de se terem arruinado para corresponder à imbecil pressão natalícia? Jasus…

Agora, em atenção às primas e primos: depois do casamento aprovado e efectuado e todos esses maravilhosos sinais de progresso social, quem é que vai realmente passar o Natal em casa, como uma verdadeira unidade familiar?

Até agora só três dos muitos casais que conheço vai passar as Festas em conjunto, e só um na sua casa. Neste último caso, as famílias estão demasiado longe para serem visitadas. Todos os outros primos e primas que eu conheço vão passar a véspera de Natal e o almoço de Natal em casa das respectivas famílias, com uma esmagadora maioria a fazê-lo separadamente. Que bela demonstração de espírito natalício, não é? Já para não falar na consciência de casal ou de família que isto implica…

Resta-me desejar-vos um bom e santo Natal, claro.

 

Esta semana, numa das minhas incursões à internet, li que um famoso artista norte-americano tenta, junto com a mulher (pelo menos é o que ele pensa), salvar o seu casamento.

Só o cabeçalho da notícia já chegava para me fazer rebolar às gargalhadas, mas não, havia mais. Dizia então o dito salvador que traíu a mulher não sei quantas vezes, que tinha estado em sítios escuros, seja lá o quê e onde isso for e que ela, linda e magnífica como sempre, o foi lá resgatar, sabe Deus a que penas. Vai daí, ele volta para o aconchego, dedica-lhe uma frase melodramática num cd que entretanto edita e pronto,  metade do casamento já está salvo.

Meninas, isto é simplesmente hilariante. Eu até ía para lhe chamar ridículo mas não, não é o bastante. Hilário, surreal, demente, perverso, acho que é mais por aí.

Então, cá no meu humilde entender a coisa processa-se mais ou menos assim: o pessoal casa, monta apartamento, assume compromissos, tem filhos, faz planos e de repente, ou se calhar nem tão de repente assim, vai ali dar umas voltinhas, debicar aqui e ali, atirar a tudo o que mexe com as hormonas, trair a confiança de quem está lá em casa de sorriso enorme à espera, violar votos que de livre e espontânea vontade pronunciou….

O pior de tudo é que essas incursões no prazer alheio têm sempre a protecção da clandestinidade e portanto a impunidade está, na maior parte das vezes, assegurada. O pior é que a sorte nem sempre protege os audazes, que neste caso é mesmo mais, os incapazes.

Um dia a casa vem mesmo abaixo e perante tanto desconforto, a ideia mais premente é recuperar o quentinho do lar, a roupa lavada e passada com os vincos certos, a comida na mesa, os risos dos filhos, o carinho, o perdão, enfim,  a indulgência de todo o mau carácter de que somos feitos.

Aí tenta-se salvar o casamento mas como bem sabemos, essa é uma missão espinhosa e quase impossível que se reveste de um grau de improbabilidade a raiar os cem por cento.

Até porque, minhas caras parceiras destas crónicas, tenho para mim que ninguém quer, nem mesmo com um ténue toque de sinceridade, salvar casamento nenhum quando as coisas já estão nesse pé.

No sentido efectivo da palavra, o casamento salva-se todos os dias, com atenções, pormenores e “pormaiores” que o tornam mais inquebrantável e digno. É assim como uma missão altruísta de salvamento no mar, nas montanhas, nas chamas, em que se sabe de antemão o risco que se corre mas ainda assim não se medem esforços nem coragem para ter êxito nessa tarefa de salvar o outro, que é como quem diz, a outra face da moeda de nos salvarmos a nós próprios.

SAS Tangas, Queen of all bullshit

De vez em quando há uns maduros que nos mandam uns emails, assim a ‘saca-endereços’. Uns são a treta do costume, outros pretensamente insultuosos, imensos dessas igrejas que jorram do chão como se Moisés ou Jesus, Buda ou outro que tal, ainda para aí andasse de bordão na mão, a bater com ele no chão e a produzir indústrias religiosas como quem produz laranjas em extensão. É engraçado observar como todos eles procuram o Tangas à espera de um milagre. Não será o da multiplicação dos peixes ou do pão, nem mesmo para transformar simples água em vinho, o que até dava jeito para se comemorar alguma coisita.

