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Esta manhã apercebi-me que o hamor tem muito de ponte. Tem dois sentidos, várias faixas, intenções, motivos, razões e outras tantas características da ambiguidade conhecida, e por isso mesmo suspeita, da causa amorosa. Apesar de tudo o que possa ser e até parecer, o hamor é uma ponte entre o que é, o que foi, o que poderia ter sido e o que deveria ser. Não sei se exactamente por esta ordem de factores mas isso também não é relevante.

Tal como numa ponte, no hamor paga-se um preço, há trânsito, más disposições, indelicadezas, gestos obscenos, distracções, acidentes por culpa nossa, do outro, ou ambos, demora-se muito ou pouco a atravessar, o tempo de travessia pode nos parecer um calvário ou nem darmos por isso.

Nos dias bonitos perdemos a vista e o coração em sonhos e planos, nos dias de nevoeiro, vento e chuva, tudo o que queremos é sair dali.

Mas, pese embora tudo isso, continuamos a atravessar para sítios, locais, pessoas, braços e abraços que já conhecemos e reconhecemos ou, por outro lado, para outros de que apenas temos uma vaga ideia ou que nos são desconhecidos e por isso o prazer de chegar e ver é sempre uma caixinha de surpresas.

Vencer a ponte é atravessar além de nós, através de nós e, felizmente, muito para além de nós.

E, acredito, é preciso uma alma extra, todos os dias, para deixar o atrás e seguir em frente. Até porque, se não atravessarmos, nunca saberemos o que fica do lado de lá.

E eu destesto “ses”.

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Ao contrário do que dizem as más línguas, Portugal é grande, os Portugueses são muito grandes, as Portuguesas são ainda maiores e lindas, maravilhosas, perfeitas. A crise é de quem não tem amor por nada, pronto!  Mas não é o que acontece com gente apaixonada como nós, aqui no Tangas.

A não perder, esta conferência por São José ALmeida, logo seguida pela de Júlia Coutinho, sobre as Mulheres Artistas Plásticas na Oposição a Salazar.

 

De um momento para o outro, os serviços, comércios e locais de interacção de pessoas e bens, começaram a tremer ante o mais que provável aparecimento da temível ASAE, que irrompe de forma desbragada, investiga, pergunta, vira do avesso, vê por trás do óbvio, verifica legitimidade de produtos, qualidade da oferta, multa, fecha portas, sacode a vida das pessoas de pernas para o ar.

O que não deixa de ser curioso é que antes destas minuciosas inspecções quase pidescas, as coisas desenrolavam-se com uma normalidade que ninguém contestava. Nem quem dava e muito menos quem recebia.

As coisas fluíam.

Mais ou menos como o hamor.

As questões surgem quando alguém assim como quem não quer a coisa, nos questiona sobre motivos, razões, desculpas, intenções, sobre os porquês da nossa vida decorrer de determinada maneira.

Num primeiro impacto nem sequer percebemos a questão.

Num segundo momento atiramos com um “como assim?”, mais numa tentativa de ganhar tempo do que de querer realmente saber o que o outro quer dizer.

No final, como nem sequer fazemos questão de mudar coisa nenhuma, trancamos portões e janelas às inspecções periódicas de amigos, família, daqueles que por estarem de fora têm outra perspectiva das coisas, talvez não a mais certa, a mais lúcida, mas ainda assim uma diferente da nossa que sempre nos será útil, pelo menos, saber que existe.

Pelo sim pelo não, é bom de vez em quando inspeccionar as motivações que nos levam a continuar um hamor.

E ter a coragem suficiente para ficar ou para abrir outros mares e outros ares, mesmo sem saber onde nos levarão.

Só para evitar a coima, claro.

 

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A minha prima Vera telefonou-me ainda agora, muito dinâmica, a anunciar que estava a tratar das limpezas da primavera. Ora, conhecendo-a eu como a conheço e sabendo que é a Molly Maid a fada do lar dela, assumi de imediato que a limpeza era outra. Nem penses, disse-me logo ela. Mas eu penso, é claro, porque já a conheço e aposto que vestiu a camisola vermelha da indignação, pegou na vassoura de bruxa que tem escondida atrás da porta e pôs qualquer coisa porta fora. Levantou a poeira e pô-la com dono, garanto. Ou não seja verdade que o tempo está uma delícia e o coraçãozinho da Vera mais do que pronto para se deixar maravilhar pelas delícias da renovação…

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Hoje fica aqui um desejo: que todos os meninos cresçam menos uns centímetros que as meninas para que, como os bichinhos, intimidados pelo tamanho a indicar a possibilidade de um adversário mais forte fisicamente, nunca mais assumam as suas parceiras como o sexo fraco.

Meninas: gastem uns tostões em aulas de auto-defesa. Um pontapé nas bolinhas nunca fez mal a ninguém e o respeito também se ganha mostrando que qualquer um pode sovar. Marquem os vossos limites a spray, se necessário.

Toys R Us: espero que as vossas prateleiras, singelamente separadas para meninas e rapazes (não meninos), sejam para todo o sempre minadas pelas presas das marabuntas formigueiras. Amen.

Vi a frase que coloquei como tema deste post, num pacotinho de açúcar na minha última viagem.

Dá que pensar. Oh! Se dá. Ao contrário do que se pense, não é um processo fácil, pacífico, de pouca monta.

Encontrar uma pessoa que signifique para nós o ícone do amor perfeito, é improvável. Cairmos de paixão por essa pessoa é difícil. Essa pessoa apaixonar-se por nós é quase impossível. Ficar juntos é inviável. A relação durar é um milagre.

E a questão desta incompatibilidade nas relações tem a ver com mil e uma coisas, qual delas mais difícil de explicar, entender e sobretudo de gerir.

A vida tem as costas largas, o outro também não fica impune mas nós, sim nós, somos os grandes obstáculos à perenidade do hamor.

Tenho para mim que só assumindo as nossas culpas nos fracassos, derrotas, empates, indecisões amorosas, podemos aprender alguma coisa e tentar da próxima vez fazer melhor.

Só com o resgatar de culpas, medos, distracções, traumas, poderemos amar-nos mais e consequentemente conseguir amar mais e de preferência mais vezes o hamor que nos calhou em sorte.

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