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também somos portugueses

Cara Senhora Manuela Ferreira Leite,

Também somos Portugueses.
Amamos Portugal e amamos em Portugal.
Compreendemos que não goste de nós, mas esperávamos que entendesse que, sem os Portugueses que somos, o País jamais seria o Portugal que gostamos que seja.
Saudamos sempre a participação das mulheres no Poder, porque nelas depositamos a esperança e a fé de que desesperamos quando os homens cedem à ganância e à sede de dominar.
Sofremos, no entanto, a desilusão das suas afirmações discriminatórias contra pessoas que amam pessoas do mesmo sexo.
Sabemos, apesar disso, que como mulher conhece o sabor da discriminação.
Por isso, em vez de lhe pagar da mesma moeda, apelamos a todo o amor de que somos capazes e pedimos-lhe que feche os olhos por um momento e sinta, connosco, o que é viver desde sempre com a reprovação, a condenação, o castigo imerecido, o silêncio, a desilusão, a revolta, a indignação.
Mas não fique aí, nesse canto escuro e tenebroso da vida.
Faça como nós e reúna todas as suas forças para encontrar, dentro de si, o amor, a auto-estima, a coragem, a energia, a alegria e a fé em si e nas outras pessoas.
Sinta o poder e a felicidade que nos animam quando realizamos que o mundo, afinal, é como o projectamos, dia-a-dia, a cada pequena mudança que efectuamos.
Nenhum obstáculo é demasiado grande para nós.
Nenhuma batalha é demasiado longa para o que desejamos.
Nenhuma meta, nenhum futuro é inatingível ou impossível.
E diga-nos lá se não é desta cepa que se moldam os Portugueses que gostaria de governar.
Acreditamos que é uma pessoa justa.
Que tem coragem e sabedoria suficientes para rever as suas afirmações.
Sabemos que, no fundo do seu coração, também há espaço para nós e que não nos deixará ficar mal.
É esse o amor que lhe temos, enquanto portuguesa, mulher e dirigente política.
Votamos no melhor que há em si.

Já tinha escrito isto aqui:

Quês e porquês do casamento lgbt

Por que é que esta história do casamento é tão importante para a comunidade lgbt? A pergunta é frequente, como frequentes são as evasivas, vagas e frágeis respostas dos nossos adorados líderes lgbt quando com ela confrontados. Para mim, a resposta é esta:

- Quando os lgbt reivindicam o casamento, muito mais do a questão dos direitos legais e de propriedade que, em teoria, podem ser resolvidos por outras leis, e além da legitimação da união ou, se preferirem, a sua validação oficial e perante a sociedade, o que está aqui em causa é:

a capacidade de criar uma nova família.

Isto, queridas e queridos, é o cerne da questão. É este o conceito que nos está vedado e contra o qual, inconscientemente, pontapeamos. Porque, ao contrário dos lgbt, qualquer gato-sapato pode criar uma nova família e ver assim inequívocamente estabelecidos os laços familiares.

A partir do casamento, não há amantes, não há namorados, não há a pessoa em questão, não há companheiras e companheiros. Há um consorte de pleno direito, há sogros, há tios e sobrinhos, há filhos e enteados. Os parentes de uma ou de um tornam-se os parentes da outra ou do outro.

Há um clã e a sua respectiva força que, naturalmente, se vê dessa forma alargada.

É isso que torna o contrato legal do casamento único face a qualquer outro contrato legal que possa ser celebrado entre duas pessoas. É isso que fez, desde sempre, dos casamentos poderosas amas de conquista de aliados, um forjador de laços muitas vezes mais eficiente e completo do que o próprio sangue.

Os laços biológicos (de sangue) são, em todas as épocas e em todas as sociedades, os formadores de família. A seguir vem o contrato do casamento e o único que o iguala, no sentido da capacidade de legalizar os laços familiares entre as pessoas, é obviamente o da adopção.

