Estamos nós a pensar que desta vez é que é, que a dita cuja é a pessoa ideal, a mulher perfeita, quem nos tira o fôlego, a fome e mais não sei o quê, que é tudo o que sonhámos e nem sequer sabíamos que existia, enfim, essas parolices que as pessoas inventam sempre que decidem que querem sentir-se apaixonadas, quando eis se não quando, num jantar de sábado à noite, damos por nós a achar mais graça do que seria suposto à amiga de uma amiga de uma amiga nossa. Assim mesmo, amigas em terceiro grau.

De início é só piada, claro. Uma graçola aqui, outra ali, sou comprometida, tu idem, também gosto muito de folares da Páscoa e coisa e tal, mas olha lá porque é que tu e a tua namorada não vão lá jantar a casa no sábado, então e onde é que trabalhas, sais a que horas, queres ir beber um café……

Está tudo enquinado. Quando se chega à parte de ir beber o café antes de cada uma rumar a sua casa, o caso está à beirinha de ficar irremediavelmente perdido.

Já vimos essse filme várias vezes. Mas agora há uma diferença. Antes não tinha grande importância, afinal de contas estávamos a prazo num suposto romance. Mas agora, hum….logo agora que tinhamos encontrado o nosso hamor que tanto trabalhinho nos deu a conquistar e ainda mais a conservar…

É claro que vamos beber o tal café e que o silêncio surdo que se instala entre a conversa abobalhada e os olhares fulminantes para os ponteiros do relógio que continuam a rodar como loucos, diz tudo o que gostaríamos de fazer mas que preferimos, se não esquecer, pelo menos adiar.

Outros tempos e umas quantas experiências já nos ensinaram que quem tudo quer tudo perde.