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Que seca esta! É sábado, está um lindo dia de sol e eu aqui fechada no escritório. Já não bastava isto, e ainda por cima, tenho pela frente umas quantas horas em que sei garantidamente que não vou fazer/vender absolutamente nada… Quem é que compra ou marca viagens numa manhã de sábado em Julho? Mas enfim, lá tenho que estar aqui.

Afinal parece que vou poder exercitar a fala com alguém… Entrou-me agora mesmo um cliente pela loja dentro.

- Bom dia! Em que lhe posso ajudar?

- Bom dia! Tem alguma viagem de 4-5 dias para as ilhas?

- Tenho alguns programas sim, mas a que ilhas se refere, as Portuguesas, Madeira e Açores, as ilhas Espanholas, Baleares, Canárias?

- Gostaria de ver algo para as Ilhas Espanholas, para Menorca. Esta viagem é uma surpesa para a minha esposa, fazemos 25 anos de casados!

- Muito, bem, mas para Menorca não temos um programa pré-elaborado que eu lhe possa oferecer, temos para Ibiza, para Palma, Tenerife…

- Oh menina… Ibiza é que não, não gosto do ambiente!

- Pois, é uma ilha com muita animação, com muita vida nocturna. Procura algo mais calmo?

- Eu nunca lá estive, mas alguns amigos já me falaram daquilo e eu não gosto… Aquilo está cheio de borboletas!

- Ah!… Entendo o que quer dizer.

- Não é por nada, eu cá respeito, mas também gosto de ser respeitado, mas tenho medo.

- Medo, mas medo de quê?

- Ora menina, é que essa gente às vezes provoca e eu tenho medo de não me aguentar e responder mal! Já não seria a primeira vez que tinha que andar ao estalo por causa disso!

- Compreendo… É importante que as pessoas se respeitem, mas infelizmente nem sempre é assim, nem de um lado nem do outro.

- Pois é menina, mas Ibiza é que não, não posso com essa gente, quero distância dessa cambada de borboletas.

- Então qual seria a Ilha que gostaria de visitar?

- Olhe menina, pensando melhor, seria talvez melhor ir para os Açores. É mais calmo, tem boa comida - bom peixe e boa carne - sim que eles lá têm muitas vacas, a boa carne não falta!

- Com certeza, vamos então ver um programa de viagem para os Açores que se enquadre na sua disponibilidade.

- Cambada de paneleiros, é o que vocês são! Se fosse eu a mandar já estavam a fazer tijolo há muito tempo. Qual liberdade, qual quê?! De que é que te estás a rir, ó fufona?

- Não é de si, não se preocupe.

- Não me preocupo, não. Levavas um enxerto de porrada que até viravas fémea.

- Acredito. Mas não me vai bater, pois não?

- Não me importava nada. Mas depois vinham esses gajos atrás de mim com a treta da liberdade e essas coisas. Se fossem mas é comer bombas para o Vietname…

- :D

- De que é que te estás a rir, ó fressureira?

- Nunca me tinha passado pela cabeça comer bombas. Muito menos no Vietname.

- Isso é como a gente diz. Queres que te faça um desenho?

- Não é preciso, obrigada.

- Olha… Uma fufa bem educada! Deves ser a única…

- Conhece muitas?

- Eu?! Deus me livre! Eu sou católico e muito homem. Não tenho nada que ver com essas merdas.

- Ainda bem. Vê-se logo que é uma pessoa de boas companhias.

- Pois sou. Tens alguma dúvida?

- Nenhuma.

- Ainda bem, porque se as tivesses, tirava-tas já…

- Não é preciso, fique descansado.

- Filho da minha mãe é que não andava aí pela rua em manifestações de paneleiros.

- Só se manifesta quem quer, não se preocupe.

- Não me preocupo nada, já lhe disse. Vão mas é trabalhar, moer o corpo, que isso é que vos faz falta.

- Segunda-feira. Lá terá de ser.

- Segunda e todos os dias feriados e domingos. Isso é que devia ser, que já não tinham tempo para manifestações, bandeirinhas e florzinhas.

