
All rights © Tangas Lésbicas
E para quem pensava que eu não aparecia hoje, sim, sim Tangas, a boca é para ti, cá estou eu a dar notícias.
Descobri, ou melhor, confirmei por estes dias, que este país ao qual até me estou a afeiçoar, tem um problema qualquer com a comida.
Se fosse só com a dele, eu até podia achar estranho mas teria que aceitar. Afinal de contas, em sua casa cada um faz como quer. Mas não, parece que além de não serem uns iluminados em causa própria, têm também prazer em aniquilar a cozinha de outros povos.
Há umas semanas fui jantar a um italiano, muito recomendado. Não se pode dizer que estivesse mau, não senhora, mas a cor da bolonhesa era de um vermelho como nunca vi igual Uma coisa berrante, ostensiva, tão forte como o sabor. Não sei se foi pela cor ou pelo excesso de pimenta que passei a noite amarfanhada.
Na última 6ª feira jantei uma coisa mais americanizada. Venha de lá um hamburguer com molho de queijo e chips. Comia-se, tirando os pickles, mas a noite em branco, com direito a passeata, vómitos e mais umas coisas a partir das quatro da manhã e um sábado azambuada, deram razão a tudo o que pensei acerca da cebola e de outros ingredientes suspeitos e de nome desconhecido inseridos no tal do Burguer.
Mas a cereja no topo do bolo, veio esta semana, na visita que fiz a um resturante português. Fui lá mesmo falar com o dono, filho de portugueses mas já nascido aqui, que resolveu há uns tempos abrir um restaurante português.
Logo pelo nome, comecei a desconfiar. Poderia perfeitamente ser daqui ou de um país vizinho. Pensei, pensei, de nada me valeu. Nem toda a minha imaginação me fez ver a luz. Seja então. Entrei.
Conversa para lá, conversa para cá, consegui ter a ementa nas mãos. Depois de ter observado todo o espaço, com decoração duvidosa, onde uma fonte com o respectivo repuxo feita de cimento se perdia entre telhados de colmo que abrigavam diferentes mesas forradas com toalhas de plástico de motivos enjoativos, a minha curiosidade estava ao rubro.
Mais anda ficou quando comecei a falar com ele e verifiquei que de cozinha portuguesa ele sabia pouco mais além da existência do bitoque.
Falei-lhe em refogados, guisados, assados….o homem salivava e juntava as mãos em êxtase. Oh! Deve ser tão bom, dizia.
Abri a ementa,tão sebosa como tudo o resto e deparei-me com não sei quantas folhas, plastificadas, com um fundo de um verde tão escuro que mal deixava ler os pratos. Tanto melhor, pensei.
Não consigo descrever a confusão de tudo aquilo. O bife aparece mil vezes repetido, as especialidades portuguesas sugeridas são coisas do além, sendo inevitávgel que as nossas avozinhas cairiam duras se pusessem os olhos naquela lista.
Perguntei-lhe pelo bacalhau cozido, no forno, com grão…..ah e tal, que não, faz só assado, no brie….(tudo aqui acaba no grelhador, o brie é o desporto oficial). Explicou-me que não usa forno. Demora muito. Palavras para quê?!
Mas o melhor foi quando cheguei à parte das sobremesas, não ver nenhuma alusão a mousse de chocolate, baba de camelo, leite creme , pudim flan, aletria, enfim, o que qualquer taberna de vão de escada oferece nesse cantinho à beira mar plantado.
Tinha salada de fruta mais umas coisas que não sei o que são e, qual não é o meu espanto, um pastel de nata servido com……..gelado.
Fechei a lista com uma ansiedade crescente e coloquei a mesma na mesa disfarçando um suspiro de profunda desilusão. Então é aquele o representante da nossa comida? Da melhor comida do mundo…
Não sei se foi pela minha cara surpresa, ensandecida, incrédula perante tudo o que vi e ouvi, se porque gostou das sobremesas que na semana passada lhe dei a provar, ofereceu-me emprego. Se eu não quero ir para lá cozinhar, fazer umas coisas, pode ser um part-time, que eu veja bem, também me fazia bem ocupar um pouco o meu tempo, sair de casa……..vim embora com uma tremenda vontade de rir mas até disposta a considerar poder ajudar no que souber desde que não enfiada naquele antro.
