Em primeiro lugar convém dizer que não venho aqui defender e muito menos acusar qualquer das partes. E são muitas, podem crer.
Que se deve, que se têm, que é obrigação, que nem pensar, que um dia talvez, que nem é equacionável, que não se pode, que é obrigatório, que é uma questão de respeito, que é uma burrice, que é arranjar um monte de problemas, que pode justificar tudo, que pode não dar em nada, enfim, um sem número de causas justificados por uma quantidade ainda maior de motivos.
Assumir perante o mundo que se é homossexual, ainda é, na minha modesta opinião, um acto de coragem. Não vale a pena estar para aqui a dizer que o mundo mudou, que tudo é aceite, que as pessoas já nem ligam, tudo isso é conversa da treta e qualquer pessoa que ler estas palavras sabe bem do que falo.
Se o mundo no seu todo considerado já nos assusta e faz meter a marcha atrás, a família então é quase sempre o nosso calcanhar de Aquiles. É aquele ponto em que nos sentimos frágeis, vulneráveis, indefesos.
Então, adiamos, empurramos com a barriga, inventamos, contornamos, damos jeitos de cintura e andamos nesta roda viva até que um dia nos perguntamos porquê.
E entramos em ebulição mental, emocional, racional e eu sei lá que mais. E vamos ficando sem graça, insonsos, tensos, presos dentro de um sítio onde só a verdade nos pode libertar.
É aí que damos conta de que contar ou não contar não tem nada a ver com os outros, ou pelo menos que esse não é o verdadeiro nem principal motivo.
Nós somos o motivo.
Mas só sabemos isso quando encontramos aquela pessoa por quem vale a pena contar. E, se calhar, só aí faz sentido. Digo eu, claro.





10 comentários
Comentários feed para este artigo
Fevereiro 26, 2011 às 7:54 am
righpa
A minha opinião é que as motivações são nossas, saiem sempre de dentro de nós, a forma como as conseguimos viver ou não.
Mas as nossas motivações são também um produto do ambiente que nos rodeia e por vezes sim é preciso coragem … ou talvez não … acho que quando realmente sentimos dentro de nós as coisas de uma forma clara e lúcida, sem medos do exterior ou que ele pode provocar no interior, acontece que abrimos a boca e sai … depois até nos podemos arrepender, mas sorte ou azar as palavras pronunciadas já mais voltam atrás.
Fevereiro 28, 2011 às 6:02 pm
pagunatanga
Menina Righpa, acho que o cerne da questão passa exactamente por aí. Demora a descobrir do que temos mais medo….será?
Ainda bem que as palavras pronunciadas não voltam atrás, deixariam de ter o sentido que lhes quisemos dar quando as verbalizarmos. Emendar palavras nunca dará bom resultado. Julgo….
Fevereiro 26, 2011 às 8:18 am
righpa
Completando … sabe do que me lembrei ao ler o seu post, de um filme o “Serving in Silence” … pedindo desde já desculpas a Sra Tangas por colocar um link num comentário
, mas acho esta parte linda, especialmente a parte do “tell her I die”
Fevereiro 26, 2011 às 6:18 pm
tangas
eu desculpo-a, mas se alguém lhe seguir o exemplo é trucidado…
Fevereiro 28, 2011 às 6:05 pm
pagunatanga
Pois, quando eu digo em surdina que também quero meter videos e musicas e coisas, lá vem a ameaça….ora….
Sou sempre mal tratada e omilhada neste blog…bahhhhh
Março 11, 2011 às 11:49 am
righpa
Tadinha da menina Pagu … já tá de beicinho e a fazer toc toc toc? LOLOLOL
Março 22, 2011 às 2:44 pm
pagunatanga
Não faço beicinho, ora…………
Mas acho mal e protesto. Pronto.
Tungaaaaaaaaaaaaaaaaaaa.
Fevereiro 28, 2011 às 6:04 pm
pagunatanga
Gostei muito.
Menina Tangas, prepare-se, se dá para deixar filmes, vou já colocar a minha imaginação em marcha…ah pois é…se dá para uma dá para todas….
Fevereiro 26, 2011 às 6:20 pm
tangas
Na verdade, acho que a não é a pessoa certa ou a que faz sentido a questão que a menina Pagu põe aqui. É, com certeza, e muito mais, o momento certo para quem decide agir nesse sentido. A bola fica sempre do lado de quem tem coisas por dizer e admitir, ou então seria muito injusto para os outros. Não é que uns nos mereçam menos do que os outros. Aquilo que se passa dentro de nós é que dita as razões por que fazemos isto ou aquilo. Não os outros.
Fevereiro 28, 2011 às 6:06 pm
pagunatanga
Pois está bem menina Tangas, não digo que não. Nem que sim.
Passar a bola até me poderia parecer atractivo mas…..hum…..
Sim, teremos que ser nós, por nós e para nós. Só assim pode resultar.