- O pior é se pegava a moda e depois queriam que fizessem todos o mesmo. Sabe que isto é só dar-lhes ideias…

- Chiça! Lá isso é verdade. Cambada de sanguessugas que só quer o povo a amouchar. Tudo para o bolso deles.

- Pois é. Bem, vou andando. Foi um prazer falar consigo.

- Igualmente. Nunca falei com uma fufa.

- Há sempre uma primeira vez para tudo.

- Olhe que se fossem todas como você até eu virava paneleiro.

- Acredito. Adeusinho.

- Até à próxima. Até há aí umas gajas podres de boas…

Não sou ouvinte da rádio COPE (e ainda bem), mas no passado sábado, através de um programa de televisão da TVE fiquei a saber disto.
Resumindo um pouco, esta estação de rádio emitiu um programa radiofónico dedicado a “curar a homossexualidade”, baseando-se em causas sociológicas ou psicológicas e documentando-se num livro que na vizinha Espanha foi publicado com o nome Conocer y sanar la homosexualidad, de Richard Cohen.
Este livro propõe como um dos métodos para curar a homossexualidade, bater com um pau no indivíduo, dizendo-lhe e incitando-o a dizer coisas como: “Pai… por que não me ensinaste a ser homem?…”

Que horror!… Que vos posso dizer mais? Desde que ouvi esta atrocidade fiquei enojada, só de pensar que ainda temos que ouvir estas coisas, ainda por cima num programa de rádio ou televisão. A HOMOSSEXUALIDADE NÃO É UMA DOENÇA, mas estou certa de que a estupidez sim, é uma doença.
Dói-me na alma por ainda termos de reivindicar a liberdade para amar a quem queiramos amar.

Dói-me que ainda se questione a livre escolha da nossa sexualidade, e muito mais ainda que os homossexuais tenham que “trabalhar” dia a dia a aceitação de uma sociedade que “não quer saber” de uma realidade que os incomoda. Isto no mundo “civilizado”, porque recordemos que em 80 países os homossexuais ainda são detidos e em 9 países são condenados à morte.

Fantástica a lição de democracia prestada pelos responsáveis do partido democrata norte-americano, retirando os votos do Michigan à senadora Clinton e alocando mesmo quatro dos delegados por ela ganhos ao pikeno Obama.

Convenhamos que não é agradável constatar que, na escala democrática, as mulheres continuam abaixo dos homens, mesmo que esses homens não sejam loiros e de olhos azuis.

sentir, sentir, sentir

Sentimo-nos coloridas :D

A propósito deste post sobre as pretensões dos gregos de Lesbos, descritas pelas meninas Tica e Teca, lembrei-me dessa curiosa espécie que são os lésbicos. Aqueles pikenos que gravitam em torno dos grupinhos de primas e que não se consideram como homossexuais e têm paixões platónicas pelas meninas que gostam de meninas.

Não falo aqui dos engraçadinhos que se viram para nós e dizem que também são lésbicos porque gostam de mulheres. Falo dos que parecem incapazes de se interessar por mulheres que não sejam lésbicas. Ou que se deslumbram perante a simples visão de uma prima, ultrapassando o conhecido fascínio e fantasia do sexo forte pelas mulheres que gostam de mulheres.

Será que um dia destes saem do guarda-roupa e reivindicam um estatuto próprio? Isso é que era um abono para a diversidade…

As pessoas cheias de ódio são as mais fáceis de deslindar. Impossível não gostar dessa tão linear transparência.

No entanto, são frágeis. Ao mais pequeno sinal de paixão, lá vai o ódio para o espaço…

