Nada mais patético e completamente improfícuo do que tentar recomeçar o hamor. Primeiro pela própria essência da materialização do acto que não condiz com a causa hamorosa, depois pelo valor semântico da mesma. Da palavra recomeçar, leia-se.

Recomeçar uma coisa implica em primeiro lugar tê-la começado.

Aqui surge a primeira questão. Era hamor o que se começou?

Depois desta dúvida existencial, vem ainda outra pergunta mais pertinente: mas não dizem que quando é hamor nunca acaba?

Sabendo nós como o hamor é  absurdo e engenhoso, não será difícil acreditar que consiga criar nas pessoas esta demência própria de quem hipotecou os neurónios a troco sabe-se lá do quê.

Supondo que esse tal de hamor ou algo vagamente parecido tenha mesmo existido, mais grave ainda é pensar que se pode recomeçar uma coisa que já se desgastou, destruíu e consumiu ao redor de vários desenganos, egoísmos e evidentes cansaços.

Se as coisas não deram certo uma vez, não vão dar nunca. É óbvio que ambas as partes sabem disso mas por vezes, por circunstências várias e muita pouca vergonha na cara, vá lá de tentar mais uma vez.

Para se provar as boas intenções, as duas primeiras semanas correm lindamente. A partir daí é que a porca, ou melhor, o hamor, torce o rabo. Em pouco tempo tudo se repete só que desta vez mais aprimorado e estridente. Afinal de contas vamos ficando mais velhos e mais cheios de razões e certezas a nosso respeito e dúvidas e desconfianças quanto ao alheio.

E poderia eu pensar em milhares de razões para que tal aconteça mas nunca diria melhor que a canção. “A gente não muda, só troca de hamor”.

Assim sendo…..