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Sobre a importância da DIVA e de outras revistas lésbicas e não só, em resposta à pergunta pertinentemente deixada pela menina iaNa no post anterior, devo dizer que o mérito da DIVA e de outras revistas lésbicas, é o de apresentar em letra impressa e imagens toda uma realidade que nunca é focada noutro tipo de imprensa.

Pode não parecer grande coisa, visto que a gente as folheia e verifica que são apenas revistas como as outras, sem mais nem menos do que a imprensa em geral, sobre gente de todos os dias, sobre os mesmos factos, as mesmas questões, as mesmas ansiedades. A diferença é que elas se centram na existência de lésbicas.

A questão é que o seu aparecimento deu origem, em forma e conteúdo, não só a uma realidade, como a um imaginário, a uma forma de estar que passa ao lado de muita gente. É ‘pôr no papel’, literalmente, a vivência de um segmento da sociedade que até aqui não tinha reflexo algum em nenhum média, a não ser na forma e conteúdo convenientes à luz de uma verdade social que tende a ’suavizar’ a existência de gente diferente.

Como dizer? Antes das revistas lésbicas não havia ‘prova real’ da sua existência, uma vez  que os documentos sobre géneros diferentes continuam a ser raros e a pertencer a núcleos forçosamente restritos dado o carácter de ‘estudos’ com que validam a sua origem. Sendo que as revistas lésbicas, com a sua periodicidade, assinalam regularmente a ‘existência’ de um grupo de pessoas específico.
Porque a imprensa também serve para isso, para o registo da realidade dos povos, de usos, de costumes.
E toda essa matéria se torna acessível, não só às lésbicas como a qualquer pessoa que sinta curiosidade sobre o assunto. Às vezes estou a folhear as revistas num WH Smith e vejo as pessoas passar pela parte das revistas lésbicas, pegarem-lhes, folheá-las e por vezes comprá-las, mesmo nada tendo que ver com o assunto. E isso é positivo. A mera presença da DIVA e de outras revistas nos escaparates é irreversível.

Sabendo nós que é a escrita que marca a diferença entre a história e a pré-história dos povos, como podemos negligenciar o papel que a imprensa lésbica tem na história da Humanidade? As civilizações sem grande tradição escrita, como as africanas, abaixo do Sahara, por exemplo, sempre foram vítimas do que lhes ‘faltava’ em termos de tradição. E por isso discriminadas, subjugadas e escravizadas, até há bem pouco tempo. Ainda hoje a falta de estruturas das sociedades africanas reflecte a falta real de tradição e fé na escrita como validação de leis, costumes e tradições.

Digamos, portanto, que as lésbicas e outros géneros menorizados estão a sair, finalmente, da pré-história, com uma imprensa regular e capaz de provar que há todo um universo, uma cultura e uma forma de estar relacionadas com a vivência de determinados grupos de indivíduos.

Quanto a mim, é para isso que servem as revistas lésbicas e gays, e de todas as comunidades que finalmente emergem para uma realidade que se quer igual em todas as frentes. Porque é disso que se trata, minhas amigas: as revistas lésbicas estão finalmente a escrever a nossa história fora dos meios eruditos e dos livros que menos gente lê. Elas estão nas bancas, ao alcance de toda a gente. E são a prova indiscutível da existência de um dos muitos segmentos da população mundial.

Vejam as notícias sobre a Marcha no Porto.

Ainda no rescaldo da marcha, que ao contrário de algumas doutas opiniões e porventura bem mais sábias do que a minha, me mostrou que está bem vivo e saudável o activismo lgbt em Portugal, reparei que:
- houve mais mulheres do que em qualquer dos passados anos;
- houve juventude e irreverência, liberdade de expressão e entusiasmo;
- participação de muitos grupos, associações e gente que individualmente dedica parte da sua vida a batalhar à sua maneira por uma causa que considera justa;
- se juntaram à marcha, pela primeira vez, organizações sociais que têm que ver algumas outras formas de discriminação e entenderam como útil a participação;
- houve gente que lá estava só para ver e depois se juntou ao cortejo;
- o porto pride marcou presença e espero que a recíproca seja verdadeira;
- a comunicação social ignorou, na sua maioria, um tema que lhe devia ser caro, uma vez que o código deontológico dos jornalistas os obriga à denúncia de toda e qualquer injustiça social;
- nunca a ausência de representantes dos partidos políticos foi tão descarada;
- a polícia fez um excelente trabalho de orientação da progressão da marcha em perfeita coordenação com o aparato de segurança da manifestação sindical vizinha.