Ó mãe, o que é uma revolução? É uma coisa assim de virar as coisas ao contrário. Ah… Então os cravos e as flores viraram-se ao contrário? Mais ou menos. Já que não virou muito mais. Mas não te preocupes que as coisas estão a voltar muito rapidamente ao que eram antigamente. E o que eram antigamente? Olha, eram tanta coisa que a nós não nos cabia ser grande coisa. Não estou a perceber, mãe… E achas que eu, por ser tua mãe, percebo muito mais? Não. O pai da minha amiga, lá da escola, diz que as mães são todas burrinhas. O pai da tua amiga é um reaccionário. E o que é um reaccionário? É uma espécie de alergia que algumas pessoas provocam nas outras. Ah… E também têm de tomar o xarope das alergias? Não, não têm. O que é uma grande desgraça, porque ficam assim toda a vida e os outros é que pagam. Não se pode fazer nada, nada? Nada mesmo. Mas de vez em quando podemos fugir deles. Só de vez em quando e não é por muito tempo. Ó mãe, esses reaccionários são mesmo perigosos, não são? São, são. Quando vires um, foge. Olha, mãe, acho que não quero saber mais nada da revolução. É natural. Há revoluções que não são grande coisa. Mas outras que têm mesmo de ser feitas. Por exemplo, no teu quarto. Queres que vire as coisas do meu quarto ao contrário? Quero. Mas não vai ficar tudo desarrumado? Isso já está. Pode ser que fiquem algumas direitas. Ai, mãe… Cada vez gosto menos da revolução. Ninguém gosta. Vá, desanda para o quarto e faz lá a revolução.

Ao contrário do que possa parecer, eu gosto da inveja. Simpatizo mesmo com ela.

A inveja é uma coisa que me torna consciente de que tenho algo de invejável. Que me lembra como é bom não ser invejosa. Que espelha aquilo que posso ser mas que escolho não ser.

A outra faceta da inveja é a dor de cotovelo (às vezes até gosto de sopa de cotovelos…), que na versão mais adocicada, dá a dor de corno e aquelas musiquinhas molengas e pungentes que a gente canta no banho.

Portanto, que tenho eu a dizer contra a inveja? Nada, absolutamente nada.

Ah… Este mundo está recheado de felicidade e a gente só se dá conta a sério quando aparece a querida inveja.

- És lésbica???

- Sou.

- Mas não és tu que tens uma filha?

- Tenho.

- Então?

-Quando nos apaixonamos fazêmo-lo por uma pessoa, não por um género.

- Ok.

(Pausa)

- Então é por isso que tens sentido de humor…

- As mulheres hetero não têm sentido de humor?

- Têm. Quando nos querem apanhar na cama. Fora isso, chamam-nos machistas, porcos e ordinários.

As coisas que os taxistas londrinos sabem…

- Não tenho nada contra as lésbicas, não me interprete mal.

- Não, por quem é… Claro que não.

- Só de ouvir a palavra já me faz calafrios.

- A sério? Frios mesmo, ou mudam de temperatura?

- Sabe que nunca reparei?

- É natural. Não são coisas em que se esteja sempre a pensar.

- Pois não. Mas essa insistência doentia nas lésbicas e nos temas de lésbicas… Isso faz-me imensa confusão.

- Pois, acredito…

- Como lhe disse, não tenho nada contras as lésbicas, antes pelo contrário.

- É sempre bom saber…

- O certo é que não me passam pelo goto.

- Veja lá não se engasgue.

- Não é brincadeira. Estou aqui a tentar ter um momento de honestidade consigo.

- Bem vejo.

- Há coisas que me irritam, é só.

- Compreendo.

- Não é nada contra si, note-se. É só que têm coisas que irritam, pronto.

- Acredito.

- Não a irritam a si?

- Não particularmente.

- Como é que consegue isso?

- Olhe, vai-se levando.

- A sério, não sei como aguenta.

- Nós, as lésbicas, somos assim…

Alma gémea Conceito que às tantas a gente percebe que passou por várias clínicas de fertilização, porque são aos magotes a entrar e a sair da nossa vida.

Camionistas Pikenas que às vezes até são fortinhas, mas que geralmente derretem à primeira.

Cara-metade Pikenas que afinal vêm inteiras, com tudo a que têm direito, incluindo aquela parte que muitas vezes não concorda mesmo nada connosco.

Companheiras Pikenas que os colegas de escritório, que acham que são muita modernos, vêm perguntar se vivem connosco.

Esfregão Termo brasileiro para as primas que era inicialmente muito pejorativo para as lés e agora serve para os pikenos se avisarem uns aos outros de que, se forem jantar lá a casa, têm de lavar a louça.

Ex Ou Eis!, nos casos em que nos cruzamos à saída ou à entrada dos sítios que toda a gente frequenta e olha, eisi-a aqui

Fufas Caiu em desuso. Agora são dikes, que é mais posh.