A família e os laços familiares definem muita coisa na nossa sociedade. Há direitos e obrigações legais, sociais e morais para com as pessoas da nossa família que simplesmente não se aplicam a estranhos. Nem o facto de coabitar com uma pessoa não nos obriga a vê-la como um membro da nossa família e vice-versa. Com o casamento, no entanto, as coisas mudam substancialmente de figura:

O clã!

Os laços familiares não se desfazem. Nem o divórcio tem esse poder. Poder, poder, poder… Afinal é por isso que não nos querem casadas e casados?

(vejam o embrulho que vai pelas notícias…)

28 de junho de 2008

Há coisas que se vêem. E há coisas que não se querem ver. Está na cara.

Antes do santo da Igreja festejava-se Juno, a deusa romana correspondente a Hera, do panteão grego. Tinha como símbolo o pavão e sete olhos com que enfeitou as suas penas. Íris, sua mensageira, representava o arco-íris, ligação entre a terra e os céus. Até ser substituída por Hermes, ou Mercúrio, o mensageiro.

A pior das homofobias é a que praticamos contra nós próprios. Quando deixamos que o medo nos roube a dignidade e nos obrigue a esconder e a enterrar na vergonha o que somos.

O medo é inimigo do amor (No amor não há medo; ao contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor — I João 4:18-19, Novo Testamento), sobretudo do amor a nós próprios, que é o que nos permite viver em pleno. De amar outros como gostamos de ser amados.

Em Junho, que começa amanhã, celebram-se os Prides, os dias do Orgulho. Também podiam chamar-se os dias do Amor.

“Apaixonamo-nos por pessoas, não por géneros ou pormenores. Cada um é o que é e deve sentir-se sempre muito bem no seu papel. Somos o que somos, não o nos querem impor”[...]
Esta frase faz-me pensar qual a necessidade de defender direitos de grupos e não de pessoas e qual o motivo de tal acontecer. Faria mais sentido defender o respeito. Confesso que não consigo entender. A rotulagem tambem não entendo pois todos somos diferentes e, a rotulagem, apenas separa as pessoas ao criar grupos de rotulados. Leva à segregação, à xenofobia, a racismos, etc.
- zesim in quem é o quê.

A defesa de direitos de grupos surge na sequência do não reconhecimento de que algumas pessoas têm os mesmos direitos que os outros. Chamar-lhes grupos é já uma forma de diferenciação e de penalização.

É precisamente o respeito que se defende quando se fala de direitos e da sua defesa. Os ‘grupos’ não surgem do nada. Criam-se como reacção à acção contra indivíduos e não ao contrário. E os indivíduos juntam-se em grupos porque a união faz a força.

Mais importante ainda é que as pessoas compreendam, através desses ‘grupos’, o mal que fazem às pessoas que dizem amar. Porque os homossexuais não surgem do nada. Têm família, amigos e vivem vidas como todas as outras pessoas. A maior parte das vezes são justamente as pessoas mais próximas que fazem pressão e os condenam.

A homossexualidade não é uma revelação tardia. Já se nasce capaz de gostar de pessoas do mesmo sexo. Provavelmente, se vivêssemos numa sociedade que não fosse predominantemente heterossexual, haveria mais gente consciente da sua orientação sexual.

Por isso, quando se criam ‘grupos’ contra a forma de estar predominantemente heterossexual e castradora de uma sociedade, isso significa sobretudo que se quer tentar poupar crianças e adolescentes das gerações futuras, a pressões e vergonhas que não se baseiam senão no preconceito gerado dentro dos seus círculos mais familiares.

Numa altura em que se bate no peito pelos direitos humanos e pelos direitos das crianças, entre outras coisas, faz-se vista grossa ao massacre psicológico que é crescer homossexual no seio de uma família não educada para esse facto.

Se os pais estivessem conscientes do sofrimento a que sujeitam os filhos, negando-lhes a sua aprovação e o seu carinho, a sua capacidade de diálogo e o seu apoio durante a parte mais importante da sua vida, com certeza que não os submeteriam a tudo isso.

É por isso que há ‘grupos’ e ‘grupelhos’ que se preocupam e tentam modificar alguma coisa. Tudo o resto é circo, excepções e excessos que aqui não cabem de forma alguma.

