Copyrighted image

Escapa-me por completo o gozo intrínseco das pessoas que na praia colam a toalha à nossa ou das que, na fila dos supermercados, só falta descansarem o cotovelo em cima dos nossos ombros. Talvez por isso nunca me ocorresse casar entre os noivos de Santo António, se fosse hetero, nem fazer declarações num arraial, por mais orgulhosa que fosse.

Essa, no entanto, é uma iniciativa lançada pela Ilga Portugal, que amanhã se presta a pôr a concurso o pedido de casamento mais original do Arrail Pride, com direito a prémio e tudo. Não esperaria melhor da Caras, mas tenho pena que seja a Ilga a promover uma exibição populista dos afectos entre pessoas do mesmo sexo, assim como tenho pena que a associação tenha igualmente estado por trás do casamento da Teresa e da Helena para toda a comunicação social.

Haverá sempre pessoas que, com a mesma simplicidade das duas, não se importem de transformar um momento importante das suas vidas numa foto-legenda de pé de página, para alimentar uma imprensa que jamais esgota a sua sede de muito pequenos faits divers.

Nada disso teria importância se, ao lado dos eventos de feira se investisse em informação com mais lastro. Mas parece que quem manda nos média há muito decidiu que o povo só gosta de trivialidades, demitindo-o assim do livre arbítrio e praticando sem pruridos o que qualquer aspirante a tiranete deliraria pôr em prática tão impunemente.