Um dos muitos inconvenientes do hamor e também uma das razões pelas quais não se recomenda, é que o dito cujo tem uma memória de elefante.

Pelo mais pequeno e (in)significante pormenor, consegue acabar com a paz de espiríto que se julgava completamente recuperada.

E, como não poderia deixar de ser, este fenómeno químico, funciona nos dois sentidos. Na presença e na ausência.

Nunca ousem pensar que aquela célebre frase “só te lembras do que te convém”, se aplica à causa hamorosa. Está bem está!! Aqui funciona o inverso, só nos lembramos exactamente do que não queremos.

Na presença, a nossa mente lembra constantemente as falhas, desapontamentos, decepções, enganos, injustiças, traições, diferenças irreconciliáveis de ser.

Na ausência, tudo nos traz à memória, o cheiro, a forma de rir, o toque da pele, o prato preferido, as férias na praia e por aí vai até aos pormenores como sejam as semelhanças irreconciliáveis para poder ser.

É de particular relevância observar que estas recordações surgem das coisas mais inéditas e aparentemente inocentes como sejam uma pedra da calçada, uma embalagem de rissóis congelados, um pingo de chuva, um sol estarracedor na cabeça, um prateleira de supermercado, uma bomba de gasolina, um frasco de shampôo, uma folha de alface  e mais um monte de disparates.

E enquanto não inventam umas ampolas e pílulas que nos livrem de alguns neurónios mais inconvenientes, aconselho a evitar o alho, peixes, frutas vermelhas e outros alimentos que fortifiquem a memória e sobretudo a esquecer essa patetice do hamor.

PS. Sugiro vivamente a prática de actividades radicais uma vez que está cientificamente provado e pessoalmente comprovado  que a adrenalina favorece a libertação de endorfina, substância associada ao esquecimento.