Diz a sabedoria popular que o fruto proibido é o mais apetecido.

Será por isso que tanta gente gosta de estar no armário? Com medo de perder o apetite?

Aquelas pikenAs… que que não se consideram como homossexuais e têm paixões platónicas pelas meninas que gostam de meninas… Será que um dia destes saem do guarda-roupa e reivindicam um estatuto próprio…
r.filgueira em lésbicos

A menina r.filgueira tocou num ponto sensível quando fez este comentário no post anterior. Porque é mesmo uma questão de sensibilidade. E de contexto. O post anterior tem um contexto…

Os rótulos são para quem os quer e está no livre arbítrio de cada um considerar o que quer ou não ser. Portanto, se uma mulher não se considera homossexual mas se enamora de uma lésbica, não creio que tenhamos o direito de lhe impor seja o que for.

Vou dar o meu exemplo pessoal, porque não preciso do de outros para me explicar.

Desde que me lembro que sei o que sou. No entanto, apaixonei-me pelo pai da minha filha, casei e fui mãe. Nunca, por um instante, me passou pela cabeça que tinha deixado de ser lésbica. E quem me conhece sabe que assim foi e continua a ser.

Se alguém não se considera lésbica, mas se apaixona por outra mulher, o que lhe interessa a ela o que eu possa penar pensar ou decidir a respeito dela? Tem é de ser feliz como gosta de ser e o resto são disparates.

Apaixonamo-nos por pessoas, não por géneros ou pormenores. Cada um é o que é e deve sentir-se sempre muito bem no seu papel. Somos o que somos, não o nos querem impor.

E quanto mais verdadeiros para connosco, mais felizes e bem sucedidos nos tornamos.

será que a aura das lésbicas é lilás?

Aqui há dias estávamos a falar e alguém disse, muito sensatamente, que não concordava, nem achava correcto condenar alguém só por não gostar de homossexuais ou de negros, como é tão vulgar hoje em dia.

Pôs o dedo na ferida, porque há uma diferença gigantesca entre o que somos livres de gostar ou não, querer ou não querer, e o que fazemos. Porque até se agir (e aqui quero dizer agir de má fé, criminosamente) contra o que é o direito dos outros, não há mal rigorosamente nenhum.

Às vezes as modas e o politicamente correcto têm um lado negro. Tão negro que pode toldar-nos e abrir caminho a novas formas de discriminação. Ainda bem que, de vez em quando, alguém nos lembra o que está certo.

O Tribunal Europeu (TE) decidiu, na quinta-feira passada, que Tadao Maruko, tinha direito à pensão de sobrevivência do seu companheiro. O fundo de pensões alemão que andava a esquivar-se alegava que esse era um direito dos casais legalmente casados.

O TE achou que isso violava uma directiva comunitária para a igualdade de tratamento entre casais heterossexuais e homossexuais. A Comissão Europeia bateu palmas e achou que se reforçava assim o princípio da não-discriminação. Mas logo a seguir diz que a lei da família depende dos estados-membros, que são livres de decidir de os casais homossexuais devem ser ou não reconhecidos como uniões legais.

Afinal há filhos inteiros e enteados nesta igualdade da Comissão Europeia.

tanga foleira

Sou daquelas pessoas afortunadas que já nasceram a acreditar que tem os mesmos direitos que todas as outras.
Por isso, quando as pessoas começam a achar isto e aquilo do que eu devo ou não fazer, seca-se-me a paciência.
Que obrigação terei eu de respeitar quem não me respeita?

A propósito deste deslumbrante post, Cor de rosa, recordei que pouco mais há tão dolorosamente desconcertante como a diferença de um filho. Será essa dor que sentem os pais dos homossexuais?

Quando se gosta, gosta-se com o bom e com o mau. Do pacote todo. Senão é uma questão de conveniência…

Homofobia é discriminação.

Discriminação é abuso de poder.

Abuso de poder tem um único sentido: de cima para baixo.

Vais deixar-te pisar?

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