Um tema que enche jornais e televisões, debates e controvérsias, que chega a raiar demissões parlamentares é o orçamento. Ora, creio eu, o papel do orçamento no hamor é tão importante como na figura (in?)suspeita do Estado.

Quero com isto dizer que a manutenção de algum período temporal do hamor, por curto que seja, está directa e proporcionalmente relacionado com aquilo que se estiver disposto a investir nele.

Mas não se pense que é apenas uma questão de quantidade. É muito importante não só o valor do investimento como a sua distribuição.

O muito e mal distribuído pode ser bem pior que o pouco mas que chegue para todas. As necessidades, leia-se!

Vejamos. Numa relação hamorosa há milhentos asteriscos, quero com isto dizer, uma enorme quantidade de coisas a que se tem que dar atenção. Ao hamor propriamente dito, à nossa família, à familia da outra, aos nossos amigos, aos amigos da outra, ao trabalho, nosso e da outra, às actividades desportivas em toda a sua diversidade que vão da prática diária à assistência exaustiva dos vários canais da Sport Tv e da Eurosport, ao ócio, ao tempo a dois, aos programas de fim-de-semana, às compras, às finanças da casa, à saúde, ao humor, às queixas, aos perdões, aos projectos, em suma, à lufa-lufa das vinte e quatro horas do dia.

E para nós? Sim, sim, para o nosso euzinho não fica nada? Ora, logo para nós que sempre fomos a coisa mais importante das nossas vidas,

E aqui, minhas amigas, é que está o sarilho. De uma forma ou de outra, o que temos para dar não é suficiente para tudo isto. Os por quês, cada um sabe dos seus…….e das suas.

O que de facto acontece é que, bem ou mal, cada uma de nós arranja sempre algumas horas para o “eu”, com muito esforço ainda se conseguem uns minutinhos para o “teu”, mas como não somos de elástico, acaba por não haver paciência, dedicação, espaço e tempo para o “nós”. O hamor não chega para tanto.