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Este livrinho, com oitenta páginas desenhadas, rabiscadas, pintadas, riscadas e diagramadas, com toda a casta de disparates ditos e pensados sobre primas e outras espécies de lésbicas, vai estar em leilão aqui até ao final de Julho (ou antes, se alguém fizer uma oferta tentadora). A base de licitação são 10,00€. Quem dá mais?

Estava por acaso a folhear uns comentários sobre a recém-aprovada lei que permite aos cidadãos do estado norte-americano de Nova Iorque, do mesmo sexo, contraírem matrimónio, quando dei com uma pérola do politicamente correcto: Não se chamam lésbicas, mas sim mulheres que usam calçado confortável…
E ao repetir o comentário junto de um amigo que, sob muita insistência, se define como “delicado”, prontamente exclamou: Então eu sou o salto-agulha!

Foto PinkNews

As norte-americanas Courtney Mitchell e Sarah Welton, do Colorado, casaram-se em Katmandu a 20 de Junho e celebraram o feito com celebridades nepalesas, políticos e activistas lgbt locais.
A cerimónia foi organizada pelo grupo activista Blue Diamond Society e pela agência Pink Mountain Travel, especializada em turismo lgbt.
Mitchell, psicóloga, de 41 anos, já viveu no Nepal e quis apoiar desta forma a comunidade lgbt local. Também já tinha ajudado o único membro gay (assumido) do parlamento nepalês, Sunil Babu Pant, a formar a Blue Diamond Society.

Sunil Pant (Fonte: DIreland)

No ano passado, Sunil Panta (ver entrevista à ILGA), já tinha ajudado um casal gay a casar-se no Nepal. Sanjay Shah, um cidadão britânico de Leicester e um cidadão indiano que quis salvaguardar o anonimato, conheceram-se em Inglaterra e o seu casamento foi organizado pela Blue Diamond Society, com a bênção de um sacerdote hindu.

Terceiro género
Embora o Nepal não reconheça o casamento entre pessoas do mesmo sexo, as cerimónias de casamento são habitualmente aceites pela sociedade. O país espera incluir os direitos lgbt na sua nova constituição e pode vir a legalizar o casamento gay. Em 2010, o Nepal teve a sua primeira marcha do orgulho (ver aqui). O Nepal, com trinta milhões de habitantes, que apenas em 2010 deixou de ser uma monarquia, passando a ser uma república federalista, é o primeiro país do mundo a reconhecer o terceiro género.
Em Dezembro de 2007, o Supremo Tribunal nepalês ordenou ao governo que anulasse todas as leis discriminatórias contra lésbicas, gays, bissexuais, transgérenos e intersexuais (lgbti) e reconheceu-os como terceiro sexo. O tribunal também decidiu que poderiam beneficiar de todas as regalias do estado como os cidadãos do género masculino e feminino.
Embora sendo o primeiro país do Sul da Ásia a reconhecer os direitos lgbti, a discriminação ainda prevalece e, em 2009, apenas uma pessoa, Bishnu Adhikary, tinha sido contemplada com um certificado de cidadania que lhe reconhece o estatuto de terceiro sexo.

A ausência de mulheres visíveis no movimento LGBT é um discurso recorrente.

Na minha opinião o discurso sobre a ausência de mulheres visíveis no movimento LGBT alimenta-se mais de ideias preconcebidas do que de factos reais. Existem e sempre existiram muitas mulheres activas, participativas e visíveis no movimento LGBT. Os lugares que são percepcionados como tendo mais poder e visibilidade mediática é que podem ter tido um deficit de mulheres, mas mesmo esta ideia provavelmente tem mais a ver com a percepção do que com a realidade.

Repetir e alimentar este discurso também é uma forma de perpetuar desigualdades.

Esta foto é um testemunho! As mulheres estão presentes na luta pela defesa dos direitos LGBT, em maioria, visíveis e com um discurso maduro, forte e contagiante.

 
Numa comunicação apresentada no encontro sobre Activismo LGBT e Feminista, em Coimbra, 20 Novembro 2009, organizado pela UMAR, Não te prives, IPJ e Comissão para a Igualdade de Género, fiz um esboço sobre O movimento lésbico em Portugal.

Um projecto interessante pode ser acrescentar mais histórias a esta história e construir um testemunho colectivo da participação das mulheres no movimento LGBT.

Gert e Toñi, duas activistas lgbt de longa data, na marcha de Lisboa


A viragem à direita já começa a fazer-se notar, com a RTP a assumir as “dores” do novo partido no governo e a não passar imagens da marcha do orgulho lgbt em Lisboa. Mesmo sabendo que os lgbts também lhes pagam os ordenados de excepcção como contribuintes que são. Esperemos que, com a privatização desejada para a empresa por este executivo, os queridos jornalistas se dêem ao trabalho de ler o seu código deontológico e comecem finalmente a pô-lo em prática.
A SIC foi a excepção, apesar de ter destacado, como é hábito, o “colorido” das manas drag e não ter dado um segundo sequer a qualquer activista capaz de transmitir uma ideia real sobre o que a marcha significa. Mas mostraram a Margarida da Amplos, que lá estava com a sua família, a dar o exemplo.
Senhores jornalistas: as marchas não são um carnaval; têm um fortíssimo motivo social por trás. Aposto que se fizermos um estudo sobre o género de informação que que os jornalistas realmente conhecem acerca do movimento e das questões lgbt, o nível das respostas seria no mínimo chocante.