Pasteis de nata com gelado….ora….tenham santa paciência.






16 comentários
Comentários feed para este artigo
Fevereiro 24, 2012 às 8:09 pm
tangas
ainda a hei-de ver convertida ao brie; tipo, bacalhau ao brie, alheira ao brie, pastéis ao brie…
Fevereiro 25, 2012 às 8:58 am
pagunatanga
Nunca, jamais. Ele há coisas que uma portuguesa não pode fazer.
E por falar em Portugal e em ser fim de semana, apetecia-me um belo bacalhau com batatas, grão, broa de milho e vinho morangueiro.
Isso é que é vida.
Fevereiro 25, 2012 às 12:08 pm
tangas
é uam tanga portuguesa, com certeza…
Fevereiro 25, 2012 às 3:14 pm
Avidni
Pagu, acho que devias considerar a salvação do dito restaurante! Quanto mais não seja para ‘salvar a honra do convento’!! eeheheh
Boas viagens e votos de melhores refeições.
Fevereiro 25, 2012 às 3:37 pm
tangas
não lhe dês ideias, avidni! ela que salve seja o que for por cá
Fevereiro 27, 2012 às 7:13 am
pagunatanga
Ó Tangas, pelo que tenho lido (e confesso ser pouco, só me interessam as notícias do meu FCP), esse país não tem salvação.
Nem com patés lá vai.
Fevereiro 27, 2012 às 7:34 pm
tangas
eu gosto muito de Portugal. penso que enquanto houver alguém que ame este país, a salvação é óbvia.
Fevereiro 27, 2012 às 7:12 am
pagunatanga
Hum……achas que aquilo tem salvação? Bom, pensando bem vocês não viram bem tudo aquilo. O aspecto, a decoração, o cheiro, o dono….a confusão.
Amanhã vou lá mostrar ao moço o que é um paté. Vou levar de atum e delícias do mar. Para arrasar, claro!!!!
Fevereiro 27, 2012 às 7:36 pm
tangas
olha lá, ó pagunatanga: que aspecto sobrevive a uma boa quantidade de água e detergente? e a umas toalhas airosas e uns centros floridos? e que cheiro sobrevive a uma boa limpeza – deep cleaning my luv…
o dono conquista-se com rapapés e os clientes com paté. de que te queixas, mulher danada?
a gente é que vai ter de sentir a tua falta aqui, porque os daí vão ficar com o bem bom!
Fevereiro 27, 2012 às 10:41 pm
Avidni
Pois…pensando bem, se calhar era melhor vir para cá com os patés… sempre podia abrir assim uma coisa simpática onde poderíamos ir…
Estou com a tangas!
Fevereiro 28, 2012 às 12:22 pm
tangas
vês, pagu maria, como tenho razão e concordam comigo?
Fevereiro 28, 2012 às 6:34 am
pagunatanga
Ora meninas, deixam-me encabulada com tantos mimos.
Acreditem que já tentei abrir aí uma coisa. Demorou cinco…CINCO….anos a ter licenças e quando isso aconteceu eu estava sem ânimo, graça, vontade e dinheiro. Nem chegou a começar.
Burocracia a mais para o meu gosto, é um dos grandes males desse país que, apesar de toda a escumalha que nos governa, continua a ser o melhor país do mundo.
Fevereiro 28, 2012 às 12:23 pm
tangas
isso foi no passado. o futuro é sempre uma excitante incógnita. a menina já está é apanhada pelos suid-afrikans… confesse!
Fevereiro 28, 2012 às 1:12 pm
pagunatanga
Ora, até parece que eu sou dessas…..
Fevereiro 28, 2012 às 4:18 pm
tangas
então? é daquelas?
Março 2, 2012 às 10:20 pm
tamborim
Pagu A Grande, Pagu em grande! E q grannnnnnndes saudades! Viva la Chef!!!!!!!!!!