Gaijas Pikenas de quem a gente gosta assim ao longe, porque depois dobra a língua.

Lésbicas Pikenas de quem a gente pode eventualmente vir a gostar.

Namoradas As pikenas de quem a gente gosta e apresenta aos pais.

Primas As pikenas que os vizinhos vêem a morar connosco e acham sempre que são da família.

Sapatões Sapatos enormes, claro. Encontram-se nos saldos…

Há dias passei em casa de uns primos, para tomar chá e trocar amenidades. E estava eu gargalhando com a minha prima, na cozinha, quando entra o meu primo, então quando é que trazes cá a casa a tua namorada? E a minha prima, por mim, deixa-a em paz que ela agora está sozinha e está muito bem. Ele, com ar preocupado, abanando a cabeça, isso não é bom, nada bom. Olha, vamos dar um jantar no sábado e convidamos uma amiga nossa. Aparece. Abro os olhos à minha prima e ela ri-se, sabes como é, como nós não vamos ao distrito vermelho… Ora bem, penso eu, isto é que eles estão uns modernaços (têm oitenta anos - será que a amiga…). A minha prima, que parece que adivinha, é uma rapariga da tua idade (nada tranquilizador…), muito bem de vida. Pronto, cheira-me a casamento, logo agora que estou tão bem, a ver as vistas. Ó prima, não te incomodes, que eu cá me amanho, como sabes. Olhou para mim por cima dos óculos, vais ver que é uma óptima moça, judia, rica que se farta. Para ti era uma segurança. Mas quem é que lhe disse que eu quero estar segura? Eu sou da vertigem… E depois, já me estou a ver a trabalhar só no que dá dinheiro, a passar férias em resorts em vez de me escaqueirar toda num land rover, a jantar todos os sábados à noite com os amigos, a ter de largar as jeans para ir às recepções. Olha, prima, não leves a mal, mas eu esse filme já vi e tive de atirar o DVD pela janela… Deu-me uma palmada no braço, não sejas palerma. Vem sábado que eu trato de ti. Era o que me faltava. Mas é bem feita. Para a próxima vou para o pub com os uligãos. Sempre é menos arriscado.

prospectivas

és a menina dos meus olhos, a mulher dos meus sonhos, a minha música preferida, a flecha apontada ao meu coração. de que raio estás à espera para me deitar a mão?

platónicas

por vezes o que mais desejamos está mesmo à frente dos nossos olhos. posso tirar-te a venda?

prováveis

ainda não sei se te quero, nem sei se quero que tu me queiras. por via das dúvidas, vamos encontrar-nos a meio caminho para um jantar à luz de velas?

ex-namoradas

nunca nada deu certo, nunca nos entendemos. mas uma coisa é certa: nunca me esquecerei de ti.

diversas

não fumo. não bebo. não jogo. não arroto. não ronco. não ponho o tubo de escape a funcionar. não adormeço no cinema. não estou sempre a olhar para o relógio. não faço má cara. não olho para outras mulheres. só tenho um defeito: gosto de ti.

A minha amiga G., que é lésbica e cresceu com um irmão gay e uma irmã também lésbica, confessou-me um dia que tinha ficado tremendamente desapontada quando, aos treze anos, descobriu que só havia dois sexos.

Escangalhei-me a rir e contei-lhe que eu, que cresci com quatro irmãs, todas elas heterossexuais, levei treze anos para descobrir que, afinal, havia mais do que dois…

eu aqui vou postar outras coisas e misturar todas as minhas personagens. até porque misturada já ando eu.

vou também publicar umas entrevistas a gente muito interessante.

entretanto deixo-vos com uma história que me aconteceu aí em Lisboa, nos semáforos da avenida da Liberdade, eu que já confundo a esquerda com a direita e ando com as minhas lateralidades todas baralhadas ao volante.

estava a conduzir abaixo da média suicida da população condutora portuguesa, claro. e vem uma pikena e põe-se ao meu lado, abre o vidro e grita:

- Ganda vacaaaaaaaaaaa!

e eu, que até dei um pulo com o vozeirão da outra, perguntei logo:

- Aonde? Aonde?

garanto-vos que revirei a cabeça para todo o lado e não vi o istapor do animal…

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