Os mais curiosos são, sem sombra de dúvida, os dos realistas, monárquicos, ou lá o que acham que são. Não será pelo meu distinto nome próprio e apelido, que por si só, são alvo do meu abnegado amor, visto que as mensagens são enviadas para o plebeu email do Tangas. Pode ser por desespero, puro e duro, ou apenas por uma qualquer fé cega no desespero de gente homossexual e de baixa auto-estima, sempre disposta a pôr-se em bicos dos pés para validar a nobreza da sua condição, nem que seja à conta dessa extinta espécie de gente que ainda acredita que nascer numa determinada família é sintoma de estatuto social.

O mais perturbante é chegar à conclusão de que há uma parte do Tangas que lhes escapa, como se metade da massa cinzenta tivesse sido varrida por um Katrina qualquer: a de que este blogue, com as suas carinhosas pretensões à defesa da não-discriminação (e por uma questão de  honestidade mental e intelectual), não pode nem quer pactuar com uma forma de estar que, pela sua natureza, garante mais direitos a uns que a outros só por via do nascimento.

Brincamos?

 

Fosse o hamor essa coisa inexcedível que alguns ainda perdem tempo a defender e ele seria um exemplo de bem querer, boas acções, melhores intenções e vontade de ser cada dia melhor e maior.

Mas, como já todas nós sabemos, o hamor é patético, ridículo, contraditório e só serve para estragar a vida das pessoas

O hamor é assim uma espécie de preço a pagar, uma forma de redenção pelo que somos ou de vingança pelo que nunca chegaremos a ser.

E faz-se pagar, de início em prestações suaves mas lá para o fim já num montante tal que dá cabo de qualquer orçamento emocional, por bem suprido que algum dia tenha sido.

O hamor até pode chegar cheio de boas intenções mas tem dois vectores de dura cerviz, de diferentes têmperas, quereres, desejos e acima de tudo expectativas que raras vezes coincidem.

Então, aquilo que começou num projecto conjunto, ou pelo menos uma das partes pensou que sim, vai aos poucos perdendo gás e cedendo perante as desatenções ou o menor investimento de alguém que se julgou seguro de todo o hamor que lhe teria que ser prestado, oferecido, assim a modos que uma vassalagem constante pelo simples facto de existir.

Tudo bem que durante algum tempo, curtinho, diga-se, este hamor pode ir sobrevivendo, uns dia mal e outros pior mas um dia o dador animado acaba por se olhar no espelho e ver um rosto sem alma, alguém que já não conhece, gasto, invisível de tudo o que sempre julgou ser.

E aí, nesse momento, dá-se conta que também merece, também quer…..

O jugo hamoroso deixa de fazer sentido e o pagar na mesma moeda passa a ser tratamento corrente até que finalmente se perceba que não é aquilo, nem é por ali que definitivamente se quer ir.

Entendemos por fim que o hamor que queremos dar não é necessariamente o mesmo que a outra quer receber. Nem no tamanho, nem na forma, nem na entrega, nem……

 

Só quem não lida com papéis, dossiers e outras molhadas de folhas A4, nunca se apercebeu que o grande problema das questões processuais e laborais são precisamente os anexos.

A carta, o fax, o memorando, o despacho, tudo isso até pode vir disfarçado de simplicidade e alguma lógica, mas quando olhamos melhor e descobrimos, ou pela letra impressa ou pelo volume de folhas que nos enche a mão, os ditos cujos anexos, aí sim, vemos à distância as chatices a chegarem, sem vergonha na cara, prontas a estragarem-nos os planos de um dia de trabalho sossegado.

Primeiro há que ter paciência de ler o anexo, depois tentar entendê-lo e descobrir se tem efectivamente a ver com o assunto e mais tarde, se a tanto chegar o tempo, o engenho e a arte, dar seguimento à coisa.

Ora, com o tema “hamor”, o processo é invariavelmente semelhante e não menos complicado.

Desenganem-se minha parceiras destas crónicas, se pensam que o hamor chega leve e solto, pronto a ser usado, abusado, apreciado e usufruído, de uma forma simples, sem muitas delongas ou complicações.

Ao hamor, como se já não bastasse a sua confusão, trapalhice e anormalidade genéticas, acresce sempre um volume de anexos que não raras vezes, excede as parvoíces inerentes ao mesmo.

