Se o hamor no seu registo singular já é complicado e difícil de entender, quando constatado na forma acrescentada é absolutamente de enlouquecer qualquer mortal.

É atroz, é de vómitos, é de provocar suicídios. No próprio e no outro.

O hamor acrescentado é aquele que se exacerba no expoente máximo da parvoíce. Tudo é levado ao extremo, tudo é encarado como definitivo e único.

Esta é a forma de hamor que não só se recusa a pensar como a sentir qualquer outra coisa que não diga respeito ao objecto idolatrado.

Os anteriores gostos, sonhos e desejos são subitamente esquecidos e em casos de patologias hamorosas terminais, transformam-se em ódios ancestrais.

Não pensamos por nós, o que obviamente só pode dar asneira. Quer dizer, mais asneira.

O hamor acrescentado, por ser ele próprio de dimensões impróprias, faz-se pagar principescamente. Cobra balúrdios, acrescido de juros, coimas, tudo aquilo que justifique o que dá em prol do outro.

Ora aqui está mais um berbicacho. Mas porque raio temos nós que pagar em dobro, triplo ou qualquer coisa assim, por algo que não pedimos?

Ainda arengamos algo como estarmos a sentir-nos asfixiados, apertados, controlados, mas tudo isso é justificado pelo hamor com que nos brindam em cada nano segundo da nossa existência.

O hamor acrescentado sufoca, gasta, desgasta, esgota a paciência, o humor e a vontade de continuar. O hamor acrescentado é por isso uma relação unilateral. Ainda por cima doentia.

Menos penoso e mais saudável é o hamor em que todos os dias se acrescenta.