All rights © Tangas Lésbicas

Embora não mereça, aqui me têm a rogar o vosso perdão por tão grande falha, mas cá estou a dar novidades….e das boas.

Este fim de semana fui laurear a pevide. Nem mais nem menos. Mil km’s de carro nas mãos, a desbravar África, qual Álvares Cabral a caminho de descobrir o Brasil.

Destino: Mpumalanga e Limpopo.

Gostaria de vos poder contar o que vi mas não existem palavras, fotos, slides, para descrever a beleza inqualificável desta terra. E não me refiro só à beleza natural, de grandes quedas de água, de vistas de Deus, de buracos em rochas rodeadas de mar, de Canyons deslumbrantes, de grutas belíssimas com histórias por contar, falo também da largura desta terra, do comprimento, das distâncias que são imensas e vencidas sem esforço, das cores que se apresentam em tons perfeitos, enfim, de lugares inesquecíveis.

Falo principalmente das gentes, dos sorrisos, da simpatia que olhos, bocas e caras destilam como se fosse a coisa mais natural do mundo, ou melhor, como se não pudesse ser de outra maneira. O rico e o pobre, o que trabaha como o que pede, o que anda de fato e gravata e o que vende na banca junto ao ponto turístico. A docilidade, o riso pronto, o afago de mãos, faz parte deste povo. Abraçam, tocam, riem porque são assim e felizmente nem a dureza da vida, nem os tropeções, os fazem perder o brilho que mostram nos dentes brancos sempre prontos a suavizar a nossa capa/pele dura de europeus convencidos e perdidos no meio de tanta coisa sem importância absolutamente nenhuma. Riem connosco mas bem que poderiam rir de nós.

No final de tarde de sexta feira, apanhamos uma trovoada, chuvada, ventania, que deixou a estrada completamente às escuras. Foram perto de 40 km’s feitos apenas com o auxilio dos trovões que nos deixavam ver alguma, pouca, estrada. Depois ficou melhor e na chegada ao local onde íamos dormir, esperava-nos uma piscina que fez as nossas delícias. Os nossos gritos de alarve alegria e satisfação davam nas vistas perante a quietude do local.

Mas, por falar em calmaria, no sábado dormi no melhor local onde já pernoitei na minha vida. Um lodge no coração de África, daquelas coisas de luxo que só se vê nas revistas. Inesquecível. Equacionamos mais tarde ser um local para lua-de-mel já que as únicas quatro casas, estavam fisicamente separadas e não se viam umas às outras….hummmm….mesmo a calhar. Ainda por cima, ninguém mais estava hospedado. Muito bom. Vou guardar na memória, não quero esquecer nenhum detalhe.

O episódio mais divertido do fim de semana aconteceu já na curva de regresso para casa, a mais ou menos 300 km’s. De regresso da visita às Eco Caves, ainda numa estrada de terra, demos boleia a uma negra, com trajes coloridos, pensando nós em trazê-la até ao alcatrão. Seriam mais ou menos dois quilómetros. Já era um bom bocado.

Bom, ela entre no carro e começa a falar uma lingua estranhissíma, nada de inglês, tãopouco de africander, mesmo que isso para nós fosse absolutamente irrelevante. A senhora parecia uma gralha enlouquecida.

Quando chegamos ao asfalto, estendemos um mapa e com todos os dedos a apontar, dissemos que íamos para a direita e que ela ía para a esquerda e portanto seria melhor apear-se. Blágrápájáláblágrá…..pois sim, agora é que a coisa estava linda. Lá repetimos que era melhor sair ali pois o caminho dela era diferente do nosso. Olhamos outra vez para o mapa e desenhamos circunferências e retas e sinais. Por fim, vendo que de nada adiantava fechamos o mapa e dissemos byebye. Bye bye o cacete. Repetimos desta vez com uma voz mais convincente e definitiva. Qual o quê. Ficou especada, direita que nem um fuso, a olhar para nós.

Voltamos a pegar no mapa e por fim, entre sílabas, roncos, grás e blás e muitos gestos, seguimos caminho com a firme decisão de a deixarmos trinta km’s à frente onde poderia então apanhar transporte, boleia, para casa. Foi caladinha todo o caminho mas mal se aproximou o cruzamento lá voltou ela a gralhar ensandecida.

Saímos do carro, pedimos para tirar uma fotografia juntas, acedeu de imediato e o conforto do braço dela nas minhas costas, como se fossemos amigas de há muitos anos, foi o melhor agradecimento que me poderia ter dado. Eu é que lhe agradeço. Que cores lindas, que sorriso, que mulher.

E pronto, hoje só disse bem, para variar…..rsrss….só a comida mesmo me merecia um reparo mas perante tudo o que vi, vivi, senti, quem é que quer saber disso.

Volto na sexta. Abraços para todas.