Depois houve quem me perguntasse por que tinha acontecido a marcha. Que alguém tinha dito que era para que os homossexuais pudessem adoptar crianças. Ou casar. Ou outra máxima qualquer que, graças a marchas e iniciativas afins, já ressoam no vozear popular.
Na verdade, a marcha serve para isso tudo e, sobretudo, para criar visibilidade e lembrar, uma vez por ano, que há um grupo de pessoas que não se resigna com o facto de ser diariamente privada da sua completa cidadania. Serve para mostrar que mesmo não colhendo a simpatia de todos os homossexuais, é por eles que também se marcha.

A marcha é um grito de quem se sabe vivo e, justamente, não se aceita como menor. É sair à rua como qualquer outro e mostrar que não se aceita a imposição da vergonha com que se condena a diferença. É para casar, sim, para adoptar, sim, para tudo o que tu, que achas que não és como eu, me esfregas na cara como se a vergonha fosse minha e não tua. Tu, que me escravizas com a tua vergonha de coisas que nem sequer és tu que vives, diz-me lá se não é útil esta marcha, se perco o meu tempo a andar na rua para te olhar nos olhos e te mostrar que és tu que tens de pôr a tua vida em marcha, se quiseres que eu olhe para ti de igual para igual. Porque, enquanto tu não me vires como igual, és tu que és menor e és tu que precisas de reivindicar para ti a maioridade de quem sabe que ninguém é mais do que o que próximo. Porque ninguém é coisa nenhuma sem os outros, sem o respeito, sem o amor, sem a igualdade, sem viver em pleno a sua liberdade.

É por isso que vejo em todas as marchas uma tremenda utilidade.

O Brasil organizou a primeira conferência sobre os direitos lgbt com apoio governamental. Logo a seguir, foi a confusão. Ao que parece, a única resolução saída de facto da conferência (e para já) foi a da mudança das siglas de GLBT para LGBT. Ui, que burburinho… Nem a comunidade, na sua totalidade, apoia a mudança. Ler aqui.

Parece a novela do acordo ortográfico. Coisa de feministas, dizem os mais críticos.

O certo é que este ano as celebrações do Pride são dedicadas ao tema da visibilidade lésbica. E já não é sem tempo, porque sempre houve uma predominância do masculino em todas as frentes. Por questões culturais, sociais e o que mais se ajeite como explicação. Não apaga o facto de, desde sempre, os gays serem os primeiros a desfilar nos Prides e só depois virem as restantes denominações…

Houve sempre, em todas as organizações conhecidas de luta contra a discriminação, uma surda quezília de poder em que os homens mostraram como é mais importante para eles dominar do que, efectivamente, não discriminar dentro de movimentos e grupos destinados a combater a discriminação.

Portanto, para mim, lgbt é que é, pelo simples facto de que há aqui uma lição a aprender. E não é pela força ou pela tomada do poder. Mas simplesmente pela justiça de começar por considerar que não há seres humanos menos capazes do que os outros. Claro que nesta observação não estou a generalizar. Mas que a discriminação, pura e dura, começa entre homens e mulheres, lá isso é inquestionável.

Feminismo não é palavrão. Mas é uma tentação fazer a mulher sentir culpa por o ser, apelando a todas as gravações inconscientes segundo as quais isso lhes retira feminilidade, graciosidade e outras qualidades que alegadamente estão na sua natureza.

Culpa, não sinto, sobretudo quando olho para um telejornal e só vejo fatos e gravatas em cimeiras, encontros, comemorações e outras questões. Vergonha (ou falta dela) é a palavra mais adequada, só que aplicada aos homens, dirigentes e pensadores que apregoam liberdades, direitos e igualdades, apesar de na prática aceitarem e fomentarem em surdina a diferença entre sexos, géneros ou seja o que for.

Lgbt, pura e dura.

10 de Junho

A Sua Excelência

Professor Aníbal Cavaco Silva, Presidente de Todos os Portugueses, Ilustríssimos Conselheiros e demais representantes das Forças Vivas da Nação, desejamos o mais feliz Dia de Portugal e das Comunidades, em Viana do Castelo e em todos os pontos do Globo em que existam Portuguesas e Portugueses.

