– Olha lá, por acaso tens lido aquelas crónicas do hamor, às 6ªs feiras?

– Sim, sim, tenho passado os olhos por lá…

– E então?

– Então o quê?

– É pá, ando preocupada. Já pensaste se aquilo tudo que lá aparece, ou pelo menos grande parte, é verdade?

– Hum….Tu achas?

– Por muito que não queira admitir, acho sim. Aliás, no meu caso assenta que nem uma luva. Parece que a dita sabe a minha vida de trás para a frente.

– Já me tinha passado isso pela cabeça. Acho que a fulana me incomoda. Exaspera-me.

– Que grande barraca. Mas que grande maluqueira. Parece a consciência, sempre atrás, sempre a moer, a dizer coisas, a prever outras…parece que me lê o pensamento.

– Pois a mim acho que me decifra as intenções, até melhor que eu mesma.

– Eu para não ter que lhe dar razão prefiro nem deixar lá nenhum comentário…

– Mas porque raio tinha ela tem que vir dizer aquilo tudo daquela forma desabrida e quase brutal? Não podia falar de outra coisa?

– Como diz o anúncio, poder podia mas não era a mesma coisa. No fundo, no fundo, até hoje não dei que ela tivesse dito mentira nenhuma. O que não me incomoda menos, diga-se.

– Olha lá, achas que ela é prima?

– Hum….será?

– Bom, para dizer aquilo tudo é bem provável.

– Deve ser intratável.