Gert junto a uma das faixas da marcha

É já amanhã. Toca a pegar na t-shirt (lilás, azul, verse, amarela, laranja ou vermelha) e ir para a rua mostrar que somos muitos a gostar de ser como somos. Levem a família e os amigos, porque também tẽm orgulho em nós.

Interactive: Gay marriage chronology.

Só para que vejam que por cá nem tudo é tão atrasado assim. Tratem é de ir à Marcha do Orgulho, porque já houve bastante gente a trabalhar para os vossos direitos e merecem uma demonstração de apoio. Pelo menos antes que o próximo governo tente retirar-nos direitos…

 

Porque acredito que junt@s podemos fazer a diferença, que as nossas vozes podem ser ouvidas, porque em vez de encolher os braços e dizer mal da sociedade, do governo e da mentalidade acanhada da nossa gente, prefiro agir.
Porque ainda muitas mulheres vivem a sua sexualidade às escondidas, inventam namorados só para despistar os colegas do trabalho, têm quartos a fingir em casa para a família não desconfiar, sorriem aos amigos com a dor a explodir no peito por não poderem falar do que sentem e de quem são, vivem clandestinas sem soltar um grito de revolta, aceitam a farsa para não chocar as outras pessoas coitadas e as criancinhas que ainda ficam traumatizadas se virem duas mulheres que se amam e a família que morreria de vergonha, tudo isto sem fazer nada, a não ser calar fundo a dor de fazer de conta todos os dias, de não poderem ser inteiras.
Porque quero que todas as mulheres possam ter coisas simples como poder comentar no trabalho ou com a família “a minha namorada hoje acordou tão amorosa … ontem fez-me um jantar simplesmente delicioso … não larga o computador até chego a ter ciúmes daquela coisa … “, andar de mão dada, dar um beijo quando a vontade surge, ter orgulho no Amor que as une e não escondê-lo como se fosse algo feio e mau.
Porque se não concordamos com algumas coisas na nossa sociedade devemos protestar, não só nos cafés e nas conversas com @s amig@s, mas em todas os momentos da nossa vida; não calar quando criticam e ridicularizam os homossexuais, não pactuar com discursos que identificam a pedofilia com a homossexualidade, não baixar os braços quando alguém é discriminado por causa da sua orientação sexual …
Porque não quero o consentimento silencioso em relação a tudo o que nos oprime.
Porque acredito que vale a pena resistir e lutar, dizer o que sentimos e o que pensamos.
Porque acredito que tod@s junt@s fazemos a diferença e estamos a provocar a mudança.
Porque quero lutar pela nossa dignidade e o direito a sermos felizes.
Vem também sentir o prazer de resistir, intervir e transformar!

©Tangas Lésbicas

As pessoas com as melhores tangas (enviadas para o nosso email ou postas aqui nos comentários) sobre o que vai acontecer nas gloriosas marchas de Lisboa e Porto, ganham um boneco Tangas para estampar numa T-shirt. Não há limite para os vencedores, por isso, toca a despachar, que as encomendas levam pelo menos uns minutos a produzir e enviar por email.

©Tangas Lésbicas

Que um santo apadrinhe, em Lisboa, onze ou mais casamentos católicos, é uma iniciativa tão meritória como outra qualquer. O que não é tão meritório, nem tão pouco justo, é que uma câmara municipal, paga com o dinheiro de todos, lgbtês incluídos, patrocine o evento.
Por alguma razão se separa o Estado, que é de todos, da Igreja (neste caso católica), que é só dos católicos. Por que haveremos nós, lgbtês e contribuintes, sustentar ou aplaudir uma iniciativa exclusiva de uma entidade que, ainda por cima, nos exclui?
Será que a edilidade lisboeta não questiona a legitimidade do uso dos dinheiros públicos nesse contexto? E por que razão serão só os casamentos de uma igreja e não de outras profissões de fé? É que nesse saco cai muita coisa.
A CML pode sempre argumentar que não há custos públicos, porque o pagamento dos direitos de transmissão pela RTP cobrem tudo (ver aqui aqui a proposta nº 671/2010, da CML). E quem paga a RTP? O erário público, claro (“… Para a transmissão deste evento, o canal público mobilizou mais de 200 profissionais, 40 câmaras, e cinco carros de exteriores em diversos pontos da cidade.[...]). E quanto tempo vai a telçevisão pública gastar com as marchas, arraiais, festivais e iniciativas lgbtês? Segundos? Não se pede igual, mas apenas um pouco de vergonha na cara…

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