Juntamo-nos às comemorações com esta singela bandeira da Comunidade LGBT Portuguesa, símbolo manifesto do Amor a Portugal que também transportamos nos nossos multicoloridos corações. No verde do Estandarte Nacional depositamos a esperança de um dia virmos a fazer parte inteira e inquestionável do País de que nos orgulhamos. No vermelho a paixão da nossa demanda.

Sabemos que Vossa Excelência olha para todos os portugueses da mesma forma, qual pai extremoso e vigilante. Acreditamos por isso que o facto de não haver nenhum representante da Comunidade LGBT presente nas comemorações do Dia de Portugal e das Comunidades se deve apenas a um infeliz e perdoável lapso da organização deste simbólico evento, que em breve será corrigido e restabelecerá o reconhecimento da nossa orgulhosa comunidade e dos seus mais destacados membros.

Porque sabemos que ninguém é perfeito e muitas cabeças pensam melhor do que uma, deixamos aqui a nossa sugestão para o próximo 10 de Junho, que é a condecoração, pelas mãos de Vossa Excelência Ilustríssima, dos mais dignos e merecedores representantes da Comunidade LGBT Portuguesa, que mesmo sem as recompensas materiais de deputados, governantes ou servidores públicos, têm devotado a sua vida e energia à justa e inegável causa da Igualdade e dos Direitos Humanos.

Contribuímos aqui com uma pequena lista de personalidades a propor para uma comenda por serviços prestados à nossa mui querida República República Portuguesa:

Albino Cunha, Ana Marques, Anabela Rocha, António Serzedelo, Carlos Gonçalves Costa, Carlos Peres, Celso Júnior, Eduarda Ferreira, Fabíola Cardoso, Fernanda Câncio, Gonçalo Diniz, Isidro Sousa, Jo Bernardo, João Ferreira, Manuel Cabral Morais, Miguel Vale de Almeida, Nuno Barreto e Sérgio Vitorino.

Estava aqui há dias na amena cavaqueira com uma pikena brasileira ao balcão de um Starbuck e pergunta-nos um pikeno inglês, muito sociável, de bochechas vermelhuscas e um carrego de batatas fritas, sanduíches de perú com doce de mirtilo, coca-cola e lucozade:

- Estão a falar em que língua?

- Brasileiro - responde a minha amiga.

- Português - acrescento.

- Ah… - diz o outro feliz - conheço muito bem a Espanha. Gosto muito de Maiorca…

Outra vez, à conversa com outra pikena, também brasileira, pergunta outro pikeno:

- Mas de onde são vocês?

- De Curitiba, Brasil, conhece?

- Beira, Moçambique - digo eu, à cautela, não vá sair-lhe também um Olé!

- Ah… Robert Mugabe, não é?

E como não há duas sem três, estava dias depois na galheta com uns amigos a comentar quais os melhores sítios para gays e lésbicas em Londres, quando uma inocente garotinha loira de olho azul, sentada na mesa ao lado da nossa, pergunta ao pai:

- Que são lésbicas, daddy?

- São mulheres como os homens. Acaba lá a coca-cola!

a afiar

novas cartas portuguesas

A propósito deste post, lembrei-me duma conversa tida aqui há uns anos com uma pikena activista dos direitos lgbt que afirmava, convicta, eu sou lésbica mas não é por isso que sou feminista
Pronto, cada um tem os pontos de vista que tem. O certo é que, depois da luta liberdade-igualdade-fraternidade na França em tempos de tomada da Bastilha e o anti-esclavagismo do Novo Mundo, a luta das feministas abriu as portas da batalha global anti-discriminação.
A queima dos sutiãs no Parque Eduardo VII, em que foram apupadas as pioneiras do movimento em Portugal perante a pusilanimidade de alguns dos grandes revolucionários da época, tem tudo que ver com os direitos das minorias em que as lésbicas se incluem.
O gesto simbólico de deitar fogo aos porta-mamas teve origem num protesto de 1968, em Atlantic City, onde decorria a eleição da Miss América, e em que de facto não chegou a haver queima alguma. A repressão policial da manifestação chegou ao extremo de acusar as manifestantes pela utilização de ‘linguagem ofensiva’ nos posters em que se viam escritas frases como “Boring job: Woman wanted”, “Low Pay: Woman wanted”, “Get a whole new face, a whole new look”, e “Buy! Buy! Buy!”.
Em terras lusas, a censura proibiu em 1972 “As Novas Cartas Portuguesas” como obra obscena e subversiva, por descrever pela primeira vez as mulheres como insubmissas perante o poder do homem. Numa altura em que as mulheres precisavam da autorização dos maridos ou dos pais para se ausentarem do País, fosse qual fosse a sua idade ou estado civil…
Era luta anti-discriminação, evidentemente. Como se pode distinguir um abuso de poder de outro, por princípio, convenhamos? E não é pela anti-discriminação que as lésbicas surgem como comunidade, conceito ou forma de estar?

