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Então digam lá quantos dos nossos amados políticos se referiram nesta campanha aos direitos lgbt, das mulheres e das minorias? E não me venham com a treta de que a crise é que é importante, porque tudo é importante. Além de que a crise é um sério caso de discriminação também, uma vez que quem a paga são todos os contribuintes individuais e não as empresas, os bancos, os governos ou todas as outras organizações que nos conduziram a ela.
Acham que tudo está feito aq nível de luta pelos direitos lgbt? Estão muito contentes por poderem casar e, mesmo assim, não terem direito a adoptar? Estão muito seguros de que a lei é aplicada ao pé da letra e não são necessárias muitas e mais sérias medidas de implementação e verificação do pouco que vos permitem?
Julgam que tudo está seguro? Se retiram direitos adquiridos aos trabalhadores e até já falam em voltar a referendar o aborto, acham que vão hesitar em retirar-vos a esmola que vos deram? Abram o olho e vejam lá que destino dão ao vosso voto.

Acampada do Porto (foto retirada da página da iniciativa, no Facebook)


O Tangas vai estar hoje, às seis da tarde, na Praça da Batalha, local eleito pela Acampada Porto para a sua intervenção. Foi-nos pedia uma participação e o tema só podia ser, obviamente, um paralelo entre o activismo lgbt e qualquer outra forma de luta por direitos de qualquer natureza.
Quem quiser juntar-se a nós é, por isso, muito bem-vindo. A organização diz que não há muitas lésbicas a participar, mas nós vamos lá contrariar isso. A verdade é que esta acampada tem lutado para se manter no local, sem sequer merecer a atenção dos média, que falam de Madrir, Barcelona e do Rossio, mas ignoram esta. Nem os jornais locais se dão ao trabalho de a noticiar.
Não se estranha, apesar de tudo. O exemplo vem de cima e as grandes figuras de autoridade da cidade e do Norte passam a imagem do conservadorismo. A contestação não é bem vista e é coisa dos de fora, sobretudo, fora da norma. Apesar disso, as soluções alternativas multiplicam-se e são hoje a grande movida do Porto, frequentada pelos jovens e pelos que, não o sendo, mantêm alguma frescura mental.
Há esperança, portanto, até porque Maio sempre foi fértil em contestações e mudanças lideradas pelos jovens :)

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A traição é uma arma que nenhum inimigo possui. Ela vem sempre de alguém próximo, de amigos, que são os únicos com capacidade para nos trair. Quando um inimigo desfere um golpe, não passa disso: um golpe, como qualquer outro. Já uma traição é um tapete arrancado de baixo dos nossos pés, a verdadeira forma de nos fazer cair.
Não há forma de aprender com uma traição. Até podemos contar com elas, mas jamais sabemos de quem chegam, pelo simples facto de jamais pormos em dúvida a qualidade de qualquer dos nossos amigos.
Nenhum conservador, nenhum fundamentalista religioso, nenhum homófobo enlouquecido nos fará alguma vez tanto mal como as primas e os primos que nos julgam e nos tratam como radicais, panfletários, exibicionistas, gente sem noção do ridículo, conflituosa ou simplesmente com a mania de que vai mudar o mundo.
Eis as boas notícias: o mundo muda mesmo. Aos poucos, mas muda. E as más notícias são: quando muda, a mesma gente que não nos apoia é a que mais partido tira da mudança.
A única coisa que não muda é a reputação que essas pessoas parecem não ter problemas em criar para os outros. De que lado estão? Do conservadorismo obtuso, sem dúvida. E parasita, porque não tem qualquer engulho em aproveitar o resultado das acções e esforços daqueles que, as mais das vezes, lhes causam engulhos com a sua iniciativa.
Nunca veremos a primalhada parasita e engulhada apoiar os esforços para conseguir nivelar os nossos direitos. Mas vê-los-emos sempre na primeira fila para colher os frutos desses esforços, aí sim, sem nenhuma vergonha de serem o que são.
Para eles, o mundo é mais justo porque sim, nunca por aqueles que eles gostariam que se envergonhassem por se esforçarem para o mudar. Yuck!


Vem aí Junho e as festas do Dia do Orgulho. Mesmo quando as coisas não se mostram de feição por causa da crise e disto e daquilo, há que sair à rua e levar os amigos, a família e aqueles que esperam por uma oportunidade para participar connosco numa festa tão importante.
E dia 5, nas eleições, lembrem-se que os partidos da direita se preparam para “emendar” a lei que permite o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo, esse “erro” de Sócrates e do PS…
Não se deixem dormir no conforto das coisas conseguidas até agora, porque ainda há que proteger as recentes e frágeis conquistas.

Uma contribuição velhinha, para lembrar os tempos do sexo lésbico descomplicado ;)


Ainda e sempre o principal problema é o círculo vicioso de discriminação e invisibilidade. Como quebrá-lo?

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Não se esqueçam de festejar com a amplos, a rede ex aequo e todas as outras organizações que se esforçaram por organizar iniciativas para o dia mundial de luta contra a homofobia e transfobia (17 de Maio).

Já agora, não se esqueçam a 5 de Junho, de votar nos partidos que de facto apoiam a vossa causa e não vos ameaçam com a retirada de direitos…

Mesmo depois de ler não acredito! É possível utilizar este tipo de argumentos? É possível a absolvição?

“O Tribunal da Relação do Porto considerou que o psiquiatra João Villas Boas não cometeu o crime de violação contra uma paciente sua, grávida de 34 semanas, pois os actos não foram suficientemente violentos, apesar de este forçar a vítima a ter sexo com base em empurrões e puxões de cabelo.” Um Juiz fez uma declaração de voto contra esta decisão.

Sabiam que “A recusa meramente verbal ou a ausência de vontade, de adesão ou de consentimento da ofendida são, por si só, insuficientes para se julgar verificado o crime de Violação”?

Como agir/reagir num país com uma justiça que se permite utilizar estas justificações para decisões tão graves?

Para além das questões do domínio masculino na sociedade e em particular na área de decisão política e da justiça, existem questões sociais a considerar. Se fosse um mero operário certamente a decisão seria diferente. Homem, de estatuo sócio económico e cultural elevado, com uma profissão “conceituada”, tem certamente mais direitos. O que eu não sabia é que essa desigualdade de direitos podia ir tão longe.

Texto do acórdão

Artigo DN http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1850585

Artigo Sol http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=19026

Associação Sindical dos Juízes Portugueses http://www.asjp.pt/2011/04/25/juiz-vota-contra-absolvicao-de-psiquiatra/

− Aquele teu post das miúdas normais

− Que tem?

− Achas mesmo normal que uma miúda seja uma dominatrix?

− Viste o filme?

− Não. Mas repito, normal e dominatrix fazem sentido?

− Fora do contexto nada faz sentido. Vê o filme.

− Vou ver. Mas mesmo em versão light, supondo que é esse o caso, faz sentido?

− O light aqui também não faz sentido. Sendo que light ou hard, o que faz sentido é não julgarmos tudo à luz de uma moral que, a maior parte das vezes, nem sequer é a nossa.

− É minha impressão, ou estás mesmo a defender algumas práticas menos “convencionais”?

− O que eu defendo é que as práticas “menos convencionais”, como lhes chamas, não são automaticamente condenáveis, só porque não nos reconhecemos nelas. As pessoas têm de ser livres de pôr em prática o que entenderem, dentro daquilo que não prejudica os outros.

− Não sei se gosto dessa ideia…

− És livre de não gostar, claro. Assim como as outras pessoas são livres de gostar, desde que isso não interfira com as nossas escolhas. O que é que se ganha em julgar/condenar coisas que são práticas de outros, mas não obrigatoriamente nossas?

Apresentado no Fresno Reel Pride Festival, em Setembro do ano passado, My Normal, de Irving Schwartz, foi rodado em 2009. A história, muito bem filmada, conta os dilemas de uma lésbica muito bem sucedida na sua profissão (como dominatrix), mas com vontade de se tornar realizadora. É para ver.

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