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Nem com o nevão os istapores dos pássaros desmarcam. Como se não bastasse esta coisa da neve, que é muitíssimo mais interessante nos filmes. Vou retornar ao meu velho hábito de só visitar os países do Norte no Verão e os do Sul no Inverno.

Nestes tempos de terror global até parece mal deixar de fora o nosso velho conhecido terrorismo emocional. Afinal, ele é o grande responsável pela militância de muitas e muitos de nós nestas matérias dos direitos homossexuais, que melhor seriam se fossem de uma vez equiparados aos direitos humanos e fundamentais de todos os nós.

É importante salientar que o nosso contacto com o terror começa bem cedo, quando os adultos da família, responsáveis pela nossa segurança física e emocional, se exercitam nas ameaças de tudo quanto nos poderá acontecer se teimarmos em cair fulminantemente apaixonadas pelas nossas coleguinhas de escola (eu, pessoalmente, caí na insensatez de me embeiçar cegamente por uma pikena da quarta classe, eu que mal tinha tirado os cueiros para ocupar as carteiras da minha primeira sala de aula - a paixão em questão deve ter durado quase uma semana de intensa agonia, depois da qual a minha bicicleta nova e os baloiços levaram valentemente a melhor).

Nunca percebi como é que os papás encaixam essa coisa de promover os valores universais, as boas maneiras, a verdade e a integridade, e depois nos bolacham a cara quando nos apanham um miserável bilhetinho de letrinhas desajeitadamente desenhadas a dizer: Virita, gostu muito da ti. Adiante.

Depois dizem-nos para ter cuidado com os rapazes, que querem todos a mesma coisa, o que infelizmente não significa nada porque a educação sexual em casa e na escola é tão escassa que raramente se identifica o interesse dos rapazes com a gravidez inesperada e outras doenças indesejada.

As nossas amizades femininas são, por isso, bastamente aplaudidas até ao dia em que nos apanham na marmelada umas com as outras e dos apontam o caminho da porta à razão da biqueirada.

Ai de quem, no entanto, se aproveite da filha da vizinha, ofereça chocolates e broches aos rapazinhos, porque aí, a menos que se calem todos bem caladinhos, a medida é pesada: mate-se e esfole-se, sem apelo nem agravo.

Mandam-se as crianças para o psicólogo, vêm as assistentes sociais falar à televisão dos maus tratos psicológicos de dificílima reabilitação por que passam os infelizes e eu, de boca à banda, só pergunto: E nós? Quem nos reabilita a nós das agressões sofridas à nossa sexualidade e e aos nossos direitos? Onde é que está a UNICEF quando as crianças homossexuais crescem em famílias hostis? Onde vai parar a Carta Universal dos Direitos das Crianças?

Não matam, mas moem, não é?

Por isso também não me surpreendo ao constatar o uso terrorista que fazem do amor a maior parte das pessoas: se não fizeres como eu quero, já não te amo…, à imagem e semelhança do exemplo sofrido em casa.

Isto para não falar na chantagem emocional que o permanente estado de semi-clandestinidade valida, como as ameaças de telefonemas para o emprego ou para a família, desastrosas exibições públicas de descontrolados amores, tentativas de suicídio. Tanto de entes queridos como de estranhos, colegas de trabalho ou patrões.

E por que não? Afinal, não começa tudo com o exemplo da família e das autoridades? Até com a divindade nos ameaçam quantas vezes forem necessárias, embora livros como a Bíblia sejam bastante claros: no amor não existe medo; antes, o perfeito amor afasta o medo [...] o que teme não é aperfeiçoado no amor (1 João 4:18).

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