tangas-esclarecimentos

Não, o Tangas não é uma associação.

Quando muito, é uma tertúlia bem disposta, às vezes muito séria, às vezes muito esclarecida.

E o que eu gosto é de tangas, pronto!

Resposta do Noise a este post:

A propósito: “[…] Quanto à preguiça de começar o sexo, isso é mais comum do que a gente pensa. A maioria das pessoas, hoje em dia, vai para a cama na hora em que está morrendo de sono. Aí, bate mesmo aquela preguiça. Nessa hora, o desejo e o prazer sexual acabam ficando para segundo plano.

Não faço ideia de que camelo escreveu isto, amiga, mas a coisa cai pela base no facto de 4 dos 10 medicamentos mais receitados nos EUA (e 2 dos mais receitados na Europa) serem anti-depressivos com o efeito de, entre outros, provocarem SONOLÊNCIA! Ou seja, a malta passa as noites acordada, com insónia, a ponto de ter de se pastilhar para o soninho vir. Portanto, amiga, convenhamos que o problema de base é mesmo a falta de uma boa selvática fuck e não o excesso de soninho, certo? Certoooooooooo. Por outro lado o processo auto-erótico de reflexo excitatório inibe o sono. Um exemplo clássico de uma categoria profissional de pessoas que dorme muito menos do que as restantes é a dos actores porno. Quatro horas por noite! Portanto, há que pensar que, se o que espera alguém na cama é algo de jeito (algo, pode não ser alguém, mas algo em termos de qualidade), não me parece que a pessoa aterre ao lado da outra, role e entre em transe de soninho…

Além disso, o sexo, como processo do qual o contacto físico é elemento cumulativo, não começa quando o casal chega à cama. Começa na cozinha quando ela é abandonada a um conjunto de muito pouco eróticas tarefas. Começa na auto-estima que ele mina, começa no resultado do último contacto sexual, que eventualmente foi satisfatório para ele mas para ela foi apenas a re-edição da mesma merda que lhe tem sido servida há anos. Tipo… amiga, o sexo não começa na cama…

Exemplo: a amiga lisboeta que fiz graças ao teu link naquele post do “Noise, tas aí?”. Ela sabia que eu sabia como lidar com a diferença de cada pessoa, portanto só não lhe daria prazer se fosse um gajo mauzinho. Saber algo e não agir em função desse conhecimento é ser mauzinho, muito mauzinho. Isto permitiu que dois seres humanos perfeitamente desconhecidos tirassem um do outro uma elevada satisfação! Ora o problema aclarado no tal textozito leva a pensarmos no mecanismo contrário. Pessoas que têm tanta certeza da falta de qualidade e tão pouca esperança na ocorrência de qualidade que simplesmente não lhes interessa arriscar. Ou arriscam para despejar os tomates (eles) ou arriscam para ter a certeza de que o casamento não é apenas uma fachada (elas). Sendo assim, não me parece que a preguiça seja uma equação muito preocupante…

Reverter esse quadro é, sem dúvida, algo muito positivo para a pessoa e para o casal. Algumas mudanças de hábito podem ajudar, como deitar meia hora mais cedo. Parece simples? Mas é mesmo. Sentir desejo tem a ver com o fato de se preparar para o sexo – e não deixá-lo como a última opção.

Looooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooool… Meia hora mais cedo e a cena passa de flácida a entesoada??? Andam os malandros dos sex-psis a arrastar as pessoas para penosos processos de confrontação e auto-confrontação, de reconstrução e, afinal, a solução é aquela meia-horita? Mentalização? Tipo, repetir “eu vou foder” 300 vezes vai resolver o problema? E já agora, como é que metemos o casalito na cama mais cedo? Aquela roupa que está por passar, para a mulher no casal médio, aquele banho em que ela finalmente repousa das canseiras do dia, aquele momento em que ele pode estar online com mulheres 10 anos mais novas do que a esposa e muito mais disponíveis para o sexo - é aí que vamos tirar a meia-hora? O camelo que escreveu isto pensou por acaso que hoje em dia uma cama é quase território armadilhado para um casal? Porque se se for demasiado cedo, a pessoa vai começar a falar do seu dia chato. Porque se se for demasiado cedo a pessoa vai tentar mais frequentemente dizer-me o que fizemos mal ou recriminar-nos de algo. Porque se formos mais cedo a pessoa vai estar a ler um livro e ficamos ali acordados com a merda da luz que não no deixa dormir. Pois… a realidade infelizmente não é muito boa amiga da opinião avalizada dos blogues ; ))

Outra forma de lidar com a preguiça sexual é reservar mais momentos para saborear a vida. Um exemplo interessante: jantar com os amigos pode ser uma boa ocasião para flertar com o próprio parceiro. E esse clima de namoro e sedução atiça o desejo. Outra dica: escolher programas divertidos também é ótimo: você relaxa, dá risadas e vai para a cama mais eufórica – e mais predisposta ao sexo. A preguiça? Nesse caso, é ela que fica para segundo plano.” (Terra - Sexo e Namoro)

Jantar com amigos??? Desculpa, mas esta malta está a falar a sério ou são mesmo pessoas mentalmente incapazes? Qual é a primeira coisa que acontece numa jantar de casais hetero na Tuga, mal o casal visitante chega? Gajas para um lado e gajos para o outro! E assim permanece até ao fim do jantar! A mulher não chega ao fim do jantar com saudades do marido, chega ainda mais ressentida com ele por todo o comportamento de macho que teve para com ela colando-se ao marido da amiga e portando-se como se fosse adolescente outra vez! E desde quando é que umas risadas de podre de bêbado são prenúncio para o sexo? É que das vezes em que fui jantar a casa de casais tugas, o casal visitado fartou-se de beber, com o alívio de não irem conduzir, portanto… Please…

A minha opinião está dada. Não sei até que ponto concordas, mas se não concordares é a vida ; ) Felizmente só um de nós tem de viver com a cruel realidade do conhecimento profundo dos lençóis lusitanos ; ))))))))))

Porque eu acho que nunca é demais um olhar inspirado sobre duas musas extraordinárias no filme Oito Mulheres:

Catherine Deneuve e Fanny Ardant

Depois disto, não me digam que não esgalham mais depressa as vossas letrinhas para os contos…

mulheres2008.jpg

hoje tenho
segredos para
te contar ao
ouvido sons
antigos
escondidos na
alma

Ahhh… A Hillary também é lésbica? É assim que começam os boatos, amigas. Não, que eu saiba e no pressuposto que até pode ser lésbica mas não me interessa isso absolutamente nada se ela não mo disser ao ouvido, a Hillary não é lésbica. Nem se torna lésbica porque foi aqui mencionada. O Tangas diverte-se com coisas sérias, às vezes até de forma séria, mas ainda não faz parte da imprensa cor-de-rosa. Mas quando fizer, eu aviso.

De onde raio fui eu tirar essa ideia? E eu sei? Vai ver que teve um sonho epifânico e não nos quer contar.

(Afinal, o exemplo vem da Coreia do Sul. Vejam as Notícias)

Só a só maria se lembraria de me desafiar para uma coisa destas. Descanse, não a deixo ficar mal. E vocês, que aqui espreitam, se quiserem sigam o caminho do desafio e vejam lá com o que a gente se entretém.

E ao desafio em que é que te inspiras para debitares no teu blogue, o que tenho para vos dizer pode não vos interessar rigorosamente nada, mas vou procurar corresponder a alguma expectativa que por aí ande perdida.

A mim sempre me encantaram as histórias. E como nasci em África, habituei-me a ouvir histórias em todo o lado, em muitas línguas, em muitas entoações. Fui educada, portanto, nessa coisa de ouvir e contar as coisas, com consciência de que o que se diz e o que se escuta faz parte de um encantamento geral, a quem ninguém escapa. A minha vida é, portanto, mágica, sempre rodeada de contos e ditos, de situações que só pedem para que a gente lhes dê forma, as molde em palavras. Um blogue é, por isso um prolongamento natural do resto da minha vida.

Lembro-me, por exemplo, de ainda muito catraia, estar sentada no chão da sala a ouvir falar a minha mãe e uma amiga (a minha faz anos hoje - parabéns, ma!). Essa amiga sofria de encantamento pela minha mãe e eu sofria de encantamento por ela, que piava grosso e fumava como uma chaminé e cruzava a perna como eu já sabia que as senhoras não deviam cruzar. Tudo qualidades para mim, que estava no raiar da apreciação das primices e achava tudo aquilo absolutamente divinal. Elas falavam, falavam, falavam e eu não percebia patavina do que elas diziam, nem me interessava, mas estava completamente embalada naquele vozeirar que me transportava para um mundo completamente diferente do meu. Tal é o encanto que exercem em mim as palavras.

O embalo acabou quando a amiga da minha mãe deu por mim e ainda estás aí, perguntou ela no seu tom enrouquecido. E a minha mãe, mas que é que lhe deu, a esta criança, que passa a vida pendurada nas árvores e hoje parece que tem cola. Vá lá para fora menina, vá ter com as suas irmãs. E eu, muito contrariada, lá obedeci.

Estão a ver como é fácil encontrar inspiração para debitar aqui?

Antes de terminar queria contar-vos que o Tangas Lésbicas nasceu precisamente de uma conversa inspirada até às quatro e muitas da manhã, com duas igualmente inspiradas bloguistas da nossa comunidade e uma das minhas ex. Era para ser um blogue a quatro mãos e, quando dei por ela, tinha-o ao colo e tive de o pôr a andar. Não me importei nada, porque o boneco da Tangas é extremamente fácil de manipular.

Porque a Tangas é um boneco, amigas. Representa muita coisa do que sou e do que penso, mas tem vida própria e malícia suficiente para esconder também muito do que sou. Mas é uma excelente contadora de histórias e eu gramo-a à brava por causa disso. Ainda há um bocado estava ali sentada à janela a contar-me as ganas que tem de dizer isto e aquilo a fulana e sicrana, e eu a pôr água na fervura, ó mulher, não me desgraces, lá vens tu a cuspir lava e a atirar pedras pelo ar. Outras vezes é ela que me acalma e diz vamos lá pôr isso num post e arrumar essa coisa fora do coração, que esse guarda-se para as coisas boas, não para rosnar como os cães.

Vêem como é fácil? Não imaginam as coisas que eu ouço e vejo e não me chega o tempo nem muitas tangas para tanto conto e tanto ponto.

Acho que sim, que se nasce lésbica, ao contrário do que se diz para aí. Vozes de burro não chegam ao céu, como dirias tu. Pela minha parte já sou mais cautelosa quanto à burrice dos outros. No entanto, se pensarem comigo, se não se nasce lésbica, como raio explicamos aquela sensação que nos domina quando, na penumbra, vemos outro corpo feminino a desnudar-se, quando sentimos a sua proximidade e o seu calor? Quando o toque nesse mesmo corpo nos perturba ao ponto de perdermos por momentos a noção do que nos acontece? Quando um único desejo nos domina e é o de usar todos os nossos sentidos na descoberta, na exploração desse corpo de mulher que para nós não é apenas um corpo, mas também a alma que nele adivinhamos e descobrimos? Como se explica que um só olhar nos elucide quanto à natureza do que se passa connosco durante um momento tão curto que, se tivéssemos de o medir, quase nem se lhe notaria a existência? E, apesar disso, nós sentimos, nós sabemos…

Estou eu aqui no canto da cozinha a ouvi-las falar…

Queixa-se a minha mana mais velha que o falecido lhe fez e aconteceu, não há maneira de a deixar em paz, não aparece e quando o faz ainda é pior. E a minha mãe, o teu pai era a mesma coisa, deixa lá, eu é que tive de me impor.

Vai a primeira mana do meio e escancara a desgraça toda dos ex, do actual e dos que hão-de vir que também vão ser o mesmo, está-se a ver.  E a segunda mana do meio ajuda à festa, de faca do pão em riste, ai comigo é que eles vêem o que é bom. Porque mais isto e mais aquilo, não prestam é mesmo para nada.

Eu nem sei que vos diga, diz a mana mais nova, que ainda tem mais queixas e se mostra ainda mais implacável nas palavras contra eles.

E eu ali a ouvi-las, durante uma boa meia hora a arengar, até que resolvo arrematar, safa! e eu é que sou lésbica…

Até parece que tens tido melhor sorte com essas com quem tens andado, retrucam em coro.

Ok, ok, já me calei…

Posso dizer-vos que o dia de ontem foi muito completo.

O balanço:

- Uma ex zangou-se comigo (acho que isto quer dizer alguma coisa);

- Três pikenas apagaram a minha mensagem sem a lerem (acho que isto então, quer dizer imensa coisa);

- Recebi um convite para um fim-de-semana (prospectiva minha, se estás a ler isto, por favor não sintas vontade de me esgravatar os olhos com a agulha do tricot, porque eu não aceito, juro - embora seja um excelente programa, com direito a hotel à beira-mar e tudo, mesmo se for nos fiordes porque aqui morre-se de frio);

- Zero pikenas responderam ao meu postalito (ora aí está um gravíssimo exemplo de impopularidade);

- Zero pikenas me mandaram um postalito (nem tu, J., nem tu);

Em contrapartida:

- Tenho um encontro marcado com a prospectiva (lá-lá-lá-lá…)

Mas também, pré-dia das namoradas:

- Recebi cinco telefonemas anónimos com estalinhos horrorosos (sendo que alguém sabe perfeitamente como eu detesto estalinhos - mas eu estava muitíssimo bem disposta e não liguei nenhuma, como vês…)

- Recebi um sexto telefonema anónimo com estalinhos, seguidos da banda sonora de um dos meus filminhos do YouTube, mais a inesperada audição de Ó tempo volta para trás e Óculos de Sol. Tudo isto com a singela duração de 5 minutos e 42 segundos. Deverei considerar isto um postal amoroso ou um alerta de bomba?

Estive aqui a fazer uns cálculos de cabeça, porque amanhã é dia das namoradas e pensei que seria de muito bom tom enviar uns postaizinhos a umas meninas que eu conheço. Sei que do Minho ao Algarve a tradição é recente, mas eu que me encanto com estas coisas e tive uma educação um bocadinho mais dispersa em termos geográficos, tenho de vos explicar o que me atrai.

Para quem não sabe, o dia 14 de Fevereiro foi escolhido por ser uma altura em que a maioria das espécies de aves acasalam e isso faz-me logo lembrar a portuguesíssima expressão arrulhar como duas pombinhas

Depois, uma coisa que a maioria das pessoas já não se lembra, é que o dia de São Valentim tem uma faceta brincalhona, provocadora. Originalmente, mandavam-se os postaizinhos com confissões amorosas anonimamente e no fim do dia quem recebia mais postais era a chefe da claque do liceu, se é que me entendem.

Assim vistas as coisas, é fácil entender como é que os postaizinhos foram, ao longo dos anos, responsáveis por súbitas separações e grandes casos de amor. Digam lá que não é romântico…

Em Portugal, apesar de já ninguém se lembrar disso, esta época coincidiu sempre com o Carnaval, mais coisa menos coisa (suspeito que as origens serão próximas), e dizia-se que namoro de carnaval era fatal. Os meus pais conheceram-se num baile de carnaval e estão juntos há cinquenta e sete anos e meio.

Ora, com a ajuda da minha amiga J., que tirou esta semana para me infernizar o juízo de uma forma que me sabe muito bem, estivemos ali a pôr no papel a nossa lista o número de postais que temos de mandar até amanhã. E neles incluímos as nossas paixões platónicas, as piquenas a quem andamos a deitar o olho, as que merecem sentir um aperto no coração ao receber um postalito, as que a gente sabe que não recebe nenhum há demasiado tempo e, por fim, as ex-namoradas.

Sim, as ex-namoradas, que eu sou daquelas pessoas que não consegue zangar-se durante muito tempo. E fica-me sempre aquela coisa nostálgica e meia mágica dos sentimentos de que me recordo e acho que são dignos de ser celebrados. (vê-se bem que estou livre e descomprometida…)

Para rematar, dou-vos um doce se me disserem:

a) Quem facturou (ai jasus) mais nas prospectivas namoradas;

b) Quem se adiantou nos amores platónicos;

c) Quem se propõe disparar em mais direcções prováveis amanhã;

d) Quem acumulou mais ex-namoradas na sua lista;

e) E qual de vós, suas safadas, está aí a ler e a pensar que nos bate aos pontos em diversidade de afectos…

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