E quais são eles, perguntam vocês…..pois bem, leiam com atenção: pretensos amigos, família, frustrações marcantes, colegas, dores de cotovelo, défices emocionais, mentiras, falsas morais, ex-namoradas, traumas que julgamos irrecuperáveis, teimosias, empregos, distâncias, opiniões exteriores, calúnias, invejas, remorsos do passado, medos do futuro….e são tantos, tão densos, tão pesados, tão corrosivos, que não sobra espaço, força, vontade ou coragem de tentar.

Sabem aquelas coisas que só de olhar nos parecem um fardo tão grande e difícil de gerir que vamos procurando por todos os meios possíveis, evitar, adiar, ou então no outro lado do extremo, acabar o mais rapidamente possível para nos vermos livres daquela tortura?

O problema está, dizem os entendidos, que quando uma pessoa entra nessa canoa furada do hamor, adquire o pacote completo, quer dizer, os anexos também. E aí, o dito cujo que já de si não tem pernas para andar, está cada vez mais condenado ao insucesso ou pura e simplesmente a nunca acontecer.

Então, da próxima vez que perderem o juízo, a primeira coisa a fazer é ir logo perguntando “olha lá, há alguma coisa que eu deva saber?”, assim a modos que a avaliar o tamanho dos anexos para decidir o que fazer com eles.

“I am a lesbian not a woman” (Sou uma lésbica, não uma mulher), declarou Monique Wittig em 1978.

Monique Wittig (Foto de Babette Mangolte)

Filha do poeta francês Henri Dubois, Monique nasceu em 1935, na Alsácia. Frequentou a Sorbonne, Paris, nos anos 50. Em 1964 publicou L’Opponax, livro sobre a infância que lhe valeu o Prix Médicis e o reconhecimento de escritores consagrados.

Les Guérillères, publicado cinco anos depois, é uma colecção de poemas em prosa, revolucionário na forma e na linguagem, assim como politicamente. Nesta obra, Wittig emprega a expressão Elles (Elas) não como referência às mulheres, mas como um substituto do pronome colectivo masculino Ils (Eles).

Tida como obra de “libertação das mulheres”, este segundo livro de Monique Wittig já não foi recebido com tanto entusiasmo, mas é talvez o mais conhecido dos seus trabalhos.

As feministas francesas (Monique Wittig ao centro)

Em Maio de 1970 foi co-autora do que pode ser entendido como o manifesto das feministas francesas. Nos primeiros anos da década de 70 integrou grupos como os das Petites Marguérites, as Gouines Rouges e as Féministes Révolutionnaires.

Em 1973 publica Le Corps Lesbien, um livro de poemas considerado, por alguns, particularmente violento e mesmo misógino, mas também com um forte cariz erótico. Em 1976, sai Brouillon pour un dictionnaire des amantes, escrito com a sua namorada, Sande Zeig, com um carácter mais ligeiro e preconizando uma era dourada do lesbianismo. No mesmo ano, Wittig e Zeig mudam-se para os Estados Unidos, onde leccionou  em várias universidades, incluindo o Vassar College e a Universidade do Arizona, em Tucson.

O seu trabalho torna-se mais teórico a partir daí. Em 1992 publica The Straight Mind (Beacon Press), uma colecção de ensaios em que explica, nomeadamente como as categorias sexuais são socialmente construídas.

Monique Wittig considerava-se uma lésbica radical e, para evitar equívocos, afirmava: “Para mim não existe literatura de mulheres. Na literatura, não separo mulheres e homens. Ou se é escritor, ou não. É um espaço mental onde o sexo não é determinante. Há que dar espaço à liberdade. A linguagem permite isso. Trata-se de construir uma ideia do neutro que possa escapar à sexualidade.”

Teórica do feminismo materialista, estigmatizava o mito da”mulher”, considerava a heterosexualidade um regime político e acrescentava a tudo isso: “(…) e seria incorrecto dizer que as lésbicas se associam, fazem amor e vivem com mulheres, porque ‘mulher’ tem significado apenas nos sistemas económicos e de pensamento heterosexuais. As lésbicas não são mulheres.”

Monique Wittig morreu de ataque cardíaco a 3 de Janeiro de 2003, em Tucson.

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