*****Tangas de Natal*****

Há que vos deixar aqui os meus votos de um Natal feliz, não vá esquecer-me depois.

Estava a fazer o desenhinho ali em cima e, sem querer, deixei cair três nódoas de café por cima dele. A primeira porque me tocaram à campainha como se o mundo fosse acabar e, afinal, eram só as novas listas telefónicas, atiradas assim a jeito de granadas ofensivas contra a porta de entrada.

Aa segunda porque é impraticável ir a desenhar no carro, ao lado do condutor, com toda a gente a tentar chegar mais depressa a lado nenhum (o trânsito é como a água dentro de um cano: só passa o que cabe num determinado espaço e não adianta querer mais velocidade ou querer que apareça um buraquinho livre, porque o único milagre que acontece no Natal ou em qualquer outra ocasião, é garantir uma carrada de stress desmiolado).

Aa terceira foi quando ia a tomar o meu café e me interrompem – gente: beber e comer são coisas sagradas, para fazer com toda a tranquilidade e respeito pelo corpinho que vai receber o sustento.

Que se passa com esta gente? Nem a crise vos faz pensar que não é preciso gastar o dinheiro que têm e não têm para passar um jantar e um almoço em felicidade plena, junto das pessoas de quem gostam? Para que tẽm de oferecer milhões de coisas que nem sequer sabem se os outros gostam, só para mostrar que se importam com eles?

Não chega um abraço, uma palavra simpática, ou arranjar tempo para um café, para uma conversa?

Como podem ver, sou contra esta histeria desmedida que se instala nesta altura. Temos um ano inteiro para estar com toda a gente importante na nossa vida. Por que razão temos de enfiar as demonstrações de carinho todas numas parcas semanas ou dois miseráveis dias? Quem é que fica completamente enlouquecido nesta quadra? O que é que julgam que vai mudar na vossa vida depois de se terem arruinado para corresponder à imbecil pressão natalícia? Jasus…

Agora, em atenção às primas e primos: depois do casamento aprovado e efectuado e todos esses maravilhosos sinais de progresso social, quem é que vai realmente passar o Natal em casa, como uma verdadeira unidade familiar?

Até agora só três dos muitos casais que conheço vai passar as Festas em conjunto, e só um na sua casa. Neste último caso, as famílias estão demasiado longe para serem visitadas. Todos os outros primos e primas que eu conheço vão passar a véspera de Natal e o almoço de Natal em casa das respectivas famílias, com uma esmagadora maioria a fazê-lo separadamente. Que bela demonstração de espírito natalício, não é? Já para não falar na consciência de casal ou de família que isto implica…

Resta-me desejar-vos um bom e santo Natal, claro.