Tal como na cerimónia de Los Angeles se homenageia o cinema em geral e os seus intervenientes em particular, também no hamor o prémio não pode ir inteiro para uma só pessoa. Eu pelo menos não acredito nisso.

Imaginamos que os Óscares para Melhor Abraço, Melhor Companhia, Melhor Beijo, Melhor Sexo, Melhor Gargalhada, Melhor Parceira, Melhor Projecto de Vida, possam ser atribuídos ao mesmo ser humano?

É difícil que alguém, por mais bonito, doce, inteligente, capaz e maravilhoso que seja, consiga reunir em si mesmo tudo o que nos faz feliz. Diga-se de passagem que eu penso que seria tarefa demasiado grande, penosa e cansativa para uma só pessoa. Não há estatueta que mereça uma maldade tão grande.

Não raro, em conversas de rodapé, escutamos que não sei quem é muito boa pessoa mas muito sem graça, que sicrana é muito bonita mas uma lástima no social, que fulana é generosa e meiga mas uma desgraça na cama.

Desde pequenos que nos incutiram a noção que a perfeição não existe, mas lá bem no fundo, pelos menos até metade da terceira década das nossas vidas, pensamos ser capazes de inverter essa tendência universal. Mais ano menos ano, mais engano menos engano, mais lágrimas menos lágrimas, percebemos que não é nada assim.

Então, estamos de novo perante mais um exercício de elasticidade emocional  a que genericamente se chama de opção: ou ficamos eternamente à procura de alguém que obviamente não existe, ou damos graça pela pessoa que, com qualidades, feitios  e defeitos, faz os impossíveis para nos fazer sentir a pessoa mais importante do mundo. Ou, em casos de mais grave descaramento, aproveitamos o melhor de cada uma.

And the oscar goes to